Tamanduá-bandeira

Graduada em Ciências Biológicas (USU, 2009)

O tamanduá-bandeira, Myrmecophaga tridactyla, foi classificado por Linnaeus em 1758 é um mamífero de grande porte, são os animais que apresentam modificações mais notórias na forma de se alimentar, anatomicamente e comportamentalmente. Estão agrupados na ordem Pilosa e também podem ser chamados de papa-formigas, tamanduá-açú, jurumi e bandurra. A espécie possui hábitos diurnos e noturnos, dependendo da temperatura e das chuvas que irão determinar quando sairão para buscar alimento e são solitários, sendo visto em duplas apenas no acasalamento e durante a amamentação da prole. São considerados bons nadadores e já foram vistos em cima de árvores.

Tamanduá-bandeira. Foto: Christian Musat / Shutterstock.com

Os tamanduás-bandeira são animais que se caracterizam pela presença da coloração distinta da pelagem que possui uma faixa diagonal preta de bordas brancas, pelo focinho longo e cilíndrico e uma cabeça pequena, garras grandes nas patas dianteiras, olfato bem desenvolvido, língua longa, cauda grande com pelos grossos e compridos.

A distribuição desta espécie se estende do sul da Guatemala até o norte da Argentina, ocorrendo por todo o Brasil em biomas do Cerrado, floresta Amazônica e Atlântica, além de campos com vegetação aberta.

Para conseguir capturar seu alimento que consiste basicamente em formigas e cupins, os tamanduás desenvolveram estruturas anatômicas bem específicas, como: o olfato que captam o odor das presas mesmo que abaixo da superfície, as garras bem grandes e afinaladas nas pontas que permite perfurar o solo mesmo que duro, a língua comprida e preênsil que se movimenta dentro do formigueiro/cupinzeiro e aprisiona as presas, a dentição reduzida em tamanho e quantidade já que geralmente não mastiga a presa, o aumento das glândulas salivares para aumentar o muco na língua, o aumento do estômago para suportar uma grande quantidade de alimento e digeri-lo.

O tamanho destes animais varia entre 1,08 e 1,33 m sem considerar a cauda, o comprimento da cauda varia ente 65-90 cm e o peso na média é de 31 kg.

Durante o período de acasalamento é possível ver esses animais andando em duplas e no período de amamentação a mãe com o filhote. O intervalor entre os nascimentos pode atingir os 9 meses e o período de gestação é em média de 183 a 190 dias, as fêmeas dão a luz a apenas 1 filhote e ele será carregado no dorso da mãe por 6-9 meses até ficar mais crescido. Permaneceram com a mãe até pouco antes do próximo período de acasalamento, não existe estudos que descrevam o processo do acasalamento. Os filhotes atingem a maturidade sexual entre 2-4 anos de idade.

Filhote de tamanduá-bandeira no dorso da mãe. Foto: belizar / Shutterstock.com

O tamanduá-bandeira atualmente encontra-se na classificação de quase ameaçado pela lista da União Internacional para a Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais e a nível nacional está classificado pelo IBAMA como vulnerável o que requer das autoridades e da população uma atenção para evitar a perda no número de indivíduos na natureza e não elevar para o nível de risco de extinção. Com a perda de quase 50% do Cerrado, bioma que abriga a maior parte da população de tamanduás, o desmatamento na Amazônia e na Mata Atlântica, percebe-se uma diminuição na população de tamanduás em 30% nos últimos 26 anos, sendo então a maior ameaça contra os tamanduás a perda de seu habitat.

Bibliografia:

Site do ICMBIO: http://www.icmbio.gov.br/portal/faunabrasileira/estado-de-conservacao/7127-mamiferos-myrmecophaga-tridactyla-tamandua-bandeira. Acessado em: 05/02/2018.

GREGORINI, M.Z. et al. 2007. Modelagem de Distribuição Geográfica do Tamanduá-bandeira (MYRMECOPHAGA TRIDACTYLA) e sua ocorrência em Unidades de Conservação no Estado do Paraná. Anais de Congresso da Sociedade de Ecologia do Brasil.

SOUZA, F.G.B.N.J. et al. Consumo de Formigas Cortadeiras por Tamanduá-Bandeira Myrmecophaga tridactyla (Linnaeus, 1758) em Plantios de Pinus spp. no Paraná, Brasil, 2014.

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