Antologia Poética

A obra "Antologia Poética", uma coletânea dos poemas mais significativos de Vinícius de Moraes, foi lançada em 1954 pela editora carioca A Noite. Nas orelhas deste livro é possível encontrar uma citação de Rubem Braga que justifica esta publicação. Ele afirma que este volume traz em si a mais ampla e perfeita seleção da produção poética do autor, um dos mais importantes poetas brasileiros.


Para melhor compreender o conteúdo deste livro, é importante analisar pelo menos alguns poemas. Entre eles destacam-se ‘Ausência’, ‘A Rosa de Hiroxima’ e os Sonetos. Sobre o primeiro, o crítico literário Carlos Felipe Moisés considera que ele é um dos poemas pioneiros na busca do poeta de melhor retratar a amada e a vivência do amor como uma convergência entre o universo metafísico e a esfera material, entre a dimensão espiritual e a física.

Já o segundo, imortalizado como uma das canções mais belas da Música Popular Brasileira, composta por Vinícius e Gerson Conrad, brilhantemente interpretada pela banda ‘Secos e Molhados’, revela uma atitude sensível e compassiva do autor, o qual produz imagens intensas neste grito contra a guerra e pela paz. Ele denuncia a terrível e trágica utilização da bomba atômica, e atribui este evento não a um ou outro ser ou nação, mas sim a toda a raça humana.

Cabe aqui um parêntesis. O poeta escreve Hiroxima com X por ser esta grafia a mais apropriada na tradução do japonês para o português. Com a crescente preponderância da língua inglesa em nossa cultura, tornou-se mais frequente o uso de SH; as duas maneiras de se expressar, porém, são oficialmente adotadas.

Quanto aos Sonetos, Vinícius, ao escolher esta modalidade poética, passa a integrar o rol dos poetas que produziram sua obra no idioma português, entre eles Camões, Gregório de Matos, Bocage, Antero de Quental, Olavo Bilac, entre outros. Esta forma clássica é composta por quatorze versos, estruturados em dois quartetos e dois tercetos, conforme variados padrões de rima: abab / abab / ccd / ccd; abba / abba / cde / cde ou abba / abba / cdc / dcd. O metro mais comum é o decassílabo e o último verso contém a essência do poema, e por esta razão, é visto como o ‘fecho de ouro’ ou ‘a chave de ouro’ da poesia.

Marcus Vinícius da Cruz e Mello Moraes, mais conhecido como o poetinha Vinícius de Moraes, nasceu no Rio de Janeiro no dia 19 de outubro de 1913 e morreu na sua cidade natal em 9 de julho de 1980. Ele atuou como diplomata, dramaturgo, jornalista, poeta e compositor brasileiro.

Célebre especialmente por seus sonetos e pela entranhada boemia, o autor era um assíduo fumante e um amante nato do uísque; sua fama de Don Juan também o perseguia constantemente. Ele teve nove esposas em sua tumultuada existência. Sua ampla produção artística engloba livros, dramaturgia, criação cinematográfica e musical.

Fontes:
http://www.paixaoeromance.com/70decada/rosa_iroshima/h_rosa_de_hiroshima.htm
http://pt.wikipedia.org/wiki/Vinicius_de_Moraes
http://www.viniciusdemoraes.com.br/site/rubrique.php3?id_rubrique=30
http://educacao.uol.com.br/portugues/antologia-poetica-vinicius-de-moraes.jhtm

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