Hidrácidos

Doutora em Química (UFSC, 2016)
Mestre em Química Analítica (UFPR, 2010)
Licenciada e Bacharelada em Química (UFPR, 2009)

Antes de falar dos hidrácidos, vamos lembrar rapidamente do conceito de ácido, com base na teoria de Arrhenius. De acordo com essa definição, os ácidos são substâncias que em solução aquosa, se ionizam, produzindo um cátion hidrônio (H3O+), que muitas vezes é representado por H+ ­­­­e um ânion qualquer (X-). No caso dos hidrácidos, o ânion é não oxigenado, portanto podemos defini-los como compostos que não apresentam o átomo de oxigênio em sua composição. Apresentam então a fórmula HnX, onde X é um ânion sem oxigênio, e quando presentes em solução aquosa, esses compostos se ionizam gerando íons H+.

Os hidrácidos podem ser classificados de acordo sua força e essa classificação está relacionada com o grau de ionização e a força é a medida da quantidade de íons H+ que eles liberam quando em solução aquosa. Esse grau de ionização representado pela letra alfa (α), representa a razão entre o número de moléculas ionizadas e o número de moléculas dissolvidas. Para ácidos fortes os valores são ≥ 50%, para moderados entre maiores que 5% e menores que 50% e para os fracos são inferiores a 5%. Como exemplos de ácidos fortes temos o HCl, HBr e HI, moderado o HF e fracos o HCN e H2S.

Com relação à nomenclatura, a regra a seguir é bem simples, conforme mostrado a seguir:

Ácido + nome ânion + sufixo ídrico

Porém alguns existem alguns detalhes a serem observados, no nome do ânion a terminação eto é suprimida na hora de dar o nome ao ácido. No caso do HCl por exemplo, temos, o anion cloreto (Cl-), e o nome fica :

Ácido + cloreto (menos eto) + sufixo ídrico

Com isso o nome desse composto fica ácido clorídrico. A mesma lógica é seguida para o HBr, HI, HF, H2S e HCN, cujos ânions são brometo (Br-), iodeto (I-­­­­) ,fluoreto (F-), sulfeto (S2-) e cianeto (CN-), e os nomes dos ácidos são respectivamente: bromídrico, iodídrico, fluorídrico, sulfídrico e cianídrico.

Entre as aplicações dos hidrácidos o HCl que está presente em concentrações diluídas no nosso estômago, auxiliando no processo de digestão. É encontrado também comercialmente com o nome de ácido muriático, para ser utilizado na limpeza de azulejos e pisos em geral. Uma particularidade do HCl é que ele é um gás dissolvido, por isso, em altas concentrações, um frasco dessa substância deve ser manuseada em locais com sistema de exaustão, uma vez que o vapores ácidos são corrosivos. Os ácidos bromídrico, iodídrico e fluorídrico são utilizados na indústria química. Uma particularidade do HF é que ele provoca a corrosão em vidros, e deve ser armazenado em recipientes de plástico. O H2­S se encontra na forma gasosa, sendo o responsável pelo cheiro ruim que sentimos quando um ovo apodrece. Ele pode ter sua origem associadas a locais onde existem campos de petróleo e gás natural, minas de carvão, emissões de vulcões ou zonas pantanosas. Já no setor industrial são produzidos em reações químicas realizadas em sistema de tratamento de efluentes, limpezas ácidas e fermentações, sendo um gás venenoso e corrosivo, que se não neutralizado por causar problemas ambientais e de saúde.

Referencias:

Atkins, P. W.; Jones, Loretta . Princípios de química: questionando a vida moderna e o meio ambiente. Volume único. 3. ed. Porto Alegre: Bookman, 2006.

Baird, C.; Cann, M. Química Ambiental. Volume único, 4ª edição. Bookman, 2011.

Kotz, J. C. Química Geral e Reações Químicas. Volume 1, 9ª edição, Cengage Learning, 2015.

Tito e Canto. Química na Abordagem do Cotidiano. Volume único, parte A – Química Geral e Inorgânica. Editora Saraiva 2005.

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