Poesia Concreta

É denominada poesia concreta aquela forma de poesia surgida do movimento concretista aplicado ao poema, movimento iniciado no Brasil na década de 50 do século XX por Décio Pignatari (1927), Haroldo de Campos (1929) e Augusto de Campos (1931). Em uma nova identidade surgida da Revolução Industrial e sua recente instalação no Brasil, estes três autores anteviram uma nova perspectiva para a arte poética, e, assim como a industrialização iria mudar a paisagem e o povo brasileiro, o concretismo iria estabelecer nova realidade neste segmento da arte, rompendo com o verso tradicional e sua forma convencional de disposição e rima, organizando-o de uma maneira a privilegiar o espaço em branco da página, a pausa, as imagens, o significante, sons e até mesmo cores e nuances. O concretismo, enfim, propunha uma arte poética que ocupasse a página de um modo diferente, aproveitando conceitos pouco ou nunca antes explorados pelos autores consagrados.

Como seus três principais pioneiros eram paulistas, foi a cidade de São Paulo que contribuiu inicialmente para o desenvolvimento do concretismo. O movimento combinava com o lugar, pois a cidade estava para se tornar o principal centro industrial do país, sendo que na época um surto desenvolvimentista, fomentado pelo governo JK dava a São Paulo os ingredientes para ser o centro da vanguarda nas letras brasileiras à época. A influência dos modernistas da geração de 22 não foi desprezada, ao contrário, foi de grande influência, em especial o modelo de poema criado por Oswald de Andrade, o "poema pílula", símbolo de um vanguardismo radical que se encaixava na proposta dos irmãos Campos e de Décio Pignatari.

Foi através de uma revista de vanguarda denominada "Noigandres" (palavra retirada de um poema de Ezra Pound, que nada significa) que os concretistas puseram em prática seu experimentalismo poético, publicando seus primeiros trabalhos, isso por volta de 1952. As características de um poema concreto eram basicamente:

  • a abolição do verso tradicional, com o seu início no canto da página, sem espaços em branco entre palavras ou trechos. O concretismo explora o silêncio, as potencialidades das letras e suas formas em si, figuras, sons de palavras, letras, fonemas, cores, imagens, etc. em um máximo de radicalismo, até o próprio papel acaba sendo eliminado mais tarde, para dar lugar ao poema visual, feito em filme, em projeção, ou até mesmo escrito em neon.
  • linguagem sintética, desprendida de sentimentalismo, buscando combinações básicas e o potencial mais primitivo do som e da linguagem. A ideia é de uma língua dinâmica, em harmonia com a realidade industrial da época.
  • utilização de paronomásias, neologismos, estrangeirismos, distinção de prefixos e sufixos; repetição de certos morfemas; valorização da palavra solta (som, forma visual, carga semântica) que se fragmenta e se recompõe dentro da página;
  • poema transformado em objeto visual: agora, a letra, sua forma física, as formas combinadas de cada trecho são exploradas de modo a formarem figuras, significantes, permitindo que o poema se torne ao mesmo tempo uma peça visual de arte.

Bibliografia:
Poesia Concreta. Disponível em <http://educaterra.terra.com.br/literatura/litcont/2003/04/22/001.htm>. Acesso em: 02 nov. 2011.