Abolição da escravidão pela Inglaterra

Graduada em História (Udesc, 2010)
Mestre em História (Udesc, 2013)

O século XIX viveu uma ebulição em torno da questão da escravidão. A Revolução Industrial iniciada na segunda metade do século XVIII na Inglaterra já passava a modificar os parâmetros sociais e econômicos e, por isso, a abolição da escravidão – tanto pela Inglaterra como pelas demais nações do mundo – está diretamente relacionada ao processo de industrialização.

Mesmo antes da data oficial do fim da escravidão na Inglaterra já havia um movimento bastante representativo pela Europa e pelos Estados Unidos, que em nome do humanitarismo e da fraternidade cristã – especialmente protestante – e dos princípios da vida moderna, ganharam força e voz e saíram em defesa do fim da escravidão.

O movimento abolicionista se fortaleceu entre os iluministas franceses e entre os intelectuais ingleses e norte-americanos, que tinham como principal lema de luta a ideia de liberdade, propagada após a Revolução Francesa (1789) e a Independência dos Estados Unidos (1776).

Mesmo a Inglaterra tendo sido uma das nações com maior atuação no comércio de escravos entre os séculos XVII e XVIII, no século seguinte a coroa britânica passa a encabeçar a campanha abolicionista e requerer primeiramente o fim do tráfico atlântico e, posteriormente, o fim da escravidão.

Para conclusão de seu projeto de industrialização a modificação das relações de trabalho e de mercado consumidor eram essenciais. Assim, dava-se maior importância à ampliação de mercados e da produtividade. O trabalho escravo e o monopólio – práticas comuns da exploração colonial – pareciam ultrapassados ao novo modelo, fomentado a partir da industrialização.

Neste novo modelo econômico era mais interessante e lucrativo manter os africanos na África, incentivando uma produção de matérias primas baratas. Além disso, o fim da escravidão fazia desses homens e mulheres um mercado consumidor de produtos industrializados em potencial.

É notável a preocupação britânica com as demais nações e suas colônias ao redor do mundo. A abolição da escravidão por lá se deu em 1833, tendo sido sancionada no parlamento e estabelecida em todo o Império, entretanto, já em 1807 o Parlamento aprovou o Abolition Act, que proibia o tráfico de escravos na Inglaterra.

Mesmo com essas medidas era necessário garantir um mercado consumidor e, por isso, durante todo o século XIX os ingleses irão pressionar recentes nações e países cujas colônias ainda mantinham – e dependiam do – o trabalho escravo.

Portugal é uma das nações que foi pressionada pelos ingleses. Em 1810 o Tratado de Aliança e Amizade entre Portugal e Inglaterra é assinado e já previa a abolição gradual. Em 1826 a Inglaterra impõe ao governo brasileiro – já independente desde 1822 – o compromisso de abolir o tráfico de escravos em três anos. Por conta disso é aprovada em 1831 a Lei Feijó que, em tese, proibia o tráfico atlântico e libertava os escravizados chegados ao Brasil após a data. Ficou conhecida como lei para inglês ver pois só surtiu efeitos no papel, enquanto na prática o tráfico continuava acontecendo e só teve seu fim com a Lei Eusébio de Queirós em 1850.

Em 1845 o Slave Trade Supression Act, ou Lei Bill Aberdeen, como ficou conhecido o ato no Brasil, proibiu o tráfico atlântico entre América e África. Este ato foi mais uma das formas de pressão que a coroa britânica fez, ocasionando, no Brasil, na Lei Eusébio de Queirós.

A política antiescravista inglesa foi imposta em diversos lugares. A partir de 1808 o governo britânico vigiou e agiu sobre a costa ocidental africana, patrulhando as negociações do comércio de escravos. Além disso, por via de leis e campanhas diplomáticas, tentavam negociar o fim do tráfico e da escravidão por parte das nações que ainda estavam envolvidas com o comércio de escravos.

Bibliografia:

http://www.revistadehistoria.com.br/secao/capa/cronologia-da-abolicao-da-escravatura

http://objdigital.bn.br/acervo_digital/div_iconografia/icon1104317/icon1104317.pdf

MACEDO, José Rivair. História da África. São Paulo: Contexto, 2013.