Simulídeos

Conhecidos como piuns na região norte do Brasil e borrachudos no resto do nosso país, estes insetos fazem parte da família Simuliidae, ordem Diptera, subordem Nematocera. São cosmopolitas e diminutos, medindo de 1 a 5 mm de comprimento. As antenas lembram um chocalho de cascavel, formada por 11 artículos, seu corpo é robusto, normalmente de cor marrom, negro ou cinza, sempre cor escura e as asas são membranosas, com nervura anterior forte. Existem atualmente cerca de 1.500 espécies de simulídeos, dos quais 300 são neotropicais. Algumas apresentam hábitos antropofílicos, logo, de importância médica.

As espécies desta família tem importância relacionada a três fatores, primeira pela voracidade na espoliação sanguínea nos animais e nos humanos também, são transmissores das filarias Onchocerca volvulus e Mansonella ozzardi, que são os agentes da oncocercose e da mansonelose e ainda são transmissores da doença conhecida como síndrome hemorrágica da Altamira.

Os estados do Brasil com problema de simulídeos são principalmente os estados do Sul. Os estados mais acometidos são os de Santa Catarina, Paraná, Rio Grande do Sul, São Paulo e Rio de Janeiro. A espoliação de sangue é tão marcante pelas fêmeas que ocasiona o internamento de pessoas, causa o afastamento das pessoas que trabalham na pecuária e na agricultura, além de prejudicar a economia do turismo. Em outros estados esse inseto também é comum.

O controle deste inseto é muito difícil, pois as intervenções, até hoje feitas, foi contra os estágios de larva e pupa, que são os estágios imaturos, e estes são encontrados em criadouros de acesso difícil. Contra os adultos pode-se usar repelentes que quando aplicados na pele e nas roupas afugentam as fêmeas, evitando a picada por apenas um tempo. No Brasil, o controle tem sido feito nas regiões Sul e Sudeste na tentativa de proteger os humanos contra as picadas, objetivando limpar uma área com finalidade turística ou agrícola. O controle pode ser mecânico, químico e biológico. O mecânico é raspando-se pedras e troncos forrados de larvas e pupas. O controle químico é feito através de gotejamento do produto armazenado em toneis e colocando em locais estratégicos dos criadouros. Em 1992, passou-se a usar a bactéria Bacillus thuringiensis, como eficiente arma biológica. Essa bactéria produz um esporo que ao ser ingerido pelas larvas mata as mesmas por uma ação de toxinas que atuam em sua parede intestinal. O cultivo de citronela ás margens de criadouros também tem sido empregado como controle , é recomendada pois esta gramínea exala um odor que repele as fêmeas para a ovoposição.

Fonte:
Neves, D.P. et. al., Parasitologia humana, 11°edição, editora Atheneu.

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