Revolta de Jacareacanga

Mestrado em História (UFJF, 2013)
Graduação em História (UFJF, 2010)

A Revolta de Jacareacanga aconteceu no primeiro mês de Juscelino Kubitscheck e representou um pequeno ensaio de um golpe militar.

O governo de Juscelino Kubitscheck foi marcado por vários problemas logo no começo do mandato. Quando eleito, mas antes mesmo de tomar posse do cargo, militares insatisfeitos com a vitória eleitoral de Juscelino tentaram impedir a posse do candidato. Os revoltosos requeriam uma nova eleição para o cargo de Presidente do Brasil alegando que a eleição de Juscelino não seria adequada para o Brasil. Entretanto foi outro militar, o general Henrique Lott, que, como Ministro da Guerra, empenhou seus esforços para sufocar a revolta e garantir a legalidade do governo de Juscelino, conferindo sua legítima posse.

Após assumir a presidência, a situação não mudou muito para Juscelino Kubitscheck. Ainda no primeiro mês do mandato, o Presidente do Brasil enfrentou uma nova revolta de militares insatisfeitos com o candidato eleito para governar o país. Militares da Aeronáutica se organizaram em um levante contra o governo, eram liderados pelo major Haroldo Veloso e o capitão José Chaves Limeirão.

A Revolta de Jacareacanga teve início com a partida dos militares do Campo de Afonsos, no Rio de Janeiro, no dia 11 de fevereiro, quando tomaram um avião militar e se guiaram para a base militar de Jacareacanga, localizada no Pará.

Os militares se instalaram na base paraense e lá estabeleceram um quartel-general para o movimento. Passados dez dias do levante, os militares conseguiram dominar algumas cidades próximas ao local de onde se concentrava a rebelião, eram elas: Santarém, Itaituba, Aragarças e Belterra. Além dos militares, o movimento passou a contar com o apoio das populações da região. Um oficial da Aeronáutica, o major Paulo Victor da Silva, foi enviado ao local da revolta para combater os manifestantes, porém acabou se convertendo em favor do movimento.

Após a primeira tentativa mal sucedida de combater os manifestantes, com a adesão de Paulo Victor da Silva ao movimento, o governo ainda teve mais dificuldades para abafar a revolta. O pequeno golpe que se organizava no Pará contava com poucos militares, na maioria oficiais, e os combatentes defensores do governo se recusavam a reprimir aqueles que tinham sido seus companheiros, fazendo a situação se arrastar por mais tempo.

A Revolta de Jacareacanga só chegou ao fim no dia 29 de fevereiro de 1956, quando as Tropas Legalistas diluíram o movimento. Os responsáveis pela revolta que se apresentava como pequeno golpe militar tiveram destinos diferentes. O líder Haroldo Veloso foi preso, mas outros militares conseguiram fugir e se exilaram na Bolívia, só retornaram ao Brasil com a Lei da Anistia, a qual garantiu o retorno de tais indivíduos sem nenhuma punição.

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