Realismo Inglês

O movimento conhecido como Realismo se instaurou no continente europeu entre 1850 e 1880, particularmente em países como a França, Inglaterra e Alemanha, disseminando-se depois pelo restante do planeta, especialmente na América do Norte. Seus adeptos rejeitavam a forma idealizada de se ver o mundo, principalmente o belo. Eles também negavam a visão não naturalista típica do Neoclassicismo e do Romantismo.

Os realistas tinham a urgência de representar a existência, as questões rotineiras e os hábitos das camadas média e baixa, as quais não pautavam seu cotidiano segundo padrões do mundo antigo. Esta corrente expressou-se tanto na escultura quanto na arquitetura e na literatura.

Nas artes plásticas destacaram-se Gustave Coubert e Jean François Millet. Neste campo, os ingleses se manifestavam através de preceitos cultivados pela ‘Irmandade Pré-Rafaelita’; seus membros dividiam a história da arte em antes e depois de Rafael. Para eles, este artista desprezava a verdade artística ao insistir na procura de padrões estéticos romantizados. Assim, o ideal para os realistas ingleses era resgatar os valores vigentes no período que antecedeu a era rafaelita.

Esta comunidade era perpassada também por conceitos espirituais, pois tinha o objetivo de glorificar a Deus por meio de suas obras consideradas honestas por seus adeptos. Uma importante produção artística filiada a esta corrente é a obra A Anunciação, criada pelo artista plástico e poeta inglês Dante Gabriel Rossetti.

Rossetti, nascido em Londres no ano de 1828, foi um dos fundadores do movimento pré-rafaelita. Ele é famoso por seu volume de poesias Baladas e sonetos, de 1881. Sua irmã, Christina Georgina, primava também pela criação poética; ela publicou Goblin market em 1862.

No âmbito literário, a obra que dá impulso ao Realismo é Madame Bovary, do francês Gustave Flaubert. A partir daí, destacam-se o russo Dostoiévski, famoso principalmente por Os Irmãos Karamazov; o representante de Portugal Eça de Queirós, célebre pela publicação de Os Maias; e os ingleses Charles Dickens, que atinge o auge de sua trajetória literária com Oliver Twist, e Thomas Hardy, autor de Judas, o obscuro.

O cenário por excelência do Realismo é a prosa, já que a poesia é dominada pelo Parnasianismo. No século XVIII, na Inglaterra, em meio a incontáveis mudanças econômicas, sociais e políticas, no auge da segunda etapa da Revolução Industrial, a narrativa inglesa solidificava as bases do romance típico do Realismo.

O narrador fixava suas raízes no presente, privilegiando a vivência histórica das novas camadas sociais, neste momento em estágio de ascensão. Ele se baseava principalmente na importância da verossimilhança das trajetórias dos protagonistas retratados em suas páginas. O meio de expressão mais significativo na esfera literária realista é, portanto, o romance social, o psicológico ou a prosa de tese.

Assim, a narrativa não visa mais apenas entreter o leitor; ela tem um objetivo mais denso, qual seja o de tecer críticas a organizações como a Igreja Católica e a classe burguesa. Sua temática passa por questões como os escravos, as discriminações raciais e o sexo, sempre enfocadas por um discurso cristalino e incisivo.

Nesta época, no século XIX, a Inglaterra vivia a Era Vitoriana, marcada pela riqueza propiciada pela Revolução Industrial, de um lado, e pela opressão da classe trabalhadora, de outro lado. Foi neste contexto que, ao lado de Dickens e Hardy, emergiram na literatura inglesa nomes como as irmãs Brontë – Charlotte é imortalizada pela obra Jane Eyre, e Emily por O Morro dos Ventos Uivantes -, Oscar Wilde – eternizado por O Retrato de Dorian Gray -, Joseph Conrad – O Coração das Trevas -, Lewis Carroll – o criador da eterna Alice no País das Maravilhas - e Robert Louis Stevenson – o sempre assustador O Médico e o Monstro -, responsáveis pela criação dos maiores clássicos literários de todos os tempos.

Armados de seus talentos e das incoerências que marcaram este período, eles contribuíram, antes de tudo, para fortalecer o gênero literário mais popular neste momento, o romance.

Fontes:
http://www.pitoresco.com.br/art_data/realismo/
http://www.angelfire.com/pa/genesis4/realismo.html
http://www.algosobre.com.br/literatura/realismo.html
Cadernos Entre Livros – Panorama da Literatura Inglesa. Editora Duetto, Editor: Oscar Pilagallo.