Zonas mortas dos oceanos

Recebem o nome de "zonas mortas" determinadas áreas dos oceanos destituídas de oxigênio, e portanto, incapazes de sustentar uma vida marinha regular. As zonas mortas são desencadeadas pela atividade humana e seu enorme impacto na natureza.

O processo é consequencia direta da ação de nutrientes ricos em nitrogênio contidos nos fertilizantes utilizados pelos agricultores em suas lavouras. A criação das zonas mortas se inicia quando o nitrogênio proveniente de adubos e esgotos estimula o crescimento de plâncton fotossintético na superfície das águas costeiras. Tais nutrientes, após serem absorvidos e carregados pelos rios, vão parar nas águas das regiões litorâneas, muito frequentemente em áreas de pesca.

Os danos, obviamente, atingem não só a vida existente nos oceanos mas também alcançam todas as populações que, de uma maneira ou de outra encontram no mar o seu sustento. É por isso que, apesar do tamanho de tais zonas mortas ser relativamente pequeno em comparação à superfície total dos oceanos, os cientistas afirmam que elas representam uma porção importante das águas oceânicas nas quais habitam espécies de peixes e mariscos de valor comercial. Do mesmo modo, os níveis reduzidos de oxigênio matam também vermes anelídeos e outras fontes de alimento para peixes e crustáceos.

Muitas dessas zonas mortas são cíclicas, ou seja, reaparecem todos os anos nos meses de verão. Com o passar do tempo, porém, elas podem tornar-se permanentes, sem a presença de qualquer uma das espécies que habitam a área. A zona morta é responsável ainda pela dificuldade de recuperação de espécies sob proteção após um drástico processo de pesca excessiva, como por exemplo o bacalhau do Mar Báltico.

Antes um problema apenas de países mais industrializados, a proliferação das zonas mortas alcança agora os países em desenvolvimento, problema que é alimentado pela industrialização, pela mudança de hábitos alimentares e pelo crescimento populacional, que implica em um uso maior de fertilizantes e em mais lixo despejado nos cursos d'água. Além de todo o impacto negativo que causam, estas áreas são de difícil reversão. Estima-se que nos últimos 40 ou 50 anos tal atividade poluidora degradou a qualidade da água do mar de tal modo que o número das zonas mortas dobrou a cada dez anos, contando-se a partir de 1960.

O desafio posto por tal problema está em moderar a utilização de fertilizantes de tal modo que estes não acabem por poluir os litorais, ou então no desenvolvimento de fórmulas para fertilizantes que não causem tamanho impacto no meio ambiente. Por outro lado, com uma população em crescimento constante, o ser humano depende de um constante crescimento da oferta de alimentos. É necessário encontrar um meio termo para a solução de ambos os problemas, pois o alimento que os fertilizantes proporcionam apenas "deslocam" a fonte de alimentos do litoral para as lavouras, com o prejuízo de arruinar um ecossistema inteiro, talvez ambos.

Bibliografia:
VENKATAMARAN, Bina. "Zonas mortas" dos oceanos crescem em ritmo preocupante. Disponível em <http://www.agsolve.com.br/noticia.php?cod=1247>. Acesso em: 06 nov. 2011.

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