Biologia evolutiva

Mestre em Ecologia e Evolução (Unifesp, 2015)
Graduada em Ciências Biológicas (Unifesp, 2013)

A biologia evolutiva é o ramo da biologia que se dedica ao estudo da evolução e de seus processos.

Theodosius Dobzhansky, um dos biólogos evolucionistas de mais destaque do século XX, afirmava que “nada na biologia faz sentido exceto à luz da evolução”, o que significa que a evolução é essencial para entendermos qualquer área da biologia em um sentido amplo. E não há qualquer exagero nessa colocação, já que os organismos podem ser modificados pela evolução em todos os seus níveis, desde as sequências de DNA até seu comportamento.

Isso faz da biologia evolutiva uma grande ciência que envolve pesquisadores de inúmeras disciplinas. Especialistas em diversos tipos de organismos (como mamíferos, insetos, plantas etc.) podem se dedicar a responder questões evolutivas utilizando tais organismos como modelos. As pesquisas em biologia evolutiva também são bastante diversas com relação à escala: você pode estudar a evolução num nível micro – através do estudo da genética de populações, por exemplo – ou macro – ao estudar o comportamento de animais em campo. Além disso, um dos exemplos mais famosos de seleção natural é a evolução da resistência a antibióticos em bactérias, o nos deixa claro que a evolução é importantíssima no âmbito da medicina.

Durante o século XVIII, surgiram as primeiras ideias de que os organismos mudavam à medida que os ambientes mudavam, contrariando a visão predominante de que as espécies eram fixas e imutáveis. No entanto, o primeiro a propor um mecanismo para a mudança dos organismos ao longo do tempo foi o biólogo francês Jean-Baptiste de Lamarck em 1809. Ao comparar espécies vivas com fósseis, Lamarck observou padrões em séries de fósseis que pareciam linhas de descendência que levavam a espécies atuais. Lamarck explicou sua observação com base em dois princípios: o uso e desuso e a herança de caracteres adquiridos. Basicamente, ele defendia que as partes do corpo de um organismo podiam mudar sua forma de acordo com seu uso e que essas mudanças podiam ser passadas à prole. Apesar de bem aceitos na época, estes mecanismos são hoje considerados incorretos.

Anos mais tarde, Darwin e Wallace chegaram a um mecanismo muito similar para explicar a evolução, que foi chamado por Darwin de seleção natural. Darwin detalhou melhor este mecanismo em seu livro A Origem das Espécies, mas não conseguiu explicar de que forma os organismos poderiam passar características herdáveis à prole, pois não tinha conhecimento sobre genética.  Quando as ideias de Mendel sobre hereditariedade foram unidas à teoria da seleção natural através da síntese moderna (ou neodarwinismo), foi dado início a uma nova era na biologia evolutiva. A partir daí a evolução passou a ser descrita matematicamente como a variação da frequência de genes nas populações ao longo do tempo.

Nas décadas seguintes, novas ideias foram sendo incorporadas à biologia evolutiva. É o caso da teoria neutra, proposta 1960, que defende a importância de eventos aleatórios na evolução, que pode ocorrer na ausência de seleção natural.  Hoje, muitos dos princípios da biologia evolutiva são aplicados ainda em diversos outros campos do conhecimento, como psicologia, sociologia, linguística e mesmo economia.

Referências:

Futuyma, D. J. . Evolução, Ciência e Sociedade. Sociedade Brasileira de Genética. 2002.

Reece, Jane B. et al. Biologia de Campbell. 10ª Edição. Porto Alegre: Artmed. 2015.

Ridley, Mark. Evolução. 3ª Edição. Porto Alegre: Artmed. 2006.

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