Como ajudar alguém em depressão

Graduanda em Psicologia (PUC-SP)

Depressão é uma doença multidimensional que resulta em muito sofrimento ao indivíduo e a seus familiares e amigos. Felizmente, existe tratamento e prevenção dessa condição.

Ilustração: pimchawee / Shutterstock.com

Apesar de haver cuidados que cabem somente aos profissionais de saúde, os laços sociais duradouros são importantes porque fornecem ajuda em tempos de necessidade, permitindo enfrentamento e superação de momentos de crise (BARUDY; DARTAGNAN, 2007; BRITO; KOLLER, 1999; TAYLOR, 2002).

Portanto, a presença da rede de apoio (de acordo com Brito e Koller (1999) como sendo “conjunto de sistemas e de pessoas significativas, que compõem os elos de relacionamento recebidos e percebidos do indivíduo”), conforme seu alcance, atua como condição para melhora e longevidade dos acometidos pelo “mal do século”.

Assim, dada a importância do meio social, seguem algumas dicas para ajudar um(a) amigo(a) ou pessoa querida que esteja passando por essa situação.

Evite ser um ganho secundário

Esse conceito designa os benefícios que uma condição ruim pode acarretar, contribuindo para sua estagnação. Dessa forma, dar atenção especial à pessoa somente quando ela solicita ajuda tem consequências contra produtivas: vale a pena conversar sobre assuntos não relacionados à doença e se manter presente também nos momentos bons e comemorar as conquistas. Assim, sua companhia vai ser associada a diversas e positivas partes do dia-a-dia do sujeito.

Conheça a doença e seus sintomas

A depressão afeta o indivíduo em diversos âmbitos. É possível verificar alterações de humor, afeto, voliação, ideação, instinto e autovaloração e cognição. Dessa forma, é importante entender as limitações fisiológicas do indivíduo e organizar suas interações de forma que não sejam aversivas para ele.

Converse sem julgamentos

As doenças mentais são estigmatizadas pela sociedade. Tratar o assunto como tabu afasta os acometidos por elas, portanto, conversar abertamente consolida a confiança e demonstra que não há motivo para constrangimentos.

Ademais, frases clichês de incentivo (como “quem quer consegue” e “tem gente com problemas piores”) são inconvenientes. É essencial promover um diálogo sem comparações e julgamentos, considerando os sentimentos do interlocutor e ocasionando elogios e reconhecimentos específicos a ele.

Estimule o tratamento

Você pode encorajar o(a) amigo(a) a ir à terapia, seguir suas orientações e consumir as medicações quando necessárias, que não devem ser interrompidas antes da indicação do(a) psiquiatra. Também é válido marcar as consultas, lembra-lo(a) delas no dia ou acompanhá-lo(a) até as mesmas.

Ademais, é factível divulgar a possibilidade de auxílio gratuito nos CAPS (Centros de Atenção Psicossocial) e nas Unidades Básicas de Saúde (Saúde da família, Postos e Centros de Saúde). Além disso, por meio de ligações telefônicas, o CVV (Centro de Valorização da Vida) oferece apoio emocional, sob sigilo absoluto, 24 horas por dia, basta ligar para o número 188.

Reconheça as emergências

É possível se deparar com situações críticas, como ideação suicida e externalização de planos mórbidos. Nesses momentos, a família precisa ser contatada. Consequentemente, é interessante ter o endereço do(a) amigo(a) e o contato de seus familiares mais próximos.

Além do mais, o socorro profissional pode ser acionado via 192 (SAMU) e 193 (bombeiros).

Referências bibliográficas:

RAFIA: 1. Dalgalarrondo, P Psicopatologia e semiologia dos transtornos mentais. Porto Alegre, 2000. Editora Artes Médicas do Sul

JULIANO, Maria Cristina Carvalho; YUNES, Maria Angela Mattar. Reflexões sobre rede de apoio social como mecanismo de proteção e promoção de resiliência. Ambient. soc., São Paulo,  v. 17, n. 3, p. 135-154,  Sept.  2014 .   Available from <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1414-753X2014000300009&lng=en&nrm=iso>.

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