Duas Viagens ao Brasil (Hans Staden)

Duas Viagens ao Brasil ou ainda, as Viagens ao Brasil são títulos modernos e sintetizados de uma obra do aventureiro e mercenário alemão Hans Staden, escrita em Marburgo, Alemanha, em 1557, cujo título original é "História Verdadeira e Descrição de uma Terra de Selvagens, Nus e Cruéis Comedores de Seres Humanos, Situada no Novo Mundo da América, Desconhecida antes e depois de Jesus Cristo nas Terras de Hessen até os Dois Últimos Anos, Visto que Hans Staden, de Homberg, em Hessen, a Conheceu por Experiência Própria e agora a Traz a Público com essa Impressão".

Existem poucas informações sobre a vida de Staden além daquilo que consta de seu relato. Sabe-se que empreendeu duas viagens ao Brasil, sendo que na primeira saiu de Bremen até Lisboa, embarcando como artilheiro numa nau portuguesa que veio a Pernambuco, em 1547. Chegando à região, ajudou na luta contra os piratas e corsários franceses que exploravam o Brasil. O grupo de portugueses com os quais Staden viajava foi requisitado depois pelo governador-geral Duarte da Costa para defender uma fortaleza na região de Iguaçu, sob constante ataque indígena. Retorna a Lisboa no ano seguinte.

Em sua segunda viagem, em 1550, desta vez a serviço da Espanha, veio incorporado na armada de Diogo de Sanábria, que pretendia fundar um povoado na costa da ilha de Santa Catarina e outro na embocadura do rio da Prata. O navio de Staden naufragou nas imediações de Itanhaém, no litoral paulista, e os sobreviventes seguiram para São Vicente, onde o alemão agregou-se aos portugueses. Nomeado condestável (comandante) da fortaleza de Bertioga em 1553, foi capturado pelos tupinambás no ano seguinte, ficando prisioneiro na aldeia do chefe Cunhambebe de meados de janeiro a 31 de outubro. Capturado em meio a outros colonos, por pouco não termimou vítima de um ritual de canibalismo, uma vez que fora tomado pelos índios como português, povo inimigo dos tupinambá. Isso não o impediu de testemunhar o ritual, que descreve em detalhes no seu relato. Ao conseguir provar sua origem, viveu um bom tempo entre os indígenas até ser resgatado em 1554 por um navio francês, que o trocou por presentes.

A obra de Hans Staden é importante por revelar muito da realidade dos primeiros anos de ocupação portuguesa do território brasileiro. A partir de sua leitura é possível ter uma ideia, mais ou menos bem acabada dos personagens importantes do período: corsários franceses, colonos portugueses, indígenas, aliados e inimigos dos colonos estabelecidos no litoral. Os costumes tupinambás estão ricamente descritos no livro e retratados em várias xilogravuras, feitas conforme suas descrições, apesar destas não possuírem um rigor científico. A despeito da importância da obra como imagem do Brasil dos mil e quinhentos, esta permaneceu sem tradução para a língua portuguesa por séculos, até que em 1892 surgiu uma primeira edição de qualidade duvidosa, traduzida de uma versão francesa. A versão de melhor qualidade data de 1930, com texto traduzido do original, por Alberto Lofgren, e notas de Teodoro Sampaio, batizada de "Duas viagens ao Brasil", título com o qual se tornou conhecida a obra em língua portuguesa.

Bibliografia:
MUTTER, Matheus. As Duas Viagens ao Brasil de Hans Staden. Disponível em <http://www.historiatecabrasil.com/2012/03/hans-staden-duas-viagens-brasil.html>. Acesso em: 14 abr. 2012.

CHIMICATTI, Felipe Aguiar. Análise: Hans Staden em duas viagens ao Brasil e uma breve comparação com a carta de Pero Vaz de Caminha. Disponível em <http://jornalplasticobolha.blogspot.com.br/2010/02/hans-staden-em-duas-viagens-ao-brasil-e.html>. Acesso em: 14 abr. 2012.

Hans Staden. Disponível em <http://educacao.uol.com.br/biografias/hans-staden.jhtm>. Acesso em: 14 abr. 2012.

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