Erich Fromm

Doutorado em andamento em Filosofia (UERJ, 2018)
Mestre em Filosofia (UERJ, 2017)
Graduado em Filosofia (UERJ, 2015)

Erich Fromm (1900 – 1980) foi um filósofo, sociólogo e psicanalista alemão, pesquisador do Instituto para pesquisa social, Instituto vinculado à Escola para pesquisa social da Universidade de Frankfurt. Estudou psicologia, sociologia e filosofia na Universidade de Heidelberg. Fundou na cidade de Frankfurt a Sociedade para Educação Popular Judaica e foi professor no Estabelecimento de ensino livre judaico de Frankfurt. Adquiriu formação em psicanálise e passou a realizar pesquisas psicanalíticas no Instituto para pesquisa social, sendo um dos principais envolvidos dentre os que introduziram pela primeira vez a psicanálise nas pesquisas científicas.

Fromm defendia que a psicologia e a sociologia eram importantes para que se pudesse analisar propriamente os problemas da sociedade e que, dentre esses problemas, o mais importante era o da elucidação da relação entre o desenvolvimento social da humanidade, especialmente o desenvolvimento econômico-técnico, e o desenvolvimento da psicologia do ser humano, particularmente o que diz respeito à estrutura do Eu do ser humano.

Estabelecendo, portanto, uma leitura psicanalítica da sociedade, Fromm acredita que o ser humano de fato nasce, quer dizer, se torna livre e responsável por seus próprios atos, quando é arrancado de sua união primária com a natureza, saindo de uma existência animal. Esse afastamento da natureza, no entanto, não é fácil e quando acontece o ser humano tende a tomar caminhos que o livrem disso, como submeter-se a alguma autoridade ou, de maneira oposta, dominar os outros. Esses caminhos são, respectivamente, na linguagem freudiana de Fromm, o masoquismo (submissão) e o sadismo (domínio). A forma, no entanto, sadia de relacionamento entre os seres humanos é uma forma produtiva, quer dizer, é o amor, que permite que os seres humanos conservem sua integridade e liberdade mas que também conservem sua união com seus semelhantes.

Como foi dito acima, esse desprendimento inicial da natureza que conduz o ser humano à liberdade e possibilita relações produtivas, saudáveis, não é uma tarefa fácil, de modo que muitos apegam-se à natureza com a intenção de se proteger dos riscos da liberdade e da responsabilidade. Assim, também, o indivíduo que alcança por vontade própria sua liberdade nem sempre consegue aceitar o seu peso, cedendo a um conformismo que o faz obedecer cegamente às normas estabelecidas. Assim, ele se perde e, consigo, perde também a saúde mental.

A saúde mental para Fromm se caracteriza pela capacidade de criar e de amar, pela libertação dos laços de dependência com a terra e com o grupo, pela identidade, baseada na experiência que o indivíduo tem consigo mesmo enquanto sujeito e pela capacidade da razão, que o permite captar a realidade dentro e fora de si. É, portanto, uma existência individual, consciente de si, livre, responsável e que é conduzida pela razão.

Em sua obra mais lida, intitulada Ter ou ser, Fromm dedicou-se à análise da crise da sociedade contemporânea e à solução dessa crise. Aí ele estabelece dois modos de existência: o modo do ter e o modo do ser. No modo do ter, diz-se que a verdadeira essência do ser humano é o ter, pois quem não tem nada não é nada. É com isso em mente que a sociedade contemporânea busca, por exemplo, roupas caras e de marca a fim de se afirmarem. Seu valor está no que consomem. Fromm reflete através de diversos pensadores, de Buda a Marx, passando por Jesus Cristo, a fim de apontar os problemas desse modo de existência. Para Fromm, o ser humano deve propor como meta o ser muito e não o ter muito. Os pré-requisitos do modo do ser são a independência, a liberdade e a presença da razão crítica.

Referências:

ANTISIERI, Dario; REALE, Giovanni. História da filosofia: Do romantismo até os nossos dias. São Paulo: Paulus, 1991.

WIGGERSHAUS, Rolf. A Escola de Frankfurt. Trad. do alemão por Lilyane Deroche-Gurgel; Trad. do francês por Vera de Azambuja Harvey. Rio de Janeiro: DIFEL, 2002.