Pinípedes

A origem do nome Pinípede deriva do termo em latim pina e podos que significa pé em forma de pena, que se refere aos membros posteriores e anteriores dos animais que possuem extensas membranas interdigitais, que servem para a locomoção no ambiente aquático. Os pinípedes são animais que são adaptados para o ambiente aquático, sendo membros da Ordem Carnívora, dividindo-se em três famílias: Otariidae (lobos e leões marinhos), Odobenidae (morsas) e Phocidae (focas). Estas três famílias mencionadas são pertencentes a sub-ordem Pinnipedia. Como mencionado anteriormente estas espécies possuem adaptações essenciais para a vida aquática, que evoluíram independentemente. Atualmente a sub-ordem Pinnipedia inclui 33 espécies de animais viventes.

Morsa. Foto: Captain Budd Christman, NOAA Corps [Public domain], via Wikimedia Commons

Morsa. Foto: Captain Budd Christman, NOAA Corps [Public domain], via Wikimedia Commons

Os primeiros registros de ancestrais dos pinípedes aparecem em registros fósseis de cerca de 27 milhões de anos, encontrados no Pacífico Norte. Pouco tempo depois surgiria então a primeira linhagem dos pinípedes modernos (Família Phocidae), sendo registros fósseis encontrados no Atlântico Norte. A família das morsas surgiram cerca de 10 milhões de anos atrás, posterior ao surgimento da família Phocidae. A última família a surgir evolutivamente foi a Otariidae, sendo que registros fósseis datam de onze milhões de anos.

Uma das principais mudanças morfológicas no corpo destes organismos são, corpo alongado (corpo fusiforme) para deslocamento na água, camada de gordura espessa para suportar as baixas temperaturas da água, orifícios respiratórios posicionados na parte frontal, tendo músculos voluntários com capacidade de abrir e fechar. A cauda destes animais possui tamanho reduzido e acredita-se que apresenta um papel importante. As fêmeas poderão apresentar um ou dois pares de mamas localizadas no abdômen. Os machos vão apresentar o pênis interno e retrátil, sendo que os testículos poderão ser intra ou extra-abdominais. A temperatura do corpo é em média de 36° a 37°C.

Os pinípedes podem ser encontrados em diversas partes do mundo, porém são mais numerosos quanto ao número de espécies e tamanho populacional em águas de regiões temperadas e polares. Em geral são animais que se alimentam de peixes, crustáceos e outros organismos marinhos.

Na costa brasileira, ocorre a presença de sete espécies de pinípedes: Foca-leopardo (Hydrurga leptonyx), foca-caranguejeira (Lobodon carcinophagus), elefante-marinho-do-sul (Mirounga leonina), lobo-marinho-antártico (Arctocephalus gazella), lobo-marinho-subantártico (Arctocephalus tropicalis), lobo-marinho-do-sul (Arctocephalus australis) e o leão marinho-do-sul (Otaria flavescens).

Em geral os pinípedes são animais que podem viver vários anos, como é o caso do leão marinho-do-sul que pode chegar a até 20 anos de vida. Os pinípedes podem se deslocar grandes distâncias para a procura de alimento, para realizar migrações sazonais em busca de melhores condições ambientais e para locais onde ocorre colônias de reprodução. Os predadores naturais dos pinípedes são as orcas (Orcinus orca) e tubarões. Autalmente pode-se considerar que um outro predador seria o homem, pois devido a ações antrópicas no habitat onde estes animais, o homem causa mortalidade destes animais (capturas acidentais).

Em geral na sub-ordem Pinnipedia o período de gestação pode durar cerca de 1 ano podendo em algumas espécies a gestação ser de 11 ou 12 meses. Para as espécies da família Phocidae o período de gestação é o menor, sendo de 9 meses.

Referências:
Silva, K. G. (2004) Os pinípedes do Brasil. Ocorrência, estimativas populacionais e ocorrência. Tese de Doutorado, Universidade Federal do Rio Grande. Rio Grande do Sul, p.249