Academia Imperial de Belas Artes

Graduada em História (Udesc, 2010)
Mestre em História (Udesc, 2013)
Doutora em História (USP, 2018)

Quando se tem a formação de uma nação é necessário construir não apenas o seu território, seu projeto político, seus lemas e símbolos, mas também é preciso construí-la no imaginário. Para isso são mobilizadas arte e história, que auxiliam na formulação da imagem de uma nação. Com o Brasil não seria diferente. No início do século XIX, logo após a vinda da família real para o território ainda pertencente a Portugal em 1808, um rol de modernizações e transformações foram feitas, especialmente no Rio de Janeiro, para abrigar a Corte. Assim, em 1816 foi inaugurada o que se tornaria, num futuro próximo, a Academia Imperial de Belas Artes: a Escola Real de Ciências, Artes e Ofícios. Essa escola abrigou diversos artistas franceses que atuavam como professores e comporiam o que hoje conhecemos como missão artística francesa. O nome mais famoso do grupo e responsável pelas mais conhecidas imagens do império que temos até hoje foi Jean-Baptiste Debret, que com suas pinturas retratou o cotidiano da corte.

Somente em 1826, já no Brasil independente, é que a escola se transformou em Academia Imperial de Belas Artes e, a partir de 1831, passou a se dedicar somente às artes, especialmente nas áreas de pintura histórica, paisagem, arquitetura e escultura. A década de 1830 foi marcada pela instabilidade: após a abdicação de D. Pedro I e seu retorno a Portugal, deixando em seu lugar um imperador ainda criança e por isso impossibilitado de reger a nação, o país passou pelo período regencial, em que foi governado a partir da regência una e regência trina até a ascensão de D. Pedro II que só se deu com o golpe da maioridade, no início da década de 1840. Esta, por sua vez, diferente da década anterior, fora marcada pelo início da estabilidade e pela construção da popularidade da figura de D. Pedro II. Foi durante este período de estabilidade que houve um considerável investimento nas instituições de arte e de educação, como era o caso da Academia Imperial de Belas Artes.

A Academia passou a oferecer cursos voltados para arquitetura, escultura, pintura, música, mas também diversificou suas atividades, abrindo turmas no período noturno voltadas para o ensino mais técnico, tendo em vista que o público-alvo destes cursos era formado por pessoas de origem humilde que trabalhavam no período diurno. Assim, passou-se a investir em cursos mais práticos, que ensinassem atividades manuais. Já nos cursos diurnos o foco continuava voltado para as artes e a proposta era investir em um projeto de transformação da imagem do país a partir das suas representações artísticas. Desta forma D. Pedro II foi um dos grandes entusiastas e investidores da Academia Imperial de Belas Artes. Foi lá que foram produzidas diversas obras que hoje figuram nos livros didáticos de história e que são parte da história da arte brasileira: em sua maioria representam ou o monarca ou os eventos que construíram a nação.

Os dois principais nomes das pinturas históricas da Academia Imperial de Belas Artes foram Victor Meirelles e Pedro Américo. O primeiro, catarinense de nascimento, começou a ter aulas na Academia em 1847, ainda jovem. Ele foi o responsável por retratar em pintura A Primeira Missa no Brasil, a Batalha de Guararapes e o Combate Naval do Riachuelo, eventos significativos na formação da história da nação. Sua representação em pintura construiu uma imagem potente dos eventos por ele imaginados. Já Pedro Américo, paraibano de nascimento, foi admitido na Academia em 1854, também muito jovem. Ele foi o responsável por retratar A Batalha do Avaí, e O Grito do Ipiranga. Além deles muitos outros artistas compuseram os quadros discentes e docentes da Academia Imperial de Belas Artes, instituição importante do Império brasileiro e responsável pela construção simbólica e imagética da nação. Com o fim do império e a proclamação da república tudo aquilo que lembrasse a monarquia passou a ser substituído: nomes de ruas, praças, heróis. Assim, em 1890, a Academia passou a se chamar Escola Nacional de Belas Artes.

Referência:

GABLER, Louise. Academia Imperial de Belas Artes. In: Dicionário Período Imperial. Arquivo Nacional: Memória da Administração Pública Brasileira. Disponível em: http://mapa.an.gov.br/index.php/menu-de-categorias-2/243-academia-imperial-de-belas-artes

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