Guerra russo-georgiana

Licenciatura em História (IFG, 2022)

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A guerra russo-georgiana foi um breve conflito militar ocorrido durante alguns dias do mês de agosto de 2008, entre o exército da Geórgia e as tropas separatistas da região georgiana de Ossétia auxiliadas pelo exército russo. O conflito foi marcado pela singularidade do uso de ataques cibernéticos por parte do governo russo.

A guerra relâmpago, dado a sua brevidade, iniciou-se antes do conflito direto entre Geórgia e Rússia, no primeiro dia de agosto de 2008, em uma região geográfica localizada no sul da Europa Oriental chamada de Cáucaso (vizinha à Rússia). O conflito começou após um incidente entre as tropas armadas integrantes de um grupo separatistas da antiga região georgiana de Ossétia, e militares da Geórgia.

O exército georgiano que se encontrava na região logo aproveitou-se do ocorrido para resolver antigos impasses com a região separatista, e reavendo ao seu território.

Um conflito entre tropas georgianas e ossetas iniciou-se nas fronteiras com a Ossétia e se expandiu até os dias 7 e 8 de agosto, quando o exército da Geórgia, em uma ofensiva de grandes proporções, retomou o controle da Ossétia do Sul ocupando sua capital Tskhinval. Esse movimento foi criticado pela Rússia, como uma agressão militar contra o país que se pretendia independente.

Em resposta, a Rússia enviou seu exército para a região, adentrando no conflito e conseguindo sobrepujar, em apenas cinco dias, o exército Georgiano. Logo, uma outra região separatista, chamada Abecásia, se envolveu no confronto, ao lado dos russos.

O que tornou o conflito singular, foi a inovadora utilização de ataques cibernéticos por parte dos russos, para bloquear os canais de comunicação do país, o desestabilizando durante o combate. Virgílio Caixeta e Michel Gomes apontam que cinquenta e quatro sítios oficiais do governo georgiano ficaram inoperantes ou fora do ar.

A paz só foi reestabelecida de fato após a intervenção do presidente da França, que na época era Nicolas Sarkosy, que estimulou a assinatura de um tratado de paz entre os dois países.

Após a assinatura do acordo, a Rússia concordou em retirar as suas tropas da Geórgia, porém, continuou a defender a autonomia de duas regiões separatistas que já pertenceram a Geórgia: Ossétia do Sul e Abecásia, (Abkházia) - que correspondiam a 20% do território georgiano. O governo georgiano por sua vez, rompeu ligações diplomáticas com a Rússia.

Em agosto de 2018, anos após o conflito, o presidente da Geórgia (na época Guiorgui Margvelachvili) prestou uma homenagem aos soldados mortos na guerra contra a Rússia, depositando uma coroa de flores.

Antecedentes do conflito

Torna-se complicado entender as razões desse conflito de 2008, sem retroagir no tempo, para compreender o que o antecedeu.

A Geórgia era, até 1991, parte integrante do império soviético, que caiu e se fragmentou nesse ano, gerando países novos como o a Rússia, o maior da região e a Geórgia (e dentro do território georgiano, se encontravam as regiões de Ossétia do Sul e Abecásia). Mas, os dois pequenos territórios contestaram o desejo das autoridades georgianas, de pertencerem a sua nação, quando começaram por conta própria um processo de separação e de independência em 1992 – se desligando da Geórgia.

As populações das regiões seccionadas, russófilas, se identificavam mais com o governo de Moscou. Aproximações entre ambas regiões e a Rússia começaram a acontecer. O que foi elevando as tensões locais entre o governo georgiano, que desejava o retorno das duas regiões separatistas, os separatistas e o governo russo.

Em resposta, a Geórgia acenou positivamente para a possibilidade de ingressar na aliança militar da OTAN, comandada pelos Estados Unidos, o que desagradou a Rússia. O acirramento das tensões na região acabou culminando no conflito de 2008.

A situação permanece não resolvida, e tanto a Geórgia, quanto os Estados Unidos e alguns países da Europa como a França, criticam a presença militar russa nas duas regiões, denunciando a presença de interesses velados por parte do governo russo.

Fontes:

CAIXETA ARRAES, V.; GOMES NOGUEIRA, M. Guerra Russo-Georgiana (2008): a inovação tecnológica em campo. Meridiano 47 – Journal of Global Studies, (S. I.), v. 21, 2020. DOI: 10. 20889/ M47e21001. Disponível em: < https://periodicos.unb.br/index.php/MED/article/view/29160 > (Acessado dia 15/12/2022).

PRESSE, France. Geórgia relembra 10 anos da “guerra relâmpago” contra Rússia. G1. 08/08/2018. Disponível em: https://g1.globo.com/mundo/noticia/2018/08/08/georgia-relembra-10-anos-da-guerra-relampago-contra-russia.ghtml ( Acessado dia: 15/12/2022).