Grande Deserto Arenoso

Mestrado em Geografia (UFSC, 2015)
Graduação em Geografia (UFSC, 2012)

O Grande Deserto Arenoso (também conhecido como Grande Deserto de Areia) é um dos maiores da Austrália, país que possui cerca de 40% do seu território ocupado por desertos. Localizado ao norte da Austrália Ocidental, esse deserto se estende a noroeste até o Oceano Índico, numa vasta extensão territorial praticamente desabitada do sudoeste do planalto de Kimberley – é o único do país que chega ao litoral, formando a Eighty Mile Beach (Praia de Oitenta Milhas, em português). Esse deserto abrange uma área de aproximadamente 340.000 km² e possui um tipo de solo pedregoso e arenoso. As areias, como na maior parte dos desertos australianos, são de cor vermelho vivo, devido a um revestimento de óxidos de ferro em seus grãos.

Localização do Grande Deserto Arenoso. Mapa: Google Maps.

A precipitação é relativamente alta, com a maioria das chuvas caindo como temporais ocasionais. Na região, as médias de precipitação estão entre 250 e 300 milímetros anuais, e as temperaturas variam entre máximas de 42°C e mínimas de 25°C, sendo que durante o dia ficam entre 38°C e 42°C. O curto inverno é quente, com as médias de 25°C a 30°C. O calor intenso faz grande parte da umidade se perder por evaporação, ficando indisponível para as plantas. Há um tipo de relva afiada que é uma das poucas plantas capazes de sobreviver nesse ambiente. Seu nome é Spinifex, um gênero de plantas com flor pertencente à família das Poaceae. Na classificação taxonômica de Jussieu (1789), Spinifex é o nome de um gênero botânico, da ordem Gramineae, classe Monocotiledôneas, com estames hipogínicos.

Em termos de fauna, podemos destacar o bilby-maior, que é um marsupial altamente ameaçado de extinção. Ele cava uma toca de até três metros de comprimento e ali se abriga durante o dia, saindo a noite para se alimentar de sementes, frutos e insetos. Espécies que foram introduzidas na região são grandes responsáveis por essa ameaça. É o caso dos dingos, que foram introduzidos na Austrália há cerca de 3.500 anos, vindos do sudeste asiático. São considerados uma praga, pois atacam os animais de criação e, por isso têm sido excluídos de partes da Austrália com a construção de cercas. Ao lado de espécies introduzidas mais recentemente, como as raposas e gatos domésticos, os dingos são caçadores dos pequenos marsupiais nativos, como o bilby-maior. Outra ameaça exógena é o coelho europeu, que desalojou grande parte da fauna endêmica e destruiu a vegetação, ajudando a mudar permanentemente a paisagem de regiões áridas australianas.

Embora muitos sistemas de dunas do deserto sejam estáveis, alguns do Grande Deserto Arenoso são mutáveis, alterando suas formas constantemente. Essa zona de movimento de dunas ativa estabelece feições geológicas de muito interesse. Um momento de destaque desse processo foi registrado em foto pela tripulação de uma expedição espacial. Na imagem (disponível abaixo), é possível observar numerosas dunas lineares com aproximadamente 25 metros de altura, separadas de modo quase regular, com distâncias entre 0,5 e 1,5 quilômetros. As dunas são alinhadas de acordo com o vento que prevalece na região que as gerou, e que ali normalmente sopram de leste para oeste. As dunas aparecem vermelhas da areia subjacente onde a fina vegetação foi queimada e mais escuras onde a vegetação permanece.

Essa foto foi feita no dia 25 de março de 2013 pela tripulação da Expedição 35 da NASA, com uma câmera digital Nikon D3S usando uma lente de 400mm, e foi fornecida pelo experimento da ISS chamado ISS Crew Earth Observation e pelo Image Science & Analysis Laboratory, no Johnson Space Center.

Foto registrada do espaço, demonstrando as feições das dunas do Grande Deserto Arenoso. Foto: NASA.

Além do Grande Deserto Arenoso, temos outros desertos importantes na Austrália, como os de Tanami, de Simpson, de Gibson e o Grande Deserto de Vitória, que está entre os dez maiores do mundo.

Fontes:

LUHR, James F. Earth. Londres: Dorling Kindersley Limited, 2009.

NASA. Great Sandy Desert, Australia. Disponível em: <https://www.nasa.gov/multimedia/imagegallery/image_feature_2484.html>. Acesso em: 17/10/2019.

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