AIDS

Graduação em Biologia (CUFSA, 2010)
Especialização/MBA em Análises Clínicas (Uninove, 2012)

A Aids (Síndrome da Imunodeficiência Adquirida - SIDA, sigla em português), é uma doença infecciosa grave que atinge as células do sistema imunológico e prejudica o funcionamento do sistema responsável por combater as doenças. A síndrome é causada pelo vírus HIV (Vírus da imunodeficiência humana), que leva à perda progressiva das células de imunidade.

A síndrome foi descrita pela primeira vez em 1983, quando o patógeno causador da infecção imunológica foi identificado. Trata-se de um vírus que infecta seletivamente as células T auxiliares.

O HIV infecta células específicas, que são os linfócitos TCD4+. Esse tipo viral possui a característica de se integrar ao DNA do hospedeiro, causando uma infecção persistente. Entre o momento da infecção e as manifestações clínicas, podem decorrer anos, e a doença é considerada subclínica, ou seja, o vírus permanece latente no corpo. Após se tonar ativo e conforme as células do sistema imune vão enfraquecendo, surgem os sintomas.

A infecção pelo HIV é adquira por contato direto de pessoa-pessoa, em relação sexual, uso de seringas compartilhas, agulhas contaminadas usadas por usuários de drogas intravenosas, transferência transplacentária ou transfusão sanguínea.

O curso clínico da infecção possui diversas fases. O Centro de Prevenção e Controle de Doenças (CPCD) classifica e divide a infecção por HIV em adultos em três estágios clínicos, sendo eles:

  • A infecção assintomática;
  • As infecções persistentes onde surgem agentes patogênicos oportunistas, e ainda os sintomas de diarreia, febre, placas esbranquiçadas na mucosa oral e algumas condições pré-cancerígenas da cérvice, e;
  • AIDS clínica.

Existem diferentes subtipos de HIV e os vírus podem variar entre si.

Ilustração: Tang Yan Song / Shutterstock.com

Sintomas

Nas fases iniciais, a síndrome pode ser totalmente assintomática ou apresentar apenas sintomas leves, isso devido ao longo período de incubação do HIV. Com o passar do tempo, conforme as taxas virais vão aumentando e os danos ao sistema imunológico se tornando mais acentuados, ocorrem as manifestações clínicas, que incluem um quadro de febre constante, placas esbranquiçadas na mucosa oral, dores de cabeça, de garganta e dores musculares, emagrecimento e suores noturnos. Na fase seguinte, quando a doença está avançada e a imunidade comprometida, outras doenças oportunistas, como tuberculose, pneumonia, meningite, candidíase e alguns tipos de câncer, surgem.

Diagnóstico

O diagnóstico da infecção pelo HIV é realizado por exames laboratoriais específicos, onde são analisados a presença de anticorpos contra o vírus ou ainda a detecção de seu material genético. Os principais testes são a reação de ensaio imunoenzimático (Elisa) e a reação em cadeia da polimerase (PCR).

Atualmente são empregados os testes rápidos, que conseguem detectar os anticorpos contra o HIV em cerca de 30 minutos. Esses testes rápidos são oferecidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e são bastante aplicados em campanhas e pesquisas científicas da doença.

Em pessoas sabidamente expostas aos fatores de risco para a infecção, caso o resulto inicial for negativo, é sugerido um novo teste após 30 dias, isso porque o vírus pode estar em uma janela imunológica, onde os anticorpos específicos podem não ser detectados no primeiro momento. Mesmo nesses casos, a transmissão do vírus é ativa.

O diagnóstico é realizado e caso a presença do vírus seja detectada, as abordagens terapeutas são indicadas.

Tratamento

O tratamento para a AIDS é a terapia antirretroviral de alta atividade, que recebe o nome genérico Coquetel, e tem a possibilidade de associar várias drogas diferentes, entre elas o AZT, a medição mais conhecida para o tratamento da AIDS. Essas drogas visam controlar a replicação do vírus, mantendo a carga viral baixa e assim auxiliam a prevenir a transmissão e combater outras infecções.

Segundo as normas mundiais de tratamento da AIDS, o coquetel deve ser administrado dependo da contagem de células CD4, variando entre pacientes. A medicação não é aplicada quando a contagem de células está alta, ou seja, o quadro de imunossupressão não é grave. Já quando as células estão entre 200 e 350, o médico irá avaliar se existe a necessidade ou não. Quando as células estão abaixo de 200, o coquetel é introduzido, pois o quadro de imunodeficiência é importante.

No coquetel estão associadas várias drogas, por isso, são comuns relatados de efeitos colaterais, como tonturas, diarreia e enjoos.

Ainda não existe uma cura para a doença e a prevenção é a melhor solução. Existem diversas campanhas de conscientização, focadas principalmente nos jovens, que enfatizam a prática de sexo seguro, com o uso de preservativos, pois a via sexual é um dos principais meios de transmissão do vírus.

A ajuda psicológica também é essencial para os pacientes e auxilia diretamente na aderência e em consequência no resultado do tratamento.

Além disso, o paciente soropositivo precisa de acolhimento, pois, infelizmente, até os dias atuais, existe um tabu em relação a doença e o preconceito é visto. Isso resulta muitas vezes em vergonha e pode interferir inclusive no andamento do tratamento. O tratamento é realizado pelo resto da vida do soropositivo, mesmo que as cargas virais estejam baixas, o acompanhamento deve ser mantido regularmente e para isso o paciente precisa estar comprometimento e seguir à risca todas as recomendações médicas. Quando ocorre uso irregular dos antirretrovirais, o vírus tornar-se mais resistente aos medicamentos dificultando o controle da doença.

O tratamento da AIDS teve avanços significativos nos últimos anos, graças as diversas linhas de pesquisa cientificas com ênfase no melhor diagnóstico e tratamento da doença. O tratamento é focado em reduzir a carga viral, ao ponto de não ser detectada facilmente e pode ser considerada uma doença crônica tratável, porém, é importante ressaltar que mesmo em cargas baixas, a infecção permanece no organismo e sem o devido controle, as taxas aumentam novamente, causando a síndrome. Hoje, desde que adequadamente tratados, os HIV-positivos conseguem conviver com o vírus por longos períodos, talvez até o fim de uma vida bastante longa.

Prevenção

A principal forma de prevenir a AIDS é a partir do controle da transmissão do vírus. Assim como em outras infecções sexualmente transmissíveis, é importante o uso de preservativos nas relações sexuais. A utilização de seringas descartáveis e o acompanhamento médico sempre que exposto a situações de risco também são medidas importantes para o controle de transmissão.

Profissionais de saúde devem seguir as medidas de segurança estabelecidas por normas regulatórias para evitar a exposição ao vírus.

Gestantes devem realizar o teste de HIV durante o pré-natal e em casos positivos, iniciar o tratamento para impedir a contaminação do bebe. Hoje, felizmente é possível uma mulher soropositiva engravidar e não transmitir a doença para o filho.

Infelizmente, até o momento, não foi possível o desenvolvimento de uma vacina contra o HIV, isso porque o vírus sofre mutações constantemente e não foi possível, até então, estabelecer um protocolo.

As campanhas de conscientização são ferramentas importantes para o conhecimento da doença e das suas formas de transmissão. As medidas preventivas contribuem para a redução dos casos de AIDS, isso devido a incentivos de mudanças comportamentais das pessoas, para evitar ao máximo o risco de exposição.

Procurar o serviço especializado o quanto antes também aumenta as chances de controle da doença e redução da transmissão. Em casos de suspeita ou de contato com os fatores de risco, o exame deve ser realizado e se necessário, o tratamento iniciado imediatamente.

Fontes:

http://www.saude.gov.br/saude-de-a-z/aids-hiv

https://www.h9j.com.br/centro-de-medicina-especializada/Paginas/patologias/aids-mesmo-sem-cura-e-possivel-viver-com-o-virus.aspx

https://drauziovarella.uol.com.br/doencas-e-sintomas/aids/

http://www.aids.gov.br

Abbas, A. K., Lichtmann, A.., Pillai, S. Imunologia básica: funções e distúrbios do sistema imunológico. 4. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2013.

TORTORA, G.J., FUNKE, B.R., CASE, C.L. Microbiologia. -8. ed.-Porto Alegre: Artmed, 2005.

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