Mansonella ozzardi

A Mansonella ozzardi é um filarídeo humano autóctone e causa a mansonelose. A fêmea do parasito mede entre 6 cm e 8 cm de comprimento, e o macho entre 2,5 cm e 3 cm. Pouco se sabe sobre seu tempo de vida, mas estima-se se tenham uma longevidade de seis a oito anos. Os vermes adultos são encontrados no mesentério, no tecido conjuntivo subperitoneal, e membranas serosas da cavidade abdominal do hospedeiro humano.  As microfilárias são pequenas (200 µm), não possuem bainha de revestimento e são encontradas no sangue periférico do hospedeiro e também nos capilares no tecido subcutâneo, sem periodicidade.  Afeta principalmente indivíduos do sexo masculino e mais idoso que tem suas atividades diárias ligadas ao campo ou margens dos rios como pescadores ou agricultores.

O ciclo do parasita envolve humano e insetos. Na América Central e ilhas do Caribe a transmissão ocorre por dípteros, os maruim ou mosquito pólvora que são do gênero Culicoides. Na América do Sul a transmissão é feita pelo pium ou borrachudo que são simulídeos. No Brasil os transmissores da Mansonella ozzardi são três espécies de simulídeos: Simulium amazonicum, Simulium argentiscutum na região do Amazonas e Simulium oyapockense no estado de Roraima. Nos hospedeiros invertebrados, as microfilárias ingeridas se desenvolvem entre 9 a 14 dias durante um repasto sanguíneo em humano parasitado, até larva L3 infectante que migram para a probóscida e irão atingir novo hospedeiro vertebrado em um próximo repasto sanguíneo. Ao penetrarem no hospedeiro humano, essas larvas irão se desenvolver até vermes adultos em um período de aproximadamente de um ano.

A Mansonella ozzardi  é encontrada unicamente nas Américas com foco desde o México até a Argentina. Na América do Sul ocorrem na Colômbia, Venezuela, Guiana, Suriname, Peru, Bolívia, Brasil e norte da Argentina. Na América Central é encontrada no Panamá, Guatemala e em algumas ilhas do Caribe.  No Brasil os focos estão no Amazonas, Roraima, Mato Grosso.

A patogenicidade da Mansonella ozzardi na maioria das pessoas infectadas é assintomática mas mesmo assim ainda estes sintomas não são bem definidos. Porém, este parasita pode causar sintomas como febre, tontura, cefaleia. Frieza nas pernas, dores articulares, adenite inguinocrural, parestesia, formigamento, placas eritematopruriginosas e edema dos membros inferiores. O paciente pode apresentar eosinofilia sanguínea e os sinais e sintomas são mais evidentes em adultos com alta parasitemia. Não existe medicamento que elimine os vermes adultos e portanto o tratamento disponível é eficaz na eliminação das microfilárias. O medicamento utilizado é a ivermectina.

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FONTE:
Neves, David Pereira. Parasitologia humana, 12 ed., São Paulo, editora Atheneu, 2011.

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