Quitrídios

Doutorado em Biodiversidade Vegetal e Meio Ambiente (Instituto de Botânica-SP, 2012)
Mestrado em Biodiversidade Vegetal e Meio Ambiente (Instituto de Botânica-SP, 2007)
Graduação em Ciências Biológicas (Universidade de Guarulhos, 2003)

Publicado em 11/04/2019

Os representantes do Filo Chytridiomycota são referidos como fungos zoospóricos ou quitrídios. Há evidências que indicam que este grupo foi o primeiro a divergir dos outros grupos de fungos. Quitrídios são organismos microscópicos e únicos a apresentar flagelos dentro do reino Fungi. Atualmente, o sistema de classificação biológica segregou alguns táxons do filo Chytridiomycota, criando dois novos filos: Noecallimastigomycota e Blastocladiomycota, fungos simbiontes vivendo no trato digestório de animais herbívoros.

Com aproximadamente 1000 espécies registradas, os quitrídios são organismos predominantemente aquáticos, mas com representantes em solo, ou estabelecendo relações simbióticas. Foram isolados de ambientes marinhos e fontes hidrotermais. Muitos trabalhos apontam a preferência destes fungos em degradar compostos celulósicos, quitinosos e queratinosos. Há muitas espécies patógenas e existem espécies específicas que atacam determinados organismos, como é o caso de Batrachochytridium dendrobatidis, que contribui com a diminuição da população de anfíbios do planeta. Outras espécies prejudicam grandes áreas de cultivo hidropônico, ou plantas com importância econômica. Alguns registros mostraram que certas espécies de quitrídios parasitam outros fungos; táxons de algas; “briófitas”; samambaias; plantas fanerógamas; animais como peixes, crustáceos e o homem. Apesar do grupo possuir muitas espécies patógenas e parasitas, há aquelas que são utilizadas para o controle biológico, pois predam nematoides. No entanto, vale lembrar que como todos os fungos, os quitrídios são importantes decompositores e com isso contribuem imensamente para a ciclagem de nutrientes dos ambientes que vivem. Com mencionado no início deste texto, existem espécies simbiontes vivendo no trato digestório de ruminantes e, assim, auxiliando na degradação da celulose durante o processo digestório.

Morfologia e reprodução

A morfologia destes organismos é bastante variada, pois podem ser unicelulares e não desenvolverem um micélio como na maioria dos outros grupos. Geralmente todo o organismo se diferencia na estrutura de reprodução sexuada, o zoósporo. Algumas espécies podem originar um pseudomicélio, na verdade, uma trama de rizoides finos que servem para fixação no substrato. As hifas destes organismos são cenocíticas, ou seja, sem septos, estes podem surgir na maturidade. A parede celular é composta por quitina e assim como em outros fungos armazenam glicogênio como reserva energética.

Assim como a morfologia, os tipos de reprodução são variáveis e podem ser assexuadas por meio de zoósporos; ou por reprodução sexuada com alternâncias de gerações isomórficas ou heteromórficas.

Bibliografia recomendada

http://tolweb.org/tree/ (consultado em março de 2019)

Evert, R.F. & Eichhirn, S.E. 2014. Raven/ Biologia Vegetal. 8ª edição, Guanabara Koogan, Rio de Janeiro, 856p.

Hibbett, D.S. et al. 2007. A higher-level phylogenetic classification of the Fungi. Mycological Research 111: 509-547.

Kirk, P.M., Cannon, P.F., Minter, D.W. & Stalpers, J.A. 2008. Dictionary of the Fungi. 10th ed. CAB International, Wallingford.

Reece, J.B. et al. 2015. Biologia de Campbell. 10ed. Artmed, Porto Alegre. (trad.: Anne D. Villela et al.)

Terçaroli, G.R., Paleari, L.M. & Bagagli, E.2010. O incrível mundo dos fungos. São Paulo, Ed. Unesp, 125p.

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