Invasão japonesa da União Soviética

Mestre em História (UDESC, 2015)
Pós-graduada em Direitos Humanos (Universidade de Coimbra, 2012)
Graduada em História (UDESC, 2010)

Nos anos 1938 e 1939, União Soviética e Japão se enfrentaram em uma série de conflitos na fronteira entre a Manchúria, ocupada pelo Japão, e a Mongólia, controlada pela União Soviética. O que estava em jogo era o domínio dos recursos naturais da Manchúria, região rica, entre outros, em ferro, carvão e sal.

Também a região do porto de Vladivostok foi alvo de disputas. Tal cidade estava localizada no litoral do oceano Pacífico e seu domínio influenciaria na questão que, então, era central: qual seria a potência dominante no nordeste asiático? A tensa relação entre as duas potências remonta à Guerra Russo-Japonesa, ocorrida no início do século XX entre o Império Japonês e o Império Russo, que disputavam territórios na Coreia e na Manchúria. Em 1917 teve início o processo revolucionário que derrubou o czar (imperador) Nicolau II, dando início a uma guerra civil entre o Exército Vermelho, bolchevique, e o Exército Branco, que reunia, entre outras tendências, monarquistas e liberais. O Japão enviou, em 1919, 70.000 homens para combater ao lado dos mencheviques (Exército Branco). Diante da vitória bolchevique, ao se retirar do território soviético, as tropas japonesas tentaram anexar a Sibéria, reforçando a animosidade entre os dois países.

Na década de 1930, o Japão se aproximava cada vez mais do fascismo e a União Soviética, sob o comando de Stalin fortalecia seu poderio industrial e militar. Já em 1931 houve o primeiro conflito: o exército japonês, chamado Exército de Guangdong, ocupou território Manchú, levando à disputa entre os dois países.

Em julho de 1938, com o Incidente Changfukeng (ou Batalha do Lago Khasan, para os soviéticos) teve início uma nova série de conflitos. O chamado incidente foi um ataque japonês a tropas soviéticas na região de Vladivostok, resultando em mais de 4.000 vítimas. Após um cessar-fogo, os japoneses se retiraram. Em maio do ano seguinte, no entanto, o verdadeiro teste de poder bélico veio quando uma cavalaria da região russa da Mongólia adentrou território disputado e foi expulsa pelo exército manchú organizado pelos japoneses. O exército japonês (Kwantung) enviou sua 23ª Divisão de Infantaria com o intuito de espantar o inimigo. Um comandante soviético, Georgy Zhukov, foi o responsável pela derrota japonesa, deixando aproximadamente 17.000 japoneses e 10.000 soviéticos mortos.

Um pacto de neutralidade foi assinado entre as duas potências em 13 de abril de 1941, estabelecendo que nenhuma delas se envolveria em conflitos contra a outra por um período de cinco anos. O acordo reconhecia ainda a integridade da Mongólia e de Manchukuo, a qual os dois países se comprometeram em respeitar.

Referências:
http://nationalinterest.org/feature/the-almost-war-1938-1939-russia-japans-nearly-forgotten-13956
http://www.onthisday.com/asia/japan_economic_expansion.php