Antibiose

O amensalismo, também conhecido como antibiose, é uma relação ecológica interespecífica onde uma espécie prejudica o desenvolvimento da outra através da liberação de substâncias no ambiente. A espécie que libera substâncias é chamada de inibidora e a espécie que é prejudicada é denominada como amensal. É uma relação que pode envolver a disputa pela obtenção de recursos, podendo ser considerada, também, um tipo de competição.

Um dos exemplos mais comuns desta relação é o fenômeno da maré vermelha. Quando as condições da água marinha estão favoráveis (temperatura e quantidade de nutrientes), algas microscópicas do grupo dos dinoflagelados passam a se reproduzir rapidamente, atingindo enormes quantidades, conferindo à água uma cor avermelhada. As toxinas produzidas por estas algas, por sua vez, acabam prejudicando outros organismos como outras algas, peixes, moluscos, crustáceos, entre outros. Dessa forma, estas algas conseguem garantir mais recursos no meio para seu desenvolvimento.

Maré vermelha. Foto: sinephot / Shutterstock.com

Algumas plantas secretam e eliminam substâncias que inibem o desenvolvimento de outras espécies no local. As gramíneas do gênero Brachiaria liberam no solo substâncias que podem inibir a germinação de sementes de outras plantas, diminuindo, assim, a concorrência por recursos no meio.

Outro conhecido exemplo de amensalismo entre plantas é o que ocorre com o eucalipto (Eucalyptus globulus). Quando suas folhas caem no solo, liberam uma substância que diminui a incidência da germinação de outras sementes no local.

Penicilina

O resultado de um caso particular de amensalismo gerou grandes benefícios ao homem, que pôde aplicá-lo na indústria farmacêutica para a produção de medicamentos.

Em 1929, o médico e biólogo escocês Alexander Fleming observou, em seu laboratório, que os fungos do gênero Penicillium podiam inibir o desenvolvimento de bactérias. Fleming estava pesquisando sobre substâncias capazes de combater bactérias em feridas quando saiu de férias. Ao retornar, notou que os meios de cultura de bactérias do gênero Staphylococcus que havia deixado no local estavam contaminados por mofo, e que nos locais em que ele estava instalado, não havia mais bactérias.

Estudando as propriedades deste bolor, Fleming concluiu que era uma substância produzida por estes fungos que impedia o desenvolvimento das bactérias, responsáveis pela manifestação de diversas doenças. A substância recebeu, então, o nome de penicilina.

Anos depois, a substância foi isolada em laboratório e hoje é produzida em larga escala para a produção de antibióticos.

Referências:

AMABIS, José Mariano; MARTHO, Gilberto Rodrigues. Biologia em Contexto. 1ª edição. São Paulo: Editora Moderna, 2013.

BARBIERI, Edison. O perigo das biotoxinas marinhas. Disponível em: < ftp://ftp.sp.gov.br/ftppesca/texto_tecnico_Barbieri.pdf>. Acesso em 27 nov. 2016.

DINARDO, Weber et al. Interferência da palhada de capim-braquiária sobre o crescimento de eucalipto. 1998. Disponível em: < http://www.scielo.br/pdf/pd/v16n1/a02v16n1>. Acesso em 27 nov. 2016.