Painel Internacional Governamental de Mudanças Climáticas (IPCC)

Mestre em Ecologia e Manejo de Recursos Naturais (UFAC, 2015)
Graduada em Ciências Biológicas (UFAC, 2011)

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O Painel Internacional Governamental de Mudanças Climáticas (IPCC) foi criado com 1988 pela Organização Meteorológica Mundial (OMM) e pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA). O objetivo do IPCC é compilar dados recentes e de relevância científica sobre as mudanças climáticas e fornecer essas informações aos governos para que sejam desenvolvidas políticas climáticas. De forma voluntária, os cientistas do IPCC dedicam seu tempo para avaliar os milhares de documentos científicos publicados e preparar um resumo completo sobre as questões climáticas.

Atualmente o IPCC conta com 196 países membros, inclusive o Brasil. O IPCC está organizado em três grupos de trabalho (GT), o GT I se concentra na área do clima, analisando os aspectos científicos do sistema climático e das mudanças climáticas e buscando as causas dessas mudanças. O GT II trata dos impactos causados pelas mudanças climáticas, avaliando a vulnerabilidade dos sistemas humanos e naturais diante dessas mudanças e analisando as possíveis adaptações a elas. O GT III analisa alternativas para a mitigação dos impactos causados pelas mudanças climáticas, avaliando estratégias de médio e longo prazo para reduzir a emissão de gases do efeito estufa.

Os relatórios do IPCC são publicados em intervalos regulares. O primeiro relatório foi publicado em 1990 e projetou que se a quantidade de CO2 na atmosfera fosse dobrada, as temperaturas globais atingiriam de 1,5 a 4,5 ºC. Esse relatório foi decisivo para a criação da Convenção do Clima na Conferência Rio 92. O segundo relatório, de 1995, sugeriu uma influência humana perceptível no clima global. Esse relatório forneceu as bases para as negociações que proporcionaram a adoção do protocolo de Kyoto dois anos depois. Em 2001 foi publicado o terceiro relatório, que concluiu que a temperatura média da superfície da terra aumentou cerca de 0,6 °C entre 1861 e 2000, e apresentou evidências mais fortes de que a maior parte do aquecimento observado durante os últimos anos é consequência das atividades humanas.

A quarta avaliação climática do IPCC foi publicada em 2007 e afirmou ter obtido avanços no entendimento de várias questões ligadas às mudanças climáticas. Os resultados alertaram para um aumento médio global das temperaturas entre 1,8ºC e 4,0ºC até 2100. Nesse relatório o IPCC apresentou estratégias de adaptação às mudanças climáticas nas áreas de uso da água, agricultura, saúde humana, transportes, infraestrutura, turismo e geração de energia. Em seu quinto relatório, publicado em 2014, o IPCC demonstrou que o aquecimento global é uma realidade difícil de ser contestada. Esse relatório comprovou que todos os esforços produzidos nas várias Conferências das Partes (COP) não obtiveram os efeitos esperados e apontou para a necessidade urgente de diminuir a emissão de dióxido de carbono e adotar políticas de mitigação dos efeitos futuros.

Em 2022 o IPCC lançou um novo relatório, o qual alertou que os impactos climáticos estão ainda mais severos e já afetam todas as partes do mundo. As secas extremas, o calor e as fortes inundações ameaçam a segurança alimentar e os meios de subsistência de milhões de pessoas. Mesmo que o mundo passe por um rápido processo de descarbonização, os gases do efeito estufa que estão na atmosfera ainda impactarão o clima até 2040. Esse relatório alerta que já existem soluções viáveis de adaptação às mudanças do clima, mas que os países precisam passar da fase de planejamento para a fase de implementação das estratégias.

Os relatórios do IPCC mostram que os efeitos das mudanças climáticas são alarmantes e colocam em risco o bem-estar das pessoas e do planeta. É necessário agir com urgência para reduzir as emissões de gases, conservar os ecossistemas e aumentar o financiamento para as estratégias de adaptação climática. Enfrentar a crise climática não é uma tarefa simples e depende do comprometimento e participação de todos: governos, sociedade civil e setor privado.

Referências Bibliográficas:

IPCC. Intergovernmental Panel on Climate Change. Painel Intergovernamental para a Mudança de Clima. Disponível em: http://www.ipcc.ch/. Acesso: 29 mar 2022.

Tilio Neto, PD. Ecopolítica das mudanças climáticas: o IPCC e o ecologismo dos pobres [online]. Rio de Janeiro: Centro Edelstein de Pesquisas Sociais, 2010. Crítica dos relatórios do IPCC. pp. 82- 126.

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