Anabolizantes

Mestre em Ciências Biológicas (UFRJ, 2016)
Graduada em Biologia (UFRJ, 2013)

Os anabolizantes são uma classe de hormônios que possuem propriedades anabólicas. Esse anabolismo é a capacidade metabólica de produção de moléculas complexas a partir de moléculas simples. Dessa forma, os esteroides promovem o crescimento e a divisão celular, gerando o desenvolvimento de diversos tipos de tecidos, especialmente muscular e ósseo.

Quanto a sua classificação química, essas moléculas fazem parte de um grupo de lipídios chamados esteroides. Os esteroides são compostos por átomos de carbono (C) interligados formando quatro anéis, aos quais se ligam a outras cadeias carbônicas, grupos hidroxila (–OH) ou átomos de oxigênio (O).

Os anabolizantes esteroides podem ser naturais ou sintéticas e são derivadas de hormônios sexuais, geralmente o hormônio masculino testosterona. A partir dessa origem, os esteroides também possuem efeitos andrógenos, estimulando o desenvolvimento de características masculinas. Os anabolizantes aumentam os níveis de proteína nas células, especialmente nos músculos esqueléticos, aumentando assim a massa muscular, além de favorecer o desenvolvimento de características sexuais secundárias masculinas, como o espessamento das cordas vocais e crescimento de pelos no corpo.

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Devido a isso, os usuários mais conhecidos são fisiculturistas e atletas de diversas modalidades que buscam modificar suas características físicas e melhorar seus desempenhos através do uso oral ou injetável. O uso para fins estéticos também ocorre fora das competições, muitas vezes feitos por jovens e adultos em busca do corpo perfeito, utilizando anabolizantes sem acompanhamento, controle de dosagens e condições de higiene adequadas.

Os riscos para o uso abusivo de anabolizantes são muitos e das mais diversas naturezas. Problemas ligados ao sistema hormonal incluem desenvolvimento de mamas e encolhimento dos testículos em homens, masculinização dos órgãos sexuais e desenvolvimento excessivo de pelos corporais em mulheres, além de calvície e até mesmo infertilidade. Quando utilizado por jovens, os níveis de hormônio sexual artificialmente elevados podem sinalizar prematuramente aos ossos para parar de crescer, causando baixa estatura. A pele também sofre com os efeitos desses abusos podendo resultar em casos acne intensa, desenvolvimento de cistos, oleosidade do couro cabeludo, icterícia, retenção de fluidos e infecções. Dentre os problemas de saúde mais graves ainda temos os efeitos sobre os níveis de outro esteroide, o colesterol. O uso abusivo de anabolizantes pode causar o aumento do “colesterol ruim” (LDL) e diminuição do “colesterol bom” (HDL), gerando problemas cardiovasculares como pressão alta e infartos. Usuários de anabolizantes injetáveis que não contam com condições de higiene adequadas ou compartilham agulhas podem também adquirir infecções virais, como o HIV e as hepatites B e C. O abuso de esteroides ainda tem sido associado a cistos e tumores no fígado.

Apesar de todos os malefícios que seu uso pode causar, os esteroides anabolizantes foram inicialmente utilizados com finalidades médicas. Desde de sua descoberta em 1930, eles serviram para fins diversos como uso por endocrinologistas pediátricos para crianças com deficiência no crescimento; estimulação do apetite, preservação e aumento de massa muscular para pessoas com doenças crônicas desgastantes como câncer e AIDS; indução da puberdade masculina para jovens com atraso da puberdade; terapia de reposição hormonal para homens com baixos níveis de testosterona, dentre outros. No Brasil, não é permitido o porte e o uso de esteroides anabolizantes sem receita médica, sob pena de multa e apreensão.

Referências:

Turillazzi, E.; Perilli, G.; Di Paolo. M.; Neri, M.; Riezzo, I.; Fineschi, V. 2011. Side effects of AAS abuse: an overview. Mini Reviews in Medicinal Chemistry, 11: 374-89.

Sites:

https://www.drugabuse.gov/publications/research-reports/anabolic-steroid-abuse/what-are-anabolic-steroids

http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9965.htm

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