Fortaleza

Graduanda em Geografia (IFSP)
Graduada em Biologia (UNICSUL, 2018)

Publicado em 05/09/2022
Ouça este artigo:

Ceará, conhecida como a Capitania de “Siará”, abrangia área de Rio Grande, Ceará e Maranhão. A primeira tentativa de colonização aconteceu em 1603 por Pero Coelho de Sousa, se instalando às margens do rio Pirangi, onde foi construído o Forte de São Tiago. O mesmo forte foi destruído pelos povos indígenas da região forçando os portugueses a migrarem para o rio Jaguaribe, onde foi construído um novo forte, o Forte de São Lourenço. Ainda assim, a região era difícil de ser habitada pelos longos períodos de seca, caraterística marcante dessa região. Martim Soares Moreno, em 1612, é considerado o fundador do estado. Reconquistou e ampliou o Forte São Thiago e o rebatizou de Forte de São Sebastião. A partir daí teve início a colonização da capitania do Siará, ainda assim sofreu com as secas, tribos indígenas, piratas europeus e a invasão dos holandeses, que tomaram o Forte, recuperado pelos portugueses em 1654 e renomeado de Fortaleza de Nossa Senhora da Assunção, formando em seu entorno, a vila do Ceará, chamada de Vila do Forte ou Fortaleza.

Orla de Fortaleza. Foto Wikimedia Commons

Em 1726, a vila passou a ser a capital do Ceará, localizado na Região Nordeste, e em seu histórico a presença indígena sempre foi indesejada e ignorada, mas o indigenismo é um dos fundamentos da identidade dessa cidade. Hoje em dia é enxergada e valorizada pela população e o Estado fazendo parte da cultura dessa sociedade. Os Anacé, Gavião, Jenipapo, Kanindé, Kalabaça, Kariri, Pitaguary, Potyguara, Tabajara, Tapeba, Tremembé, Tupinambá, Tubiba e Tapuia são algumas das etnias que compõe o quadro social. Assim a cidade apresenta-se em sua multiplicidade de aspectos: social, econômico, político e cultural.

O clima da região é de Savana Tropical, com temperatura média mensal acima de 18°C em todos os meses do ano. Característica marcante dessa região é a seca, com o mês mais seco tendo precipitação inferior a 60mm. A Savana Tropical tem características de menos chuvas do que um clima tropical e ter estações de secas mais fortes também e um solo muito pobre, razão pela qual fez Fortaleza não participar da produção de açúcar. Esse clima é comumente encontrado na África, Ásia e América do Sul. A temperatura média é de 26.6°C, sendo a média mensal mais quente em dezembro, 27.3°C e a mais fria em julho, 25.6°C.

Fortaleza se tornou a cidade com maior Produto Interno Bruto do Nordeste, segundo o IBGE 2018, Fortaleza gerou R$67 bi de reais, superando Salvador que fica em segundo lugar e Recife em terceiro. No ranking nacional, Fortaleza está na nona posição. O início da economia do Ceará foi a pecuária, no séc. XVII, fornecendo carne e tração para economia açucareira, estabelecida na Zona da Mata. Porém Fortaleza ficou fora dessa lógica econômica, pois localizava-se longe dos principais sistemas hidrográficos cearenses. Somente com o declínio da pecuária, no fim do séc. XVIII, com a Seca Grande de 1790-1793, Capitania do Ceará tornou-se autônoma, e a partir daí, na cidade de Fortaleza construíram-se portos e a Capital pôde exportar algodão e ingressar na economia agroexportadora.

Fortaleza corresponde com as desigualdades sociais do Brasil. A Lei de Terras, de 1850, contribuiu para a concentração fundiária, que gerou a base das desigualdades de renda e riqueza vista até hoje em Fortaleza. Atualmente Fortaleza é dividia em 12 áreas administrativas, que agregam nos territórios bairros de condições socioeconômicas parecidas, facilitando a tomada de decisão pública. Ainda assim, com a industrialização na década de 1980, a cidade passou por um processo de crescimento demográfico e urbanização, mas ainda hoje, parte do território do município não conta com redes de esgoto e drenagem. Devido a esse crescimento urbano, muitas áreas da cidade se encontram como áreas de risco. Fortaleza faz parte das 10 maiores concentrações urbanas brasileiras. A economia de Fortaleza é baseada no comércio, turismo e na maior concentração de indústrias do Estado do Ceará, em grande parte, a produção é exportada.

Arquivado em: Brasil, Ceará