Espécie endêmica

Mestre em Ecologia e Evolução (Unifesp, 2015)
Graduada em Ciências Biológicas (Unifesp, 2013)

Espécies endêmicas são espécies que ocorrem exclusivamente em uma determinada região geográfica. O oposto de endemismo é o cosmopolitanismo, condição na qual uma espécie é amplamente distribuída pelo mundo, o que é bastante raro, já que a maioria das espécies está restrita a uma região geográfica, seja ela ampla ou não. Uma espécie pode ser endêmica a um continente, a um país, a uma ilha ou a qualquer outra região específica.

O endemismo pode surgir porque uma espécie evoluiu numa determinada região e nunca dispersou ou mesmo porque sofreu redução populacional e só restou em apenas uma pequena parte da sua antiga distribuição geográfica.

Uma distribuição endêmica pode ser determinada tanto por barreiras físicas (como rios, montanhas, oceanos) — que evidentemente criam imposições à distribuição das espécies — ou ecológicas. Sabemos que cada espécie possui um conjunto de requisitos e tolerâncias a condições ecológicas (bióticas e abióticas) que determinam a sua sobrevivência, e esse conjunto de requisitos ecológicos, ao impor restrições à sobrevivência da espécie, também limita sua distribuição geográfica. Podemos dizer que espécies com faixas de tolerância ecológicas mais amplas, em geral, possuem distribuições geográficas mais extensas, enquanto espécies mais exigentes possuem distribuições mais restritas. Assim, ambientes geograficamente isolados (ilhas remotas, áreas cortadas por rios ou por uma cadeia de montanhas) ou áreas com condições climáticas muito específicas (como o topo de uma montanha ou um bioma), podem favorecer o surgimento de espécies endêmicas.

A ocorrência de endemismos também depende do grau de mobilidade dos organismos, sendo aqueles com menor capacidade de locomoção, geralmente endêmicos de áreas geográficas mais restritas.

Regiões que contêm elevados índices de espécies endêmicas — como o continente australiano e a ilha de Madagascar — são chamados de centros de endemismos. Antes de estudos de evolução genética, tal cenário era comumente aceito como indicativo de um histórico evolutivo compartilhado entre as espécies endêmicas daquela região, mas hoje os dados moleculares e genéticos apontam que muitas vezes não é este o caso e que a distribuição hoje coincidente pode ser resultado de processos evolutivos distintos.

Os endemismos podem ser classificados de diversas formas, vejamos abaixo algumas delas:

  • Quanto à sua origem, os endemismos podem ser classificados como autóctones ou alóctones. Os organismos endêmicos autóctones são aqueles cuja diferenciação ocorreu no local onde vivem no presente, enquanto os alóctones são aqueles que se diferenciaram num local diferente de onde ocorrem hoje.
  • Relictos taxonômicos ou biogeográficos são tipos de endemismo alóctone. Os relictos taxonômicos são os únicos sobreviventes de grupos taxonômicos anteriormente diversos, enquanto os relictos biogeográficos são os descendentes estritamente endêmicos de um grupo que era amplamente distribuído no passado. Frequentemente essas classificações podem coincidir.
  • Quanto à idade, espécies endêmicas podem ser classificadas como paleoendêmicas, no caso de espécies bastante disseminadas em épocas remotas persistirem numa área restrita, ou neoendêmicas, no caso de espécies formadas recentemente.

Referências:

Brown, J & Lomolino, M. Biogeography. 2nd Ed. Massachusetts: Sunderland. 1998.

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