Crise no Império Romano

Graduada em História (Udesc, 2010)
Mestre em História (Udesc, 2013)
Doutora em História (USP, 2018)

O Império Romano viveu um período de prosperidade durante dois séculos: período da Pax Romana e da Idade do Ouro. Mas, a prosperidade deu lugar a uma forte crise, com guerras civis constantes e duradouras. A manutenção de um Império vasto, composto de aproximadamente cinquenta províncias, tornou-se difícil e onerosa. A expansão romana construiu um importante Império mas, as fronteiras cada vez mais distantes da capital e a dificuldade de manter o território em segurança fizeram Roma entrar em uma crise que levou ao fim do Império Romano como o conhecemos até aqui. Por conta disso, as expedições de conquista de novos territórios diminuíram, diminuindo assim o número de escravos conquistados e, consequentemente, gerando problemas na economia e na vida política e social. Foi neste período de crises, guerras e de baixas perspectivas que o cristianismo se consolidou no Império Romano.

Para manter um império com muitas e distantes terras era preciso contar com funcionários de administração pública em toda a região, com soldados para a proteção das fronteiras e para atuar em rebeliões nas províncias, e com a construção e manutenção de estradas, que levavam funcionários e soldados até as províncias e a arrecadação de impostos até Roma. A ameaça de invasões de povos bárbaros – aqueles que não viviam dentro das fronteiras do Império nem falavam latim ou grego – era constante e movia esforços (físicos, mas principalmente financeiros) por parte do Império.

Com as suas fronteiras sendo ameaçadas com frequência, os romanos entraram em disputa com diversos povos bárbaros, especialmente os povos germânicos, do norte da Europa, como os francos, os vândalos e os anglo-saxões. Essas guerras eram onerosas para o Império e muito dinheiro se gastava para promover a defesa do território, o que gerou um aumento na arrecadação de impostos e tributos, fazendo com que a população romana que vivia nas cidades, e principalmente em Roma, migrasse para o interior nas províncias mais longínquas na tentativa de burlar a cobrança de impostos.

Migraram não só as camadas populares, mas também membros da elite romana, que ao se estabelecer nas províncias concentrava terras, deixando a população pobre em desvantagem. No cenário de aumento de impostos e tomada de terras pelas elites houve reação dos homens do campo que se revoltaram contra o Império. Este respondeu com repressão aos movimentos, o que gerou muitos gastos para o próprio Império Romano, levando a um período de agravada crise econômica. Foi neste momento que surgiu o colonato, uma forma de relação de trabalho entre camponeses e grandes proprietários de terras. De um lado os camponeses plantavam e colhiam e devolviam ao proprietário da terra parte da sua colheita, como forma de pagamento pelo uso da terra. De outro os donos de terra garantiam certa proteção às famílias de trabalhadores. Essa relação gerava dependência dos camponeses com os proprietários de terras, já que não podiam ter bens em seus nomes, não conseguindo, portanto, prosperar e ascender socialmente.

Em um cenário de crise econômica e de manutenção do território o exército ganhava certo protagonismo. A relação entre o exército e o Império passou por um período conturbado. Vários foram os imperadores assassinados por membros do exército no século III a.C. Para resolver os problemas e promover a estabilidade do Império novamente, Diocleciano propôs a divisão do território em quatro partes, uma tetrarquia. A medida não gerou efeito positivo pois os comandantes de cada uma das quatro regiões disputavam o poder levando o império à crise novamente. Somente no século IV que a questão da divisão do Império foi resolvida.

A Crise do Terceiro Século, como ficou conhecida, marcou o início dos acontecimentos que demarcaram o fim da Antiguidade e começo da Idade Média.

Referência:

FUNARI, Pedro Paulo. Grécia e Roma. São Paulo: Contexto, 2002.

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