Rômulo e Remo

Graduada em História (Udesc, 2010)
Mestre em História (Udesc, 2013)
Doutora em História (USP, 2018)

A história de Roma, e especialmente sua fundação, foi marcada por mitos e lendas. A principal delas conta a história de dois irmãos gêmeos, Rômulo e Remo, e a sua participação na fundação de Roma em 753 a.C. Essa história foi narrada de diversas formas, e é contada desde a antiguidade. O principal autor, que se destacou por organizar uma história da fundação de Roma, foi Tito Lívio, um historiador romano nascido em 59 a.C. e que viveu até 17 d.C, escreveu a obra Desde a fundação da cidade, muitos séculos depois da sua fundação efetiva.

Conta-se que Roma foi fundada por Rômulo, e que por causa dele leva em seu nome uma homenagem. Rômulo era irmão gêmeo de Remo, e ambos teriam sido abandonados em um cesto, que foi jogado no Rio Tibre. No entanto, os ventos que atuaram no rio empurraram o cesto para as margens. Assim, foram encontrados por uma loba, de nome Luperca, que os amamentou e garantiu a sobrevivência dos irmãos. Depois, foram encontrados por um pastor que tratou de leva-los para sua aldeia, onde foram criados e cresceram.

Estátua de Rômulo, Remo e a loba, em frente à Catedral de Siena, Itália. Foto: Benedictus / Shutterstock.com

Mas, então, qual foi o motivo do abandono dos gêmeos no Rio Tibre? Conta-se que eles eram descendentes do troiano Eneias, que em peregrinação após a destruição de Tróia, teria chegado ao Lácio, na Península Itálica, onde ao chegar recebeu do rei latino local a mão de Lavínia, gerando descontentamento de Turno. Eneias torna-se uma importante força local e seus descendentes teriam direito ao seu trono.

Rômulo e Remo seriam filhos do deus Marte com Reia Sílvia, filha de Numitor, o rei de Alba Longa, descendente de Eneias. Reia Sílvia fora transformada por Amúlio, que destronou o irmão Numitor e ascendeu ao poder, em vestal, uma sacerdotisa virgem, para que não pudesse gerar filhos. Porém, Réia Sílvia engravidou, gerando os irmãos.

Foi Amúlio que ordenou que os gêmeos fossem deixados no Rio Tibre. Quando Amúlio descobriu que os irmãos tinham sobrevivido, capturou Remo. Porém, os irmãos conseguiram não só se livrar do poder de Amúlio como também o derrotar e devolver o trono a Numitor. Deixaram Numitor com o trono de Alba Longa e voltaram para o local onde foram criados, para fundar uma nova cidade.

Como eram gêmeos os parâmetros para se decidir quem seria o Rei da nova cidade eram confusos e, após tentativas de estabelecer o reinado, Rômulo acabou matando Remo, fundando Roma e instaurando uma monarquia.

A história da lenda parece fantasiosa, no entanto, como se sabe, muito do que se conhece da antiguidade se dá por meio de seus mitos. Embora muitos relatos pareçam guardar poucas semelhanças com a realidade, eles servem para cruzar dados, por exemplo, com os achados arqueológicos. Um exemplo é o uso da loba para contar a história da sobrevivência dos gêmeos. Estudiosos destacam que essa pode ter sido uma saída narrativa para chamar as prostitutas, que na Roma Antiga eram chamadas de lupa (ou loba).

Assim, entende-se que é preciso compreender o contexto de produção das lendas e analisar as verossimilhanças possíveis com a história de Roma antiga, compreendendo que estes mitos serviam para promover tradições, fincar marcos e narrar os acontecimentos marcantes daquelas sociedades. É preciso também levar em consideração que tais narrativas sobreviveram não só a partir dos relatos orais, como também dos escritos produzidos séculos depois.

Referência:

PISNKY, Jaime. 100 textos de História Antiga. São Paulo: Contexto, 2015.

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