Ideologias econômicas

Mestrado em Sociologia Política (UFSC, 2014)
Graduação em Ciências Sociais (UFSC, 2011)

Partimos da noção de que ideologias são ideias que se articulam para defender um interesse específico. São formas específicas de ver e explicar o mundo. Consequentemente, entendemos ideologias econômicas como formas de ver e explicar a economia a partir de um ponto de vista dotado de interesses. Existem infinitas formas de explicar a economia, logo, infinitos conjuntos de ideologias econômicas. Nos centraremos apenas naquelas que marcaram vigorosamente a história da modernidade: o liberalismo, o keynesianismo e o marxismo.

Liberalismo

O pensamento liberal foi importante para a consolidação do capitalismo e da modernidade, pois era a "filosofia" que melhor expressava os anseios da burguesia, combatendo o absolutismo e os interesses da aristocracia. Ele pregava a liberdade individual, a democracia representativa e o direito à propriedade privada. O liberalismo econômico se estrutura a partir do século XVII, durante a Revolução Industrial, e está centrado na ideia de que a economia, tal como a natureza, é regida por leis imutáveis. O mercado produziria um equilíbrio natural, cuja harmonia só é perturbada quando há intervenção de agentes externos - como o Estado. Nessa concepção, a atuação livre de indivíduos e corporações seria suficiente para produzir uma sociedade justa. Segundo o liberalismo clássico, o papel do Estado deveria se limitar a proteger a propriedade e garantir a livre-concorrência entre as empresas. Com o desenvolvimento do capitalismo, o surgimento de grandes monopólios e a concentração da propriedade, o liberalismo enfrenta em contradições. Entretanto, ele ainda é a ideologia econômica dominante, que mais influencia a forma como vemos a economia em seus princípios mais básicos. Quando se trata de explicar grandes crises econômicas, como a de 2008, os liberais tendem a responsabilizar o excesso de regulamentação pública sobre o mercado.

Keynesianismo

Formulado durante a Grande Depressão, que se estendeu da década de 30 até a Segunda Guerra Mundial, o pensamento keynesiano surge como um antídoto que prometia salvar o capitalismo de suas crises. Suas ideias se baseiam na adoção das políticas econômicas sugeridas por John Maynard Keynes para solucionar o desemprego e a estagnação econômica. Contrariando o liberalismo ortodoxo, Keynes propunha maior intervenção do Estado como agente regulador do mercado, que, por si só, era incapaz de produzir equilíbrio. Essas políticas foram adotadas durante a década de 1930 por Roosevelt nos Estados Unidos, gerando uma situação favorável de estabilidade e pleno emprego. O keynesianismo concebeu, nos países desenvolvidos, o que ficou conhecido como Estado de Bem-Estar Social, que provia um padrão básico de vida para a população através, por exemplo, da criação do salário mínimo e da garantia de serviços públicos básicos. Esse sistema mostrou seus limites a partir do final dos anos 1960, o que permitiu a fortalecimento de teorias liberais, que se reergueram no cenário mundial através do chamado neoliberalismo.

Marxismo

Por fim, o marxismo é uma corrente de pensamento que se estrutura a partir das ideias de Karl Marx e Friedrich Engels. Os principais fundamentos da sua interpretação a cerca da economia e das teorias econômicas se encontra na obra O Capital. Neste livro complexo Marx elabora a teoria da mais-valia, segundo a qual a exploração do trabalho humano consistiria a fonte de acumulação do capital. Isso é, no capitalismo, o lucro dos donos dos meios de produção seria resultado da expropriação do trabalho alheio. Essa forma de produção, permeada de contradições internas, tornaria o capitalismo um sistema extremamente instável, marcado por lapsos de crescimento seguidos de momentos de estagnação. Logo, a leitura que o marxismo faz das crises é que elas são inerentes ao capitalismo e devem se repetir incessantemente, até que esse sistema seja superado e dê lugar a uma nova forma de organização política e social. O marxismo foi essencial para desnaturalizar as teorias clássicas do liberalismo, declarando seu caráter ideológico na defesa do mercado e da empresas privadas.

Bibliografia:

SANDRONI, Paulo. (Org.) Novíssimo dicionário de economia. São Paulo: Ed. Best Seller, 1999