Lixo reciclável

Mestre em Ecologia e Manejo de Recursos Naturais (UFAC, 2015)
Graduada em Ciências Biológicas (UFAC, 2011)

A grande quantidade de lixo produzido é uma consequência do crescimento populacional e do consumismo desenfreado. Ao constatarmos que estes fatores tendem a aumentar com o tempo, temos uma previsão bastante preocupante do futuro do planeta, visto que o acúmulo de lixo causa muitos impactos negativos ao meio ambiente. A reciclagem é uma das alternativas que contribuem para a solução deste problema, pois é um processo através do qual resíduos que seriam descartados são reinseridos no ciclo produtivo e utilizados como matéria-prima para a fabricação de novos produtos.

Papel recolhido e compactado em um centro de reciclagem. Foto: Antlio / Shutterstock.com

Existem várias técnicas de reciclagem, que variam de acordo com o tipo de material utilizado. Diversos tipos de materiais podem ser reciclados, os principais são:

  • Papel (jornais, revistas, envelopes, caixas de papelão), cuja reciclagem tem como objetivo a fabricação de papel novo;
  • Vidro (potes de alimentos, garrafas, frascos de remédio), que é 100% reciclável, ou seja, cada tonelada de caco de vidro resulta em uma tonelada de vidro novo;
  • Plástico (garrafas, sacolas, canos de PVC, embalagens, etc.), cuja reciclagem gera matéria-prima utilizada na fabricação de diversos produtos;
  • Metal (latas de alumínio e aço, arames, pregos, fios de cobre, etc.), que não perde suas propriedades físicas durante o processo de reciclagem, podendo ser reciclado muitas vezes;
  • Resíduo orgânico (restos de animais e vegetais), que geralmente é reciclado através da compostagem.

O processo de reciclagem é desenvolvido em várias fases, dependendo do material. Mas basicamente a reciclagem de qualquer material compreende três etapas principais: coleta e separação, revalorização e transformação. A coleta e a separação são ações fundamentais para que todo o restante do processo seja realizado, por isso devemos fazer a separação entre o lixo reciclável e o não reciclável. Uma maneira simples é separar o que chamamos de “lixo molhado” (restos de comida, papel higiênico, embalagens impossíveis de serem limpas) do “lixo seco” (todos os materiais que podem ser reciclados). Quando os resíduos não são separados um material contamina e suja o outro, impossibilitando sua reciclagem.

A separação deve ser feita nos locais onde o lixo foi gerado: casas, escolas, indústrias, etc. Após o recolhimento dos resíduos, realizado pelo serviço de coleta, os materiais devem ser transportados para uma unidade de triagem, para que uma separação mais criteriosa seja feita, em seguida esses materiais são encaminhados para as empresas que promovem a reciclagem. A revalorização é a fase intermediária, na qual os materiais previamente separados são preparados para a última etapa, a transformação, que é responsável pelo processamento industrial dos materiais, gerando novos produtos.

Reciclar contribui significativamente para diminuir a poluição ambiental e para a economia de energia e recursos naturais que seriam utilizados na fabricação de novos produtos. Além disso, contribui para a geração de emprego e renda para trabalhadores que participam da coleta, triagem e venda de produtos recicláveis e para o aumento da vida útil dos aterros sanitários, reduzindo o volume de lixo que seria encaminhado para estes locais.

Apesar de todos os benefícios, a reciclagem no Brasil ainda precisa avançar muito, visto que de todo o lixo produzido apenas cerca de 3% é encaminhado para a reciclagem. Mas já ocorreram alguns avanços, principalmente na reciclagem do alumínio, na qual o país é campeão mundial. Entre as dificuldades encontradas para a aplicação da reciclagem no Brasil estão: a falta de uma consciência ambiental da população e a falta de investimento por parte dos governos em programas de coleta seletiva, educação ambiental e na implementação da reciclagem (máquinas, equipamentos e pessoas capacitadas).

Referências:

Pinto-Coelho, R. M. Reciclagem e desenvolvimento sustentável no Brasil. Belo Horizonte: Recóleo, 2009, 340p.

Cornieri, M. G.; Fracalanza, A. P. Desafios do lixo em nossa sociedade. Revista Brasileira de Ciências Ambientais, n.16, p.57-64, jun. 2010.

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