Diocleciano

Graduada em História (Udesc, 2010)
Mestre em História (Udesc, 2013)
Doutora em História (USP, 2018)

Diocleciano foi um Imperador romano que comandou o império em um período de profunda crise, propondo uma reorganização do sistema imperial. Suas medidas são bastante conhecidas, mas não foram eficientes para conter a crise pela qual passava o Império Romano, governado por ele entre os anos de 284 d.C. e 305 d.C.

Imperador Diocleciano. Foto: Alecconnell / via Wikimedia Commons / CC-BY-SA 3.0

Diocleciano fez uma importante carreira militar, e tornou-se imperador quando estava comandando uma escola do próprio império. Na ocasião Caro, que seria o próximo imperador, fora assassinado por suas tropas. Caro havia deixado seu sucesso, Numeriano, mas também acabou morto, por forças pretorianas, mostrando a importância e o poder políticos que tinham os membros da guarda pretoriana. Ao descobrir o assassinato Diocleciano foi escolhido para chefiar o exército romano. As mortes e assassinatos eram bastante corriqueiras à época. Após o imbróglio com a morte de Caro, outras mortes de homens destinados a ocupar o posto de imperadores ocorreram. Assim, foi neste contexto que Diocleciano foi sagrado Imperador Romano.

Durante seu governo propôs diversas mudanças, com a finalidade de controlar o Império. Foi durante o século III que Roma passou por uma significativa crise que abalou as estruturas políticas e sociais do Império Romano. Por isso, Diocleciano parecia ter a intenção de restabelecer a ordem e resolver os problemas que assolavam o Império. A manutenção de um império com um território tão vasto como o romano – o maior império do mundo antigo – gerou despesas consideráveis para a máquina do estado. Para resolver a questão Diocleciano optou por estabelecer um novo regime de governo, chamado de dominato. Esse regime caracterizava-se por ser despótico, monárquico e bastante militarizado. Neste novo sistema a figura do imperador era fundamental, e a construção de uma imagem positivada, de força e coesão, passou a fazer parte da política imperial. É desta época a ideia de se adornar o imperador para que seus súditos o reconheçam e o respeitem pelos símbolos que ele carrega.

Mas o dominato não foi a única transformação proposta por Diocleciano. Dentre as suas propostas de governo mais conhecidas está a tetrarquia, ou seja, a divisão do Império Romano em quatro partes, cada uma delas dirigida por um líder político. Essa proposta foi levada a cabo por Diocleciano, que acreditava ser fundamental promover um controle próximo às fronteiras. Cabe lembrar que neste período as invasões eram constantes e ameaçavam a unidade do Império Romano. Além disso, o envio de tropas às regiões longínquas custava caro. Controlar as revoltas e rebeliões em diferentes regiões também não era uma tarefa fácil, muito menos sem custos. Por isso Diocleciano propôs que o Império Romano fosse, primeiramente, dividido em duas partes: a parte oriental e a parte ocidental. Para dividir o poder com ele foi nomeado também imperador, só que da parte ocidental, Maximiano. Como as invasões e rebeliões continuaram a ocorrer, Diocleciano propôs que se criassem mais dois novos postos de poder no Império, com líderes hierarquicamente abaixo não só dele como também de Maximiano.

O novo modelo de Diocleciano não surtiu os efeitos esperados e não conseguiu solucionar os problemas. Além disso, os líderes de cada uma das regiões passaram a disputar o poder central, que nunca deixou de estar concentrado nas mãos de Diocleciano, o que foi um dos fatores que levou a uma nova crise interna. Diocleciano manteve-se no poder 305 d.C., quando abdicou de seu posto de imperador.

Referência:

GIBBON, Edward. Declínio e Queda do Império Romano. São Paulo: Companhia das Letras, 2005.