Célula procariótica

Bacharel em Ciências Biológicas (UNITAU, 2012)
Pós-graduação Lato Sensu em Perícia Criminal (Grupo Educacional Verbo Jurídico, 2014)

A palavra procarioto tem origem grega e significa “núcleo anterior” ou “antes de ter núcleo”. Esse significado dá a impressão de se tratar de uma estrutura primitiva, e é exatamente disso que se tratam esses organismos. Quando comparadas às eucariontes, as células procariontes são mais simples, o que acarreta acreditar que se tratam de elementos mais primitivos na história evolutiva. Assim, acredita-se que a primeira célula foi de um ser procarionte.

Exemplo de célula procariótica. Ilustração: in-art / Shutterstock.com [adaptado]

Exemplo de célula procariótica. Ilustração: in-art / Shutterstock.com [adaptado]

Esse grupo de organismos é composto, basicamente, pelas bactérias. Suas células não se organizam em tecidos, isto é, se tratam de organismos unicelulares, podendo ou não formar colônias. A composição desse grupo celular tem poucas membranas, em geral, a única presente é a que delimita a célula. A célula procariótica é caracterizada pela ausência de organelas membranosas muito conhecidas e comuns, como mitocôndria, cloroplasto, complexo de Golgi, etc. Ela possui membrana plasmática, citoplasma, material genético livre e não compartimentado e ribossomos.

A membrana plasmática delimita o organismo e possui sua função típica de controlar a entrada e a saída de moléculas da célula. A parede celular é comumente encontrada em procariontes, composta de carboidratos ligados a proteínas denominados peptídeoglicanos. De acordo com a sua espessura e complexidade, é possível dividir os organismos em dois grupos de bactéria: gram positiva e gram negativa. Em resumo, pode-se dizer que as que possuem uma parede celular mais espessa são as gram positivas e as que possuem uma parede celular mais delgada, as gram negativas.

O material genético é composto pelos cromossomos e pelo plasmídeo e é responsável, principalmente, pela herança genética. O primeiro é análogo a uma central de comando da célula, “gerenciando” os processos internos da mesma. Ele é difuso no citoplasma e está presente numa região denominada nucleóide. A outra estrutura, que também é composta por DNA, é uma estrutura circular extra DNA cromossômico responsável pela herança de algumas características importantes, como resistência a certos antibióticos. Uma estrutura que pode ou não estar presente nas bactérias é o pilus ou fimbria sexual. Esse apêndice se relaciona à transferência do plasmídeo para outra bactéria com a finalidade de conferir alguma vantagem a partir da capacidade de produzir certa proteína.

Um fato curioso é que essa combinação de estruturas, plasmídeo e fímbria sexual, é de vital importância para a célula em si. O que foge do senso comum é que o conhecimento disso trouxe enormes avanços para a humanidade. É por causa do conhecimento da estrutura e do seu funcionamento que a tecnologia consegue fazer uma cultura de bactéria produzir insulina de origem humana. Isso ocorre ao inserir uma sequência de DNA humano responsável pela produção dessa substância no plasmídeo de uma bactéria. Em seguida ela se reproduz e transmite essa porção genética ao resto da cultura acarretando a produção.

Existem algumas outras estruturas especializadas que podem estar presentes nessas células. Os cílios e flagelos são estruturas que se originam a partir do centríolo e tem função relacionada a locomoção. A cápsula é uma estrutura externa à membrana plasmática, presente em algumas bactérias patogênicas que atuam na proteção do organismo, muitas vezes dificultando o combate pelo sistema imune.

A importância desses seres é enorme e também muito variada, sendo que sua atuação é vital para a vida e também para o desenvolvimento tecnológico. Isso acontece porque os seres decompositores e os fixadores de nitrogênio possuem células procariontes. Isso quer dizer que a decomposição da matéria orgânica e sua devolução à natureza é feita por esses organismos. Além disso, o papel dos fixadores de nitrogênio é ainda mais importante. Isso porque esse elemento, na forma em que está disponível na natureza, não consegue ser absorvido pelos produtores para ser passado a diante na teia alimentar. São justamente os fixadores de nitrogênio que possibilitam o aproveitamento do elemento químico.

Já sob a vertente tecnológica, os primeiros e diversos atuais estudos relacionados à biotecnologia foram feitos com células procariontes por serem mais simples. Tanto é que uma das células mais bem conhecidas e estudas do mundo se trata de uma espécie de bactéria presente no trato intestinal, a Escherichia coli. Ou seja, a existência dos procariotas é indispensável para a vida como conhecemos hoje.

Bibliografia:
Carvalho, H.F. A Célula. Editora Manole. 3ª Edição. 672 páginas. 2013.
Junqueira, L. C. & Carneiro, J. Biologia Celular e Molecular. 9ª Edição. Editora Guanabara Koogan. 338 páginas. 2012.
Lopes, S. Bio – Volume Único. 1ª Edição. São Paulo: Editora Saraiva. 606 páginas. 2004.

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