Agricultura de subsistência

Especialista em Geografia do Brasil (Faculdades Integradas de Jacarepaguá, RJ)
Mestre em Educação (Estácio de Sá, 2016)
Graduado em Geografia (Simonsen, 2010)

A agricultura de subsistência é aquela dos pequenos produtores voltados para a sua própria sobrevivência, seja por meio do consumo direto do que é produzido naquela propriedade ou pela troca de excedentes da produção (aqui que é produzido além da necessidade daquela família) por outros produtos não produzidos naquela terra.

Apesar de não haver um padrão único de agricultura de subsistência, ela utiliza pouca tecnologia (pois as tecnologias mais avançadas exigem recursos financeiros que os pequenos produtores não costumam dispor, além de nem sempre compensar o seu uso em áreas muito pequenas), portanto, muitas vezes possui uma produção muito baixa ou limitada por metro quadrado quando comparada com o poder de produção das grandes propriedades com tecnologia de ponta.

A agricultura de subsistência utiliza métodos pouco eficientes de produção. Foto: Therina Groenewald / Shutterstock.com

Porém, a agricultura de subsistência não consegue abastecer plenamente o mercado interno e principalmente o mercado externo devido as limitações na sua produção, mesmo com tão grande quantidade de pequenos agricultores voltados para a subsistência.

A agricultura de subsistência é o tipo mais comum de agricultura familiar. Também ela pode ocorrer com uso de técnicas da agricultura tradicional (como aquela dos povos originários, indígenas, quilombolas e comunidades ribeirinhas), ou mesmo adotando os manejos e princípios da agricultura biointensiva (desenvolvida inclusive pensando na agricultura de subsistência, pois ela busca produzir mais em menor espaço e tendo como princípio produzir tudo que for necessário para uma dieta saudável), ou mesmo uma agricultura de jardinagem ou outros modelos possíveis, inclusive híbridos.

Além de largamente difundida e de ser a que abriga a maior parte dos produtores rurais no Brasil, a agricultura de subsistência tem um papel importante na garantia da segurança alimentar da população brasileira, não só por garantir o sustento direto das famílias de agricultores, mas pela importância dos excedentes agrícolas dessas famílias que são trocados ou vendidos e ajudam a suprir as necessidades de outras famílias e da comunidade na qual elas estão envolvidas.

Embora ela nem sempre produza alimentos estritamente orgânicos, uma das críticas aos transgênicos é pelo efeito deles sobre os pequenos produtores. Especialmente no caso das chamadas sementes suicidas (Terminator), sementes modificadas geneticamente para não se reproduzirem, fazendo com que o produtor seja obrigado a recomprar sempre as sementes da empresa que a modificou geneticamente. Facilitando muito a quebra dos pequenos produtores diante de eventuais problemas na lavoura.

Apesar da agricultura ser apenas o cultivo de espécies vegetais para o consumo humano, muitas vezes, a agricultura de subsistência está associada com uma pequena pecuária de subsistência, que inclui criação de alguns animais para corte (porcos, frangos, bois) ou para a extração de derivados (leites e ovos). Alguns desses excedentes, como no caso dos ovos caipira de pequenas propriedades de subsistência, costumam ser valorizados no mercado e considerados por alguns como sendo menos cruéis com os animais.

Assim sendo, essa maior demanda associada com uma menor produção tende a gerar preços mais elevados do que os das grandes produções (certamente um ovo de granja comum será mais barato do que os chamados ovos caipira de quintal ou similares), embora certamente sofrendo com menos questionamentos bioéticos sobre a criação desses animais do que as críticas feitas contra a produção intensiva e de larga escala.

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Referência:

https://www.univates.br/bdu/bitstream/10737/1018/1/2015JuniorHagemann.pdf

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