Procinéticos

Graduação em Farmácia e Bioquímica (Uninove, 2010)

Os agentes procinéticos são utilizados no manejo dos distúrbios motores do trato digestivo, em especial no refluxo gastroesofágico, na doença do refluxo gastroesofágico e na gastroparesia. Também são indicados para o tratamento de sintomas como a dispepsia, diminuição da motilidade gástrica, controle de náuseas e vômitos.

O refluxo gastroesofágico é a condição onde se verifica o retorno passivo do conteúdo gástrico para o esôfago, independente de sua causa (fisiológica ou patológica), acometendo crianças ou adultos.

Caso não haja associação da condição a doenças ou complicações, diz-se que o refluxo gastroesofágico é fisiológico. Contudo, frente a patologias, se estabelece a doença do refluxo gastroesofágico, sendo menos comum e de prognóstico considerável.

A gastroparesia é definida como uma disfunção na motilidade gástrica, onde o esvaziamento gástrico é comprometido. Como não se observa obstrução mecânica, pode ter como causa um dano em algum nervo que controla a musculatura do estômago.

Classes de fármacos

Os agentes procinéticos atuam de modo a facilitar a motilidade gastrintestinal, através do aumento do tônus da musculatura lisa do trato gastrointestinal (TGI), assim como do peristaltismo e da taxa de esvaziamento gástrico. Com isto, alguns desses fármacos possuem também ação antiemética.

O estímulo da motilidade do aparelho digestivo, ocorre através da ação direta sobre o músculo liso entérico ou através da interação com os neurônios do sistema nervoso entérico.

Benzamidas

São exemplos de fármacos pertencentes a esta classe, a metoclopramida e a bromoprida. Atuam no esôfago, estômago e intestino delgado proximal. São antagonistas dos receptores D2 da dopamina, bloqueando e tendo efeito procinético secundário. Como resultado, se observa o aumento da motilidade e esvaziamento gástrico. Também reduzem o relaxamento do estômago, aumentando as contrações do antro gástrico e a sensibilidade e resposta à ação da acetilcolina.

A metoclopramida deve ser utilizada com cuidado em crianças, pois a dose terapêutica é próxima à dose em que se observam os efeitos adversos, como a sonolência, irritabilidade e distonias.

A bromoprida é altamente indicada em indivíduos que apresentam alterações gástricas mais severas, pois age reduzindo as sensações desagradáveis, como as náuseas e a plenitude pós-prandial, que é a sensação desconfortável de persistência prolongada do alimento no estômago.

A cisaprida é um derivado da metoxibenzamida, considerado um agente serotoninérgico. Atua aumentando e coordenando a motilidade propulsora gastrintestinal, de modo a impedir a estase e o refluxo. Ao estimular os receptores 5-HT4 da serotonina, aumenta a liberação de acetilcolina no sistema nervoso entérico, resultando no aumento das contrações antrais, do peristaltismo e esvaziamento gástrico. Diferente dos outros fármacos aceleradores da motilidade, a cisaprida não possui propriedade antidopaminérgica ou estimulante dos receptores colinérgicos, de modo a não causar os efeitos adversos provocados por esses medicamentos.

Por regulamentação da ANVISA, medicamentos que contenham em sua fórmula a cisaprida têm a sua produção e venda proibidas no País, devido a relatos de Síndrome do QT longo, que pode resultar em arritmias e morte.

Benzimidazólicos

Pertence a este grupo a domperidona, um antagonista periférico do receptor D2 da dopamina. Tem aplicação no controle das regurgitações e vômitos.

Atuam promovendo o aumento da motilidade e esvaziamento gástrico, assim como as contrações antrais.

Motilina e análogos

O principal exemplo desta classe terapêutica é a eritromicina, um antibiótico macrolídeo com atividade procinética.

A motilina é um hormônio que atua estimulando a motilidade do trato gastrintestinal superior. Tem ação no antro gástrico e no duodeno.

O mecanismo de ação da eritromicina como um fármaco procinético ainda não está bem esclarecido, mas atua promovendo estímulos de esvaziamento e contração gástrica pós-prandiais.

Agonistas colinérgicos de ação direta

Ésteres da colina, como o betanecol. O betanecol é um colinomimético muscarínico, atuando de modo seletivo sobre os receptores colinérgicos presentes nas células efetoras autônomas do músculo liso da bexiga urinária e do trato gastrintestinal. Assim, estimula a motilidade gástrica e intestinal, aumentando a pressão no esfíncter esofágico inferior.

Efeitos adversos

Entre os mais comuns, estão a sedação, sensação de boca seca e cefaleia.

Bibliografia:

MAGALHÃES, P.V.S et al. Revisão sistemática e metanálise do uso de procinéticos no refluxo gastroesofágico e na doença do refluxo gastroesofágico em Pediatria. Rev Paul Pediatr 2009;27(3):236-42. Disponível em < http://www.scielo.br/pdf/rpp/v27n3/02.pdf>.

TOPOROVSKI, M.S. Drogas procinéticas não devem ser prescritas rotineiramente para o tratamento de doença do refluxo gastroesofágico em Pediatria. Rev Paul Pediatr 2009;27(3):232-5. Disponível em < http://www.scielo.br/pdf/rpp/v27n3/01.pdf>.

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