Revolução verde

Mestre em Ciências Humanas (PUC-RJ, 2016)
Graduado em Geografia (UFF, 2009)

A expressão “Revolução Verde” se refere a uma série de inovações tecnológicas no setor agropecuário. Essas inovações tinham como objetivo aumentar a produtividade da produção através da modificação genética de sementes, novas técnicas de fertilização dos solos, a utilização de produtos industrializados tais como os agrotóxicos e o intenso uso de máquinas, o que diminui, consideravelmente, o tempo gasto para a colheita. Essa expressão foi usada pela primeira vez durante uma conferência em Washington, por Willian Gown.

Apesar de o termo ter surgido apenas na década de 1950, os avanços técnicos em diversas áreas, e na agricultura, já eram observáveis logo após o fim da Segunda Guerra Mundial. Foram desenvolvidas diversas técnicas, aproveitando as pesquisas já realizadas, alguns países industrializados pretendiam aumentar a sua produção de alimentos.

Agricultura intensiva dispõe de grandes máquinas para auxiliar no cultivo. Foto: ChiccoDodiFC / Shutterstock.com

A Revolução Verde no Brasil

A modernização da agricultura foi propagada no Brasil desde a metade do século XX com o intuito de aumentar a produção e a produtividade de culturas de interesse internacional mediante a inserção de inovações tecnológicas. Este fato apenas foi possível no contexto de uma conjuntura política em que o Estado foi o condutor, por meio de investimentos em pesquisas científicas, com a criação de órgãos como a EMBRAPA, programas e créditos agrícolas.

De acordo com Graziano da Silva (1996), o termo “modernização da agricultura” é utilizado para designar a transformação na base técnica da produção agropecuária no pós-guerra, as modificações intensas da produção no campo e das relações capital x trabalho. Esse período é marcado pela dependência do mercado externo dos meios de produção. Assim, a consolidação efetiva da agricultura moderna ocorreu a partir de 1960, com a adoção das inovações tecnológicas no processo produtivo (inovações agronômicas, físico-químicas, biológicas) e com a constituição dos complexos agroindustriais, o que gerou uma nova configuração socioeconômica e espacial para o campo brasileiro (MATTOS & PESSÔA, 2011).

Essa guinada na produção agrícola no Brasil aconteceu durante a ditadura militar – entre as décadas de 1960 e 1970 – e permitiu que o país desenvolvesse tecnologia própria em universidades, centros de pesquisa, agências governamentais e instituições privadas. Com as inovações houve um surto de desenvolvimento agrícola na década de 1990, transformando o país em um dos recordistas de produtividade e de exportação.

Apesar dos índices recordistas, os brasileiros ainda enfrentam graves problemas sociais, entre eles desnutrição, fome e pobreza, deixando claro que o problema da fome no Brasil, e no mundo, não é por conta da produção de alimentos, mas sim por conta da distribuição ineficaz destes.

O Meio Ambiente e A Revolução Verde

Os avanços que vieram juntos com a Revolução Verde trouxeram inúmeros problemas para o meio ambiente. A utilização de novas técnicas de plantio e a possibilidade de utilização de solos antes tidos como inférteis, ampliaram as áreas cultiváveis e, como consequência direta deste fato, o desmatamento de áreas de mata, principalmente de áreas da Floresta Amazônica. Com o desmatamento para o cultivo, e o desequilíbrio ecológico resultante, veio também o surgimento de pragas e a utilização de agrotóxicos, fungicidas, entre outros produtos, que são altamente poluentes e trazem riscos à saúde.

Dessa forma, podemos dizer que as mudanças que foram proporcionadas pela Revolução Verde, contribuíram para a expulsão dos pequenos produtores de suas lavouras, contribuindo para o aumento do êxodo rural e, consequentemente, para o aumento da população em periferias de grandes capitais. Além disso, os avanços técnicos no campo favoreceram ainda mais os grandes agricultores, fazendo com que os pequenos agricultores não conseguissem se adaptar às novas técnicas e não atingissem a produtividade, dificultando a sua permanência no ramo, e aprofundando a concentração fundiária.

Referências:

GRAZIANO DA SILVA, J. A modernização dolorosa: estrutura agrária, fronteira agrícola e trabalhadores rurais no Brasil. Rio de Janeiro: Zahar, 1981.

______. Do complexo rural aos complexos agroindustriais. In: ____ A nova dinâmica da agricultura brasileira. Campinas: UNICAMP /IE, 1996. p.1-40.

MATOS, P. F. & PESSÔA, V. L. S. A Modernização da Agricultura no Brasil e os Novos Usos do Território. Revista Geo UERJ. Ano 13, nº. 22, v. 2, 2º semestre de 2011 p. 290-322. Disponível em: http://www.e-publicacoes.uerj.br/index.php/geouerj. Acesso em 01 de março de 2018.

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