Marcha para o oeste

Graduada em História (UVA-RJ, 2014)

Durante o Estado Novo (1937-1945), Getúlio Vargas empreendeu a chamada Marcha para o oeste em 1938, diante da situação deixada pelo governo da República Velha, em que a economia e a população estavam concentradas nas regiões litorâneas do Sul e Sudeste. Sendo assim, as regiões do Centro-Oeste e Norte não integravam o Brasil, faziam parte do interior inabitável com pouquíssima população. Getúlio Vargas em discurso mencionou que a Marcha era “o verdadeiro sentido de brasilidade”.

Vargas solicitou que instituições fornecessem dados para amparar sua missão de integrar o Brasil, entre elas o Conselho Nacional de Geografia; o Conselho Nacional de Cartografia; o Conselho Nacional de Estatística e o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Tais entidades possuíram cunho geográfico, com a função de contabilizar aspectos, informações e dados dessas áreas, para que o projeto de Vargas fosse bem sucedido.

O cenário que predominava as regiões do Centro-Oeste e Norte eram a falta de estradas viáveis e rios navegáveis, e muito índios que antes da colonização estavam em áreas litorâneas, na busca de sobrevivência se deslocaram para o interior do Brasil. Então, o Estado retomou a figura do bandeirante — homens que desbravaram o interior do Brasil nos primeiros anos da colonização portuguesa. Porém, os homens liderados por Vargas seriam responsáveis por levar a urbanização para o Oeste.

No Paraná, por exemplo, após o início da sua colonização foi fundada a Companhia de Terras Norte do Paraná que realizou a colonização em regiões do Oeste entre 1920-1930. As terras do Paraná foram colonizadas principalmente por imigrantes refugiados da Primeira e Segunda Guerra Mundial. Outro exemplo significativo foi o estado de Goiás, pela sua centralização geográfica no meio do país era uma área de grande relevância. Em 1941, foi fundada a primeira colônia agrícola no país, na cidade de Ceres, a Colônia Agrícola Nacional de Goiás (CANG).

Na década de 1940, as instâncias de poderes políticos federal, estadual e municipal estavam unidos pela ditadura varguista. Dentro dessas governos o objetivo era estabelecer projetos urbanísticos para cidades, assim regiões do Centro-Oeste, Norte e Sudeste foram beneficiadas.

A proposta principal da Marcha para o Oeste era criar um rede de contato com as regiões recentemente “colonizadas”, com as regiões litorâneas. Transformar as regiões do Oeste e Norte em regiões primordialmente agrícolas era fundamental para ampliar o abastecimento de alimentos nas regiões litorâneas, e também realizar a exportação de produtos produzidos nas regiões. Por esse motivo, uma das principais ações da marcha era a construção de malhas rodoviárias.

Inicialmente a marcha tinha a proposta de começar a urbanização pelo Oeste e depois para o Norte, a primeira foi feita, porém a última região não teve êxito. Ao fim, o projeto ficou centralizado somente no Oeste, não adentrando outras regiões. Por fim da marcha de Getúlio Vargas obteve sucesso com o seu programa; nas regiões ocorreu aumento populacional, crescimento da malha ferroviária e na produção agrícola.

Referências bibliográficas:

FGV CPDOC. A conquista do Oeste. Disponível em: <http://cpdoc.fgv.br/producao/dossies/JK/artigos/Brasilia/ConquistaOeste>.

LINHARES, Maria Yedda (ORG.). História Geral do Brasil. Rio de Janeiro: Elsevier, 2000.

SKIDMORE, Thomas E. Brasil : De Getúlio Vargas a Castelo Branco. São Paulo: CIA das Letras, 2010.