Dominato

Graduada em História (Udesc, 2010)
Mestre em História (Udesc, 2013)
Doutora em História (USP, 2018)

Publicado em 16/12/2018

Chama-se dominato o regime de governo iniciado pelo imperador Diocleciano, em Roma, quando governou o Império entre 284 e 305. Caracterizava-se como um regime monárquico, marcado pelo despotismo e por forte militarização. Foi neste período que os imperadores passaram a ornar-se com símbolos, como coroas e mantos, que demonstravam a sua posição absoluta frente ao restante da população, que deveria demonstrar respeito e subserviência ao imperador, que encarnava não só o Estado como também um deus. A relação íntima entre o Imperador e as expressões religiosas é uma das principais características do dominato. Não só Diocleciano, como outros imperadores que o sucederam, governaram em formato de dominato. Essa forma de governo durou até o ano de 476 e foi inspirada nos modelos orientais. A partir disso, os imperadores passavam a ser vistos de outra forma por seus súditos.

Imperador Diocleciano. Foto: Alecconnell / via Wikimedia Commons / CC-BY-SA 3.0

Os estudiosos sobre o Império Romano afirmam que foi neste período que novos elementos entraram em jogo, como a importância da construção deliberada de uma imagem sobre o imperador, que passou a ficar mais reservado, menos acessível e carregar símbolos de seu poder. O elemento da vaidade entrava na vida política e o imperador deveria ser venerado pela população. Foi um regime de ostentação constante da imagem positivada do imperador.

No contexto de ascensão do dominato como forma de governar, o Império passava por uma grave crise: a manutenção e o controle de um Império com vasto território, conquistado durante a expansão, custava caro. Além disso, as forças do império focaram-se na defesa do território, que sofria com invasões dos povos bárbaros, não conseguindo conquistar novos povos, e por isso não conquistando novos escravos. Essas condições geraram problemas sérios não só na vida econômica como também na política e na sociedade como um todo. Diocleciano buscou alternativas para tentar salvar o Império Romano da crise do terceiro século. O regime do dominato movimentou a máquina pública, pois um complexo estado foi formado, necessitando de funcionários específicos para cada função e executando diferentes tarefas. A burocracia de estado passou a ser mais segura, mas também mais onerosa, pois aumentou significativamente o número de funcionários do Estado.

Foi neste contexto, sob o dominato, que surgiu a proposta de reorganizar a administração a partir de uma tetrarquia, ou seja, na divisão do império entre quatro líderes, para que a presença do estado chegasse com mais facilidade às terras do Império, mantendo seu território e sua unidade. A proposta de Diocleciano era manter a ordem o máximo possível. A tetrarquia, embora dividisse o poder e estivesse presente em quatro pontos estratégicos do território, custou bastante caro para o Império, gerando um aumento significativo na arrecadação de impostos. Tudo isso porque foi preciso formar uma corte em cada uma das novas partes administrativas do Império.

Durante o regime de dominato o Império Romano, que já vivia uma consistente crise, ocorreu um aprofundamento do declínio de Roma, que foi à queda pouco depois.

Referência:

GIBBON, Edward. Declínio e Queda do Império Romano. São Paulo: Companhia das Letras, 2005.

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