Ao longo de sua história, o Brasil se envolveu em diversos conflitos armados contra outros países. A maior parte deles ocorreu no século XIX, na região do Rio da Prata, quando o Império disputava influência com a Argentina sobre o Uruguai e o Paraguai. No século XX, o país participou das duas guerras mundiais ao lado dos Aliados e, mais recentemente, passou a atuar principalmente em missões de paz da Organização das Nações Unidas (ONU).
Este texto apresenta as principais guerras de que o Brasil já participou contra outros Estados, em ordem cronológica. Revoltas e conflitos internos, como a Guerra dos Farrapos, a Guerra de Canudos e a Guerra do Contestado, também foram numerosos, mas são tratados à parte, no final.

Independência ou Morte (1888), de Pedro Américo, representa a proclamação de 7 de setembro de 1822. Imagem: Pedro Américo, domínio público
Conteúdo deste artigo
- Guerra da Independência (1821–1824)
- As guerras da região platina no Império
- Guerra da Cisplatina (1825–1828)
- Guerra do Prata (1851–1852)
- Guerra do Uruguai (1864–1865)
- Guerra do Paraguai (1864–1870)
- Questão do Acre (1899–1903)
- Primeira Guerra Mundial (1917–1918)
- Segunda Guerra Mundial (1942–1945)
- Guerra da Lagosta (1961–1963)
- Missões de paz da ONU
- Conflitos internos
- Fontes
Guerra da Independência (1821–1824)
A separação de Portugal não aconteceu apenas com a proclamação de 7 de setembro de 1822. Entre 1821 e 1824, houve combates terrestres e navais em províncias onde as tropas portuguesas eram fortes ou onde as elites locais se mantinham ligadas a Lisboa, como Bahia, Grão-Pará, Maranhão, Piauí e Cisplatina. A campanha naval foi decisiva para isolar as guarnições portuguesas e garantir ao novo Estado o controle da costa.
Muitos historiadores descrevem esse conflito como uma espécie de guerra civil luso-brasileira, porque portugueses e brasileiros lutaram dos dois lados. A vitória militar brasileira veio em 1824, mas Portugal só reconheceu a independência em 1825, com o Tratado de Amizade e Aliança, mediado pelo Reino Unido e acompanhado de compensações financeiras. Saiba mais em Independência do Brasil.
As guerras da região platina no Império
No século XIX, o Império do Brasil travou quatro guerras internacionais na região do Rio da Prata, conjunto que a historiografia chama de Questão do Prata ou questões platinas. Estavam em jogo a navegação dos rios da bacia platina, as fronteiras do sul e a influência sobre os países vizinhos.
Guerra da Cisplatina (1825–1828)
A Guerra da Cisplatina opôs o Império do Brasil às Províncias Unidas do Rio da Prata (atual Argentina) pela posse da Província Cisplatina, que correspondia em grande parte ao atual Uruguai. A região havia sido incorporada ao Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves em 1821 e continuou brasileira após a independência. Em 1825, um grupo de rebeldes conhecido como os Trinta e Três Orientais proclamou a separação da província e sua união às Províncias Unidas.
A guerra terminou num impasse: o Brasil controlava as principais cidades e o mar, enquanto as forças rio-platenses dominavam o interior e venciam batalhas em campo aberto. A mediação britânica levou à Convenção Preliminar de Paz de 1828, que criou um país independente, o Estado Oriental do Uruguai. O custo e a impopularidade da guerra contribuíram para o desgaste do governo de D. Pedro I.
Guerra do Prata (1851–1852)
Também chamada de Guerra contra Oribe e Rosas, a Guerra do Prata foi travada entre agosto de 1851 e fevereiro de 1852. De um lado estava a Confederação Argentina, governada por Juan Manuel de Rosas; do outro, uma aliança formada pelo Império do Brasil, pelo Uruguai e pelas províncias argentinas rebeldes de Entre Ríos e Corrientes. Rosas pretendia trazer o Uruguai e o Paraguai para a esfera de influência argentina, o que contrariava os interesses brasileiros.
A vitória aliada na Batalha de Monte Caseros, em 1852, derrubou Rosas e consolidou a hegemonia brasileira na região do Prata por alguns anos.
Guerra do Uruguai (1864–1865)
Na Guerra do Uruguai, travada entre agosto de 1864 e fevereiro de 1865, o Brasil interveio na guerra civil uruguaia ao lado do Partido Colorado, contra o governo do Partido Blanco, presidido por Atanasio Aguirre. A intervenção terminou com a queda de Aguirre, aliado do ditador paraguaio Francisco Solano López, e foi o estopim do maior conflito da história sul-americana.
Guerra do Paraguai (1864–1870)
A Guerra do Paraguai, chamada na Argentina e no Uruguai de Guerra da Tríplice Aliança, foi o maior conflito armado internacional da América Latina. Em novembro de 1864, o Paraguai aprisionou em Assunção o vapor brasileiro Marquês de Olinda e, semanas depois, suas tropas invadiram a província de Mato Grosso. Em maio de 1865, Brasil, Argentina e Uruguai assinaram o tratado da Tríplice Aliança.
Entre as batalhas mais conhecidas estão a Batalha Naval do Riachuelo (11 de junho de 1865), em que a esquadra comandada pelo almirante Barroso destruiu boa parte da marinha paraguaia, e as batalhas de Tuiuti, Curupaiti e Humaitá. O comando das tropas brasileiras coube, em diferentes momentos, ao Duque de Caxias e ao Conde d’Eu. Os aliados tomaram Assunção em janeiro de 1869, e a guerra só terminou em março de 1870, com a morte de Solano López em Cerro Corá.
O Império enviou cerca de 150 mil homens ao conflito, dos quais em torno de 50 mil não voltaram. Para o Paraguai, o resultado foi devastador: as perdas humanas, somando combates, epidemias e fome, são estimadas em até 300 mil pessoas, e o país perdeu parte do território que estava em disputa.

Batalha Naval do Riachuelo, de Victor Meirelles, retrata o combate de 11 de junho de 1865 na Guerra do Paraguai. Imagem: Victor Meirelles, domínio público
Questão do Acre (1899–1903)
No fim do século XIX, a valorização da borracha levou dezenas de milhares de brasileiros, sobretudo nordestinos, a se instalarem no Acre, região que pertencia à Bolívia desde o Tratado de Ayacucho (1867). Seguiram-se conflitos entre seringueiros brasileiros e autoridades bolivianas, conhecidos como Revolução Acreana, nos quais se destacou Plácido de Castro. O governo boliviano chegou a enviar tropas comandadas pelo próprio presidente, José Manuel Pando.
Antes de um confronto maior, a diplomacia do Barão do Rio Branco resolveu a questão. Pelo Tratado de Petrópolis (1903), a Bolívia cedeu o Acre ao Brasil em troca de terras em Mato Grosso, de 2 milhões de libras esterlinas e da construção da ferrovia Madeira-Mamoré.
Primeira Guerra Mundial (1917–1918)
O Brasil se manteve neutro no início da Primeira Guerra Mundial. A situação mudou quando submarinos alemães passaram a torpedear navios mercantes brasileiros: em abril de 1917, o vapor Paraná foi atacado perto da França, e o país rompeu relações com a Alemanha. Depois do torpedeamento do navio Macau na costa da Espanha, o Congresso aprovou e o presidente Venceslau Brás sancionou, em 26 de outubro de 1917, o decreto que reconhecia o estado de guerra com o Império Alemão. O senador Rui Barbosa teve papel importante na defesa da entrada do país no conflito.
A principal contribuição militar foi a Divisão Naval em Operações de Guerra (DNOG), uma pequena esquadra encarregada de patrulhar o Atlântico contra submarinos. Durante uma escala em Dacar, na África, a gripe espanhola matou centenas de marinheiros, e a força só chegou a Gibraltar em 10 de novembro de 1918, um dia antes do armistício. O Brasil também enviou uma missão médica e aviadores à Europa e figurou entre os vencedores.
Segunda Guerra Mundial (1942–1945)
Na Segunda Guerra Mundial, o Brasil de Getúlio Vargas declarou guerra ao Eixo em 1942, depois que ataques de submarinos a navios mercantes brasileiros deixaram centenas de mortos e desaparecidos. A Marinha e a Força Aérea atuaram na proteção dos comboios no Atlântico, e o Exército organizou a Força Expedicionária Brasileira (FEB), cujo símbolo era a “cobra fumando”.
A partir de julho de 1944, mais de 25 mil brasileiros foram enviados à Itália, sob o comando do general Mascarenhas de Morais, e integrados ao IV Corpo do Exército dos Estados Unidos. A FEB foi a única força de combate de um país sul-americano a lutar no exterior durante a guerra. Sua vitória mais lembrada foi a tomada de Monte Castelo, em 21 de fevereiro de 1945, depois de várias tentativas frustradas. Seguiram-se a conquista de Montese, em abril, e a rendição da 148ª Divisão alemã em Fornovo di Taro. Morreram em combate 478 pracinhas da FEB, sepultados inicialmente no cemitério de Pistoia e depois transferidos para o Monumento Nacional aos Mortos da Segunda Guerra Mundial, no Rio de Janeiro. O 1º Grupo de Aviação de Caça da FAB também combateu na Itália.
Guerra da Lagosta (1961–1963)
Apesar do nome, a chamada Guerra da Lagosta não teve combates. Foi um conflito diplomático entre Brasil e França provocado pela pesca de lagostas por barcos franceses na plataforma continental do Nordeste brasileiro. Os dois países chegaram a deslocar navios de guerra para a região, mas o confronto direto foi evitado por negociações.
Missões de paz da ONU
Desde meados do século XX, a presença militar brasileira no exterior ocorre principalmente em operações de paz. O Brasil participou, por exemplo, da intervenção na República Dominicana em 1965, ao lado dos Estados Unidos e de outros países americanos. A maior dessas operações foi a Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti (MINUSTAH), entre 2004 e 2017. O Brasil comandou o componente militar da missão durante todo o período, e mais de 36 mil militares brasileiros passaram pelo Haiti em sistema de rodízio. As tropas também atuaram na reconstrução do país depois do terremoto de janeiro de 2010.
Conflitos internos
Além das guerras contra outros países, o território brasileiro foi palco de muitas revoltas e guerras internas, desde o período colonial. Entre as mais conhecidas estão as invasões holandesas no Nordeste (1624–1654), a Guerra dos Palmares, a Guerra dos Emboabas, a Cabanagem, a Balaiada, a Sabinada e a Guerra dos Farrapos, do período regencial (veja revoltas do período regencial), além da Guerra de Canudos (1896–1897), da Guerra do Contestado (1912–1916) e da Revolução Constitucionalista de 1932.
Fontes
- Exército Brasileiro – Fundação Osório. A FEB – Força Expedicionária Brasileira.
- Ministério da Defesa. Celebração dos 77 anos da vitória do Brasil na tomada de Monte Castello.
- Ministério da Defesa. Histórico da participação brasileira em missões da ONU.
- Nações Unidas no Brasil. Brasil encerra atividade militar no Haiti.
- Agência Senado. Senador foi crucial para entrada do Brasil na Primeira Guerra Mundial.
- Agência Senado. Os 160 anos da Guerra do Paraguai.
- Superinteressante. Homens ao mar.
- UOL Educação. Guerra do Paraguai: Tríplice Aliança entre Argentina, Brasil e Uruguai.
- Wikipédia. Lista de conflitos envolvendo o Brasil; Guerra da Independência do Brasil; Guerra da Cisplatina; Guerra do Prata; Guerra do Uruguai; Guerra do Paraguai; Revolução Acriana; Força Expedicionária Brasileira; Guerra da Lagosta.
Texto originalmente publicado em https://www.infoescola.com/historia/guerras-que-o-brasil-ja-participou/