Migração de retorno

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Migração de retorno consiste no movimento de regresso de emigrantes para sua terra de origem. Este processo pode também ser chamado de repatriação. Este tipo de migração pode apresentar diversos fatores. Pode ocorrer uma frustração após a busca por uma vida melhor em outro território, ocasionando o retorno. Em outro aspecto, pode exemplificar uma melhoria de vida, dando ao migrantes a possibilidade de retornar ao seu território de origem com segurança de algum dinheiro poupado ou ascensão profissional.

Em outras palavras, migração de regresso é o deslocamento de um grupo de pessoas na direção de sua região de origem, após o movimento migratório. Este fenômeno aconteceu no Brasil, quando muitos trabalhadores do Nordeste foram para São Paulo em busca de emprego. Porém, entre 2000 e 2010, com o aquecimento da economia, cerca de 60% dos nordestinos da Região Metropolitana de São Paulo deixaram a região como migrantes de retorno.

Em outro exemplo, cidadãos de países orientais migram para países do Ocidente com o sonho de uma vida diferente. Porém, ao notarem dificuldades de adaptação, geralmente retornam aos seus países, configurando, assim, um processo de migração de regresso.

O conceito de migração de regresso está atrelado à emigração, que ocorre com a movimentação de pessoas de uma nação para outra por razões econômicas, políticas ou pessoais. Não se deve confundir emigração com deportação, pois esta é obrigatória e ocorre a partir de razões de Estado. A emigração é voluntária e ocorre geralmente quando o indivíduo busca uma qualidade de vida material melhor do que a encontrada em sua terra natal.

Processos de migração de regresso podem ser observados em diversos períodos da História e geralmente estão ligados a expansões de países além de suas fronteiras. O retorno dos cidadãos na direção de sua pátria histórica ocorreu, por exemplo, quando as nações colonizadas pela França na África conquistaram sua independência. Isso fez com que os franceses alocados naqueles territórios retornassem ao seu país de origem.

O Japão passou pelo mesmo processo quando mais de quatro milhões de japoneses retornaram de regiões antes ocupadas por meio da política expansionista e bélica do país. Isso ocorreu por que cidadãos de origem japonesa tiveram de abandonar países como a Coreia e a China após perderem o domínio territorial destas nações.

Além destes fatores históricos, a migração de retorno coloca-se dentro de um panorama amplo relacionado aos fluxos de migração. Por terem passado a infância e criado raízes em suas terras de origem, o retorno é um sentimento que acaba por fazer parte do migrante, sendo algo intrínseco a estes indivíduos. Assim, mesmo após passar anos em um território externo, a nostalgia, ou seja, o sentimento do retorno acaba por se tornar parte dele, mesmo que não ocorra um regresso real à terra natal.

Migração de retorno no Brasil

Os anos 1980 foram para as migrações do Brasil uma época de transformações de grande importância, principalmente em relação aos fluxos tradicionais de redistribuição da população em seu espaço geográfico. Ocorreu uma redução de fluxos de migrantes na direção do Sudeste, observando-se desta forma um intenso movimento de migração de retorno, representando desenvolvimento da economia brasileiro naquele momento, impulsionada pelo investimento em empresas estatais. Assim, migrantes puderam ser reinseridos em seus centros urbanos.

A migração de retorno é uma das principais mudanças dentro das migrações brasileiras a partir da década de 1980. Regiões como o Nordeste, que forneciam mão-de-obra, recuperaram parte de seus emigrantes. Minas Gerais também era um Estado que costumava fornecer trabalhadores migrantes para outras regiões do Sudeste. Porém, entre 1980 e 2000 houve aumento na proporção de mineiros residentes em Minas Gerais e uma diminuição de pessoas naturais de Minas residentes em no Rio de Janeiro e São Paulo. Da mesma forma, ocorreu um aumento entre cidadãos naturais de São Paulo e Rio de Janeiro em Minas Gerais. Isso está diretamente relacionado à migração de retorno dos naturais mineiros ao local de nascimento.

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Fontes:

https://memoria.ebc.com.br/2012/10/ibge-migracao-de-retorno-do-nordeste-para-o-sudeste-perde-forca

https://publications.iom.int/system/files/pdf/regresso.pdf

https://www.scielo.br/scielo.php?pid=S1980-85852013000200003&script=sci_arttext

https://migrationdataportal.org/themes/return-migration#

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