Segundo Triunvirato de Roma

Graduada em História (Udesc, 2010)
Mestre em História (Udesc, 2013)
Doutora em História (USP, 2018)

A formação de alianças por líderes políticos é um fenômeno comum. No entanto, em Roma, as alianças que dividiam o poder em três representantes marcaram embates políticos significativos. O Primeiro Triunvirato Romano foi formado por Júlio César, Pompeu e Crasso. Mas este não tinha nenhum tipo de legitimidade e atuava de maneira informal. Num contexto de constantes guerras internas houve um evidente fortalecimento do exército romano. Foi também neste período que o exército se profissionalizou, ou seja, passou a contar com funcionários remunerados para combater rebeliões e revoltas. Assim, formaram-se tropas, lideradas por generais que detinham poder e prestígio frente aos novos soldados. Havia também certa troca entre generais e soldados, pois os primeiros eram os responsáveis por distribuir as terras entre os soldados, entre outras benfeitorias. Isso significa que os generais concentravam muito poder sobre os soldados. Foi o caso de Júlio César, um dos mais importantes líderes da Roma Antiga, e responsável por significativa conquista e expansão do território romano. Ele também soube avaliar a situação política à época compondo a primeira aliança. O poder entre eles foi disputado, especialmente entre César e Pompeu, após a morte de Crasso. Júlio César saiu vencedor da batalha e tornou-se ditador. No entanto, foi morto em 44 a.C. Por conta deste fato formou-se um segundo triunvirato.

Membros do Segundo Triunvirato Romano (esq. p/ dir.): Marco Antônio, Otávio e Lépido.

O Segundo Triunvirato de Roma foi uma aliança formada entre três líderes: Otávio – herdeiro de Júlio César, Emílio Lépido e Marco Antônio. A nova aliança foi reconhecida oficialmente pelo senado romano em 43 a.C. e tinha como principal foco combater os responsáveis pelo assassinato de Júlio César, especialmente Brutus. A frase “Até tu, Brutus?” teria sido dita por Júlio César no momento de sua morte, causada por um ataque feito por um grupo de senadores, incluindo Brutus, protegido de César. Ao reconhecer seu parceiro, o ditador romano teria proferido a frase que ficou mundialmente conhecida e até hoje relacionada a atos de traição. Brutus foi o principal alvo, e o motivo da existência do Segundo Triunvirato, formado por seguidores de César.

O compartilhamento de certo poder gerou disputas no interior da aliança formada por Otávio, Lépido e Marco Antônio, após cinco anos unidos pela aliança do Triunvirato, foram reeleitos. O primeiro a tentar tomar o poder para si, enfraquecendo a aliança, foi Lépido mas sua tentativa fracassou. Ele acabou exilado e enfraquecido politicamente. Depois disso Otávio e Marco Antônio passaram a disputar o poder.

O conflito entre os dois líderes era evidente e acabou em um conflito aberto no mar grego. O combate entre os dois ficou conhecido como Batalha de Actium. As duas frotas eram bastante preparadas. Marco Antônio contou com o apoio de Cleópatra e as tropas do Egito lutaram em seu favor, enquanto Otávio contava com Marcos Agripa, um importante general, que comandou suas tropas. Otávio saiu vencedor da batalha, marcando o fim do Segundo Triunvirato Romano. Após perder o conflito no mar grego Marco Antônio e Cleópatra fugiram para o Egito. Ambos cometeram suicídio. A vitória da Batalha de Actium deu início ao Império Romano, tendo Otávio, nomeado Augusto, seu primeiro Imperador, em 27 a.C. O período que se seguiu foi marcado pela Pax Romana, um período de relativa paz e prosperidade no território romano, inicialmente sob a liderança de Otávio, mas que prosseguiu após sua morte, durando até 180 d.C.

Referência:

FUNARI, Pedro Paulo. Grécia e Roma. São Paulo: Contexto, 2002.

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