Friedrich Nietzsche

Doutorado em andamento em Filosofia (UERJ, 2018)
Mestre em Filosofia (UERJ, 2017)
Graduado em Filosofia (UERJ, 2015)

Friedrich Wilhelm Nietzsche (1844 – 1900) foi um filósofo e filólogo alemão. Desenvolveu uma forte crítica à cultura europeia, especialmente em relação a sua religião e moralidade e às ideias filosóficas tradicionais, que provocavam uma crise intelectual e cultural em todo o continente Europeu e que conduziam ao niilismo, pondo em risco, assim, a civilização europeia como um todo. Em seu pensamento, profundamente provocativo, produziu teorias a respeito da natureza do que em termos nietzschianos é chamado “tornar-se o que se é”, o que convencionou-se chamar de “eu” ou de “si mesmo” (em inglês, self), e propôs a superação dos antigos valores tradicionais em favor de novos valores para que a cultura e a vida social fossem renovados. Alguns de seus conceitos fundamentais são a morte de Deus, o Super-homem (Übermensch, em alemão), o eterno retorno do mesmo e a vontade de poder. Algumas de suas principais obras são O nascimento da tragédia, Além do bem e do mal, O Anticristo, A genealogia da moral e Assim falou Zaratustra.

Friedrich Nietzsche (1887). Foto: Everett Historical / Shutterstock.com

Vida e obra

Nasceu no dia 15 de Outubro de 1844, filho de um pastor luterano. Após a morte do pai, sua família mudou-se para Naumburg, na Saxônia, uma cidade maior e mais urbana. Lá, foi aceito em uma importante escola prussiana, onde recebeu uma refinada educação em humanidades, teologia e línguas clássicas.

Nietzsche ingressou na Universidade de Bonn em 1864. Tendo abandonado os estudos de teologia, preferiu dedicar-se a estudos mais humanísticos, passando a estudar línguas clássicas e projetando uma carreira na área de filologia, o que acabou com a esperança de sua mãe de que, assim como o pai, ele ingressasse na carreira pastoral. Foi durante seu período em Bonn que Nietzsche teve contato com a obra de Arthur Schopenhauer, que influenciou profundamente seu pensamento de juventude. No ano seguinte, mudou-se para a Universidade de Leipzig, onde dedicou-se a uma vida mais estudiosa, formando também uma sociedade extracurricular para o estudo de textos da antiguidade. Através dessa sociedade, Nietzsche escreveu um artigo que chamou a atenção de um dos seus principais professores, Friedrich Ritschl, que não somente publicou este artigo em seu periódico acadêmico e, posteriormente, reconhecendo o talento do jovem Nietzsche, o indicou para ser professor de língua e literatura grega na Universidade de Basiléia, na Suíça. Nietzsche tinha, então, 24 anos, sendo o mais jovem professor a assumir esta cadeira na universidade. Permaneceu como professor na Universidade até o ano de 1879, quando teve de afastar-se do cargo por problemas de saúde. Foi neste período que Nietzsche fez sua transição de carreira, da filologia para a filosofia.

Ainda na juventude e durante sua estada como professor na Universidade de Basiléia, Nietzsche conheceu e se aproximou, com bastante admiração, do compositor Richard Wagner. Nietzsche, então, acreditava que a música de Wagner conduziria a Alemanha a uma renovação cultural e espiritual. Diversas de suas obras publicadas durante a década de 1870 possuem reflexos de sua admiração por Wagner, dentre eles O nascimento da tragédia (1872) e um ensaio posterior, intitulado Wagner em Beyruth (1876). Mais tarde, já na década de 1880, Nietzsche viria a romper com Wagner por perceber que, na verdade, a obra de Wagner apenas sustentava os problemas fundamentais da Europa nos quais Nietzsche estava interessado. Esse Rompimento pode ser visto na obra O caso Wagner (1888).

A década de 1880 foi de intensa produção para Friedrich Nietzsche. Durante essa década publicou A genealogia da moral, O crepúsculo dos ídolos e O anticristo. No entanto, em 1889, Nietzsche sofre um colapso físico e psicológico. A partir deste colapso, tudo o que experimentou foi uma deterioração de suas faculdades físicas e psicológicas, vindo a falecer em 25 de Agosto de 1900.

Filosofia

A filosofia de Nietzsche fundamenta-se na crítica sobre os valores. Para ele, não existem valores absolutos, o que quer dizer que os valores são uma criação dos seres humanos para que possam viver e desenvolver-se melhor em sociedade. No entanto, tais valores começam a entrar em declínio conforme novas descobertas científicas e novas formas de pensamento são produzidas. Era o que acontecia no século XIX. Com o advento do Iluminismo, Nietzsche identifica um ataque à metafísica tradicional, quer dizer, o fundamento dos valores ocidentais havia sido abalado. É a esta constatação e com este sentido que Nietzsche afirma que Deus está morto. Deus, aqui, é tudo o que dá sentido aos valores ocidentais. A partir dessa constatação, o ser humano precisa reavivar seu caráter criativo a fim de produzir novos valores. Esta derrocada dos valores da modernidade é, em certa medida, relacionada por Nietzsche com o niilismo que assolava a Europa, de modo que o ser humano precisava dar uma resposta. O caminho para essa resposta é, para Nietzsche, o Super-homem (em alemão, Übermensch), que aponta para um tipo de ser humano detentor de “uma força e fertilidade inexauríveis para manter a fé no homem”, quer dizer, o Super-homem produz uma nova esperança para a humanidade.

Outra famosa doutrina do pensamento nietzscheano é a doutrina da vontade de poder, onde Nietzsche afirma que o mundo é regido por forças que estão em constante conflito, buscando expandir-se. Nesse jogo de forças, uma força expande-se quando outra perde sua força. Nesse sentido, o filósofo critica o esforço de algumas pessoas em tentar sustentar uma força que já entrou em declínio, que é o que acontece em relação a manutenção de valores que já perderam sua relevância cultural.

Apesar da relevância de todos esses conceitos, o próprio Nietzsche sugeria que a doutrina do eterno retorno do mesmo era seu mais importante pensamento. Sua compreensão, contudo, é obscura, tendo em vista que esse pensamento não foi devidamente desenvolvido durante sua vida. Alguns pensadores mais antigos sugeriam uma concepção cosmológica de repetição espaço-temporal, algo vinculado à ideia de destino. Outros, mais tardios, afirmam que o eterno retorno diz respeito a um pensamento prático, geralmente sendo entendido como um modo de encarar a vida e a realidade, de maneira a se viver como se cada instante fosse repetir-se infinitamente.

Referências:

AUDI, Robert. The Cambridge Dictionary of Philosophy. New York: Cambridge University Press, 1999.

BUNNIN, Nicholas; YU, Jiyuan. The Blackwell Dictionary of Western Philosophy. Oxford: Blackwell Publishing, 2004.

INTERNET ENCYCLOPEDIA OF PHILOSOPHY. Friedrich Nietzsche (1844 – 1900). Disponível em: https://www.iep.utm.edu/nietzsch/. Acesso em: 30 de jan. 2020.

STANFORD ENCYCLOPEDIA OF PHILOSOPHY. Friedrich Nietzsche. Disponível em: https://plato.stanford.edu/entries/nietzsche/. Acesso em: 30 de jan. 2020.

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