Guerra Guaranítica

Graduada em História (UFRJ, 2016)

A chamada Guerra Guaranítica foi mais um dos conflitos que ocorreram no Brasil entre os portugueses e indígenas por conta de diversos fatores, como a dominação e a escravização que os europeus impunham aos nativos. A Guerra Guaranítica, em específico, foi uma guerra que envolveu não só os portugueses e os indígenas, mas também os espanhóis. Iniciou-se no século XVIII, logo após a assinatura do chamado Tratado de Madri no ano de 1750 e para entender esse tratado e a guerra em si, é necessário compreender todo o contexto pelo qual o Brasil estava vivendo no seu período colonial.

O território do Brasil e suas fronteiras, no período colonial, estavam em constante mudança por conta das bandeiras pelo interior do território colonial e por conta de disputas de fronteiras com outro império, a Espanha. No século XVII, os portugueses acabaram fundando no território onde hoje é o atual Uruguai, a cidade de Nova Colônia do Santíssimo Sacramento. Com essa fundação, a Coroa Portuguesa pretendia ampliar seu domínio pelo território do rio da Prata que era uma região extremamente lucrativa. Mas os espanhóis possuíam terras na região desse rio e acabaram entrando em conflito com os portugueses por conta do domínio das cidades em torno do Rio da Prata. A cidade de Nova Colônia do Santíssimo Sacramento acabou sendo invadida pelos espanhóis.

Durante essa disputa, os portugueses e espanhóis realizaram diversos acordos para por um fim nesses conflitos. Desta maneira, foi acordado e assinado um tratado, o chamado Tratado de Madri, no dia 13 de janeiro de 1750. Nesse tratado foi estabelecida a entrega da região dos Sete Povos das Missões (também conhecido como também conhecida como Missões Orientais), no atual estado do Rio Grande do Sul, controlada por jesuítas espanhóis, a Portugal e alguns territórios da região da Amazônia. Já para os espanhóis, ficou estabelecido que a cidade de Sacramento seria deles. Ainda de acordo com o tratado, os missionários espanhóis e os indígenas que lá viviam deveriam deixar Sete Povos das Missões na direção da cidade de Santíssimo Sacramento, no atual Uruguai. Os nativos se recusaram a saírem de seu território. Os índios temiam que o predomínio da colonização ibérica pudesse lançá-los à sorte dos bandeirantes ou “encomenderos” que faziam uso da mão de obra escrava das populações indígenas. Os padres jesuítas espanhóis que viviam na região também não gostaram desse acordo, pois eles controlavam grandes fazendas na região. Assim, para defender as suas terras e seus interesses, os padres jesuítas forneceram armas para os indígenas para que eles enfrentassem o interesse dos colonizadores. Lembrando que o poder dos jesuítas nas regiões que faziam a catequização dos índios era muito grande, assim como a forte influência sobre estes nativos. No ano de 1754 que se iniciaram os conflitos e eles duraram até 1760. Os conflitos foram muito sangrentos, sendo que mais de trinta mil indígenas foram mortos ou escravizados pelas tropas ibéricas que tentaram dar fim ao levante. Para tentar resolver o conflito, Portugal e Espanha assinaram outros acordos, entre eles o de 1777, o Tratado de Santo Idelfonso que anulou o Tratado de Madri, devolvendo a região de Sete Povos das Missões para os espanhóis. Algum tempo depois, os espanhóis resolveram abrir mão do controle sobre as missões. Uma consequência terrível também foi a destruição dos Sete Povos das Missões em 1756.

Referências Bibliográficas:

REINKE, André Daniel. A Guerra Guaranítica (1754 – 1756). Disponível em: https://voltempramim.files.wordpress.com/2012/10/guerra-guaranitica.pdf Acesso em: 23/09/2017.

SEVERAL, Rejane da Silveira. A Guerra Guaranítica: Um Estudo de Caso. Disponível em: http://basessibi.c3sl.ufpr.br/brapci/index.php/article/download/19534 Acesso em: 23/09/2017.

_________________________. Jesuítas e Guaranis Face aos Impérios Coloniais Ibéricos no Rio da Prata. Revista de História Regional, 1998, p. 117-134. Disponível em: http://www.igtf.rs.gov.br/wp-content/uploads/2012/05/Jesu%C3%ADtas-e-Guaranis-face-aos-imp%C3%A9rios-ib%C3%A9ricos.pdf Acesso em: 23/09/2017.

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