Elegia

Mestra em Literatura e Crítica Literária (PUC-SP, 2012)
Graduada em Letras (PUC-SP, 2008)

O termo elegia é possivelmente de origem grega e a sua caracterização se dá mais pelas temáticas, vinculadas à tristeza e à melancolia, do que pela estrutura formal. A elegia é uma vertente da poesia lírica e, por isso, procura expressar, por meio da versificação, os mais diversos sentimentos.

Inicialmente escrita pelos gregos e depois seguida pelos poetas romanos, as elegias normalmente são uma espécie de lamentação. Por meio do canto elegíaco as homenagens póstumas, por exemplo, são revestidas da linguagem literária.

Durante o século XVI a elegia passa a ser um dos gêneros poéticos mais populares. Em Portugal, o poeta Sá de Miranda é o primeiro escritor a produzir textos elegíacos, porém, é com Camões que o gênero chega ao seu ápice. Para citar um exemplo, uma das famosas elegias camoniana tem como título “À morte de D. Miguel de Meneses, filho de D. Henrique de Meneses, governador da Casa Cível, que morreu na Índia”.

No contexto brasileiro, a elegia que se destaca pertence ao poeta Fagundes Varela. Nela, o poeta exprime todo o sofrimento pela perda de seu filho criança, nomeada como “Cântico do Calvário” a poesia provoca comoção e se aproxima da ideia de lamento greco-romana.

Outros autores brasileiros, no século XX, retomam a poesia elegíaca, como é o caso de Carlos Drummond de Andrade e Manuel Bandeira que resgatam temáticas melancólicas e nostálgicas. Drummond escreve “Elegia 1938” e Bandeira produz “Elegia para minha mãe”.

Além de tratar sobre a morte, outras temáticas povoam as elegias: refletir sobre a finitude da vida, abordar a desilusão amorosa e lembrar-se de uma infância perdida. Na verdade tudo o que envolva a existência humana, em sua perspectiva de perda e sofrimento, é matéria abundante para o gênero elegia.

Mesmo que as perdas sejam inapreensíveis, a empreitada literária do elegista é justamente promover, pela imagética poética, um regresso a tudo aquilo que um dia foi luminosidade e que hoje se apresenta como sombra, solidão e até mesmo escuridão. E é nesse salto no que parece ser um abismo, que poeta consegue ficar frente a frente com o passado que agora é ficcionalizado e, em muitos casos, mitificado.

Portanto, o elegista é aquele que adquiriu a capacidade de contemplar o momento presente em sua reminiscência em relação ao passado, num jogo pendular entre o que existe e que o que já é inexistente como experiência concreta, mas passa que passa a existir como vivência nostálgica, uma excelente forma de exílio.

Referências:

LAGE, Rui Carlos Morais. A elegia portuguesa nos séculos XX e XXI. Perda, luto e desengano, 2010, 437. Tese (Doutorado em Letras). Universidade do Porto, Porto, 2010.

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