Gravidez molar

Mestrado em Ciências Veterinárias (UFU, 2013)
Graduação em Ciências Biológicas (UEG, 2010)

A gravidez molar, também conhecida como Mola Hidatiforme, é a Doença Trofoblástica Gestacional (DTG) que ocorre com maior frequência. Uma em cada duzentas gestações no Brasil desenvolvem uma mola hidatiforme.

Essa doença caracteriza-se pela formação de um feto anômalo ou inexistente junto a uma placenta composta de vilosidades edemaciadas em forma de cacho de uva, por isso a denominação de gravidez molar. Elas podem ser de dois tipos benignos: a Mola Hidatiforme Completa e a Parcial, e um tipo maligno: a Mola Invasiva.

Muitos abortos no primeiro trimestre de gestação estão associados gravidez molar, principalmente a Mola Hidatiforme Parcial. Por isso, após um aborto, o material coletado é encaminhado para exames citopatológicos, quando é examinado e a gravidez molar é ou não confirmada por citometria de fluxo, histologia ou exames do cariótipo.

Clinicamente, a suspeita de gestação molar pode ocorrer pelo altos índices de gonadotrofina coriônica humana (HCG) no sangue materno e pelo tamanho aumentado do útero de forma desproporcional ao período de gestação.

Causas

A Mola Hidatiforme Completa desenvolve-se em decorrência da fecundação de um ovócito sem núcleo por um espermatozoide que duplica seu material genético após a fertilização. Assim, essa concepção origina um zigoto com material genético apenas paterno, o qual durante o desenvolvimento não irá formar o feto, apenas os anexos embrionários anormais e algumas células embrionárias difusas em meio a células trofoblásticas.

Em contrapartida, a Mola Hidatiforme Parcial é originada de um zigoto triploide. Frequentemente ele é formado pela fecundação de um óvulo normal por dois espermatozoides, de forma que o feto possui material genético materno e paterno, por isso desenvolve-se, porém, de forma anormal e é abortado.

Quando a Mola Hidatiforme infiltra-se no miométrio ocasiona a Mola Invasiva. Essa condição é mais grave, pois pode se espalhar através da circulação e desenvolver-se em tecidos extrauterinos como a vagina ou os pulmões.

Fatores de Risco

Alguns fatores de risco são descritos, como:

  • Idade materna extremas, ou seja, gestações em adolescentes e em mulheres acima de 40 anos;
  • Gravidez molar prévia aumenta o risco de recorrência de outras molas hidatiformes;
  • Histórico de aborto espontâneo aumenta 2 a 3 vezes o risco de uma gravidez molar em comparação com as mulheres sem história de aborto.

Sintomas e Diagnósticos

Os sintomas da gravidez molar em estágio desenvolvido são: hemorragia intensa seguida de aborto, útero aumentado em relação a idade gestacional, pré-eclâmpsia precoce, cistos ovarianos, náuseas excessivas e hipertireoidismo.

No entanto, atualmente o diagnóstico é feito pela ultrassonografia de acompanhamento da gestação, de forma que, a gravidez molar é identificada rapidamente e permite o tratamento ainda na fase assintomática.

Tratamento

O tratamento para Mola Hidatiforme Completa e Parcial consiste na interrupção da gravidez e evacuação da cavidade uterina. É feita curetagem aspirativa com controle do ultrassom.

Para tratar a Mola Invasiva é necessário realizar quimioterapia, pois ela é maligna.

Devido ao risco de desenvolver neoplasias, é necessário o tratamento especializado até a remissão completa da doença. Os níveis de HCG sanguíneos são monitorados após o tratamento, pois ele deve reduzir gradativamente até desaparecer. Caso o nível continue aumentado e não tenha relação com outra nova gestação, ele pode indicar a progressão maligna da doença.

Atualmente o tratamento da gravidez molar e suas complicações malignas possuem altos índices de cura e preserva a capacidade reprodutiva da mulher. Basta buscar o tratamento adequado.

Referência:

BRAGA, Antônio et al. Doença trofoblástica gestacional. Revista Hospital Universitário Pedro Ernesto, v. 13, n. 3, 2014.

LURAIN, John R. Gestational trophoblastic disease II: classification and management of gestational trophoblastic neoplasia. American journal of obstetrics and gynecology, v. 204, n. 1, p. 11-18, 2011.

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