Alterações sensoperceptivas

Graduanda em Psicologia (PUC-SP)

Todas as informações do ambiente chegam aos seres por meio de sensações.

A sensação é um fenômeno passivo gerado por estímulos químicos, físicos e biológicos originados fora do organismo, que produzem alterações em seus órgãos receptores.

A dimensão neuropsicológica do processo de transformação desses estímulos sensoriais em fenômenos perceptivos é a percepção. Logo, esta é a tomada de consciência dos objetos e fatos exteriores ao indivíduo.

A sensação e a percepção resultam na sensopercepção do sujeito. Ela pode apresentar alterações em casos de intoxicação por substâncias químicas ou apresentação de quadros psicopatológicos.

Alterações quantitativas

As alterações quantitativas da sensopercepção são casos nas quais as imagens perceptivas apresentam intensidades anormais. São elas:

  • Hiperestesia: condição na qual as percepções encontram-se aumentadas em intensidade ou duração. Ela pode ocorrer em casos de intoxicações por alucinógenos, apresentação de algumas formas de epilepsia e enxaqueca e também em quadros de hipertireoidismo, esquizofrenia e mania.
  • Hiperpatia: condição na qual uma sensação desagradável é produzida por leve estímulo na pele. Ocorre em síndromes talâmicas.
  • Hipoestesia: condição na qual o ambiente é percebido como escuro, as cores como pálidas e sabores e odores quase desaparecem. Pode ocorrer em casos graves de depressão.
  • Anestesia tátil: é a perda do tato em determinada área da pele. O termo “anestesia” também é utilizado para designar “analgesia” – perda das sensações dolorosas. Tais alterações podem ocorrer em casos de intoxicações, conversões histéricas, sugestionabilidade e em quadros graves depressivos ou psicóticos.

Alterações qualitativas

As alterações qualitativas, em geral, são quadros importantes para a psicopatologia. São as mais comuns:

  • Ilusão: caracteriza-se pela percepção deformada de um objeto real e presente, sendo mais comumente visual e auditiva. Ela corre em estados de rebaixamento do nível de consciência, fadiga grave, desatenção marcante, delirium, ou em certos estados afetivos. Assim, podem também ser transitórias ou desprovidas de importância clínica.
  • Alucinação: é a percepção clara e definida de um objeto sem a presença do estímulo real. É associada ao estresse e à ansiedade, sendo encontrada principalmente em casos de transtornos mentais graves e psicoses. Suas formas são:
  • Alucinações auditivas simples (tinnitus): nas quais se ouve ruídos primários ou zumbidos, de forma contínua, intermitente ou pulsátil. Suas causas mais comuns são alterações no sistema auditivo e nas conexões auditivas centrais.
  • Alucinações auditivas complexas: sua forma mais frequente é a alucinação audioverbal, na qual o sujeito escuta de vozes na ausência de estímulos reais. Frequentemente, o conteúdo das falas é depreciativo, persecutório, desrespeitoso ou ameaçador.

Outra forma de alucinação auditiva é a schneideriana, na qual a voz apresenta comandos ao indivíduo.

Por mais, há a sonorização do pensamento, que ocorre das seguintes maneiras: vivência na qual o paciente está escutando seus pensamentos no momento que eles vem à mente, experiência em que o sujeito ouve pensamentos que diz serem introduzidos em sua mente por estranhos, ou na publicação do pensamento, quando o indivíduo possui a sensação de que as pessoas ouvem o que ele pensa.

  • Alucinações musicais: fenômeno no qual o paciente escuta tons musicais, ritmos e harmonias sem o correspondente estímulo externo.
  • Alucinações visuais: são as visões sem a presença de estímulo. Acontecem de duas formas:
    • Simples (fotopsias): nas quais o indivíduo enxerga cores e pontos brilhantes. Ocorre em casos de doenças oculares, enxaqueca, epilepsia, uso de álcool ou esquizofrenia.
    • Complexas (configuradas): incluem figuras, imagens de pessoas, partes do corpo, entidades, animais, objetos inanimados e até mesmo cenas completas (alucinações cenográficas).

Tratamento

As alterações sensoperceptivas podem ser tratadas com acompanhamento neurológico, psiquiátrico e/ou psicológico, possivelmente associadas à medicação e a terapias complementares.

Referências bibliográficas:

RAFIA: 1. Dalgalarrondo, P Psicopatologia e semiologia dos transtornos mentais. Porto Alegre, 2000. Editora Artes Médicas do Sul

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