Veículos elétricos

Mestre em Ecologia e Manejo de Recursos Naturais (UFAC, 2015)
Graduada em Ciências Biológicas (UFAC, 2011)

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Os veículos elétricos (VEs) já existem há bastante tempo. A primeira carruagem elétrica foi desenvolvida por Robert Anderson, um inventor britânico, entre 1832 e 1839. Em meados do XIX os inventores franceses e ingleses começaram a construir alguns dos primeiros carros elétricos práticos. Em 1897 surgiu em Londres uma frota de táxis elétricos. Nos EUA, por volta de 1890, o primeiro carro elétrico de sucesso fez sua estreia. Entre os anos 1890 e 1910 a produção e comercialização desses veículos atingiu seu ápice.

Primeiro carruagem elétrica.

A partir de 1912, com as descobertas de campos de petróleo, que reduziram o preço da gasolina, e com a criação de um dispositivo que eliminou a manivela, tornou-se mais fácil dirigir carros a gasolina e os carros elétricos caíram no esquecimento. Após a década de 1960, com a preocupação com os problemas ambientais e com a crise do petróleo, os VEs voltaram a atrair o interesse das grandes montadoras.

Um veículo elétrico é um veículo que utiliza um ou mais motores elétricos para sua propulsão. Os VEBs (veículos elétricos a bateria) são veículos que usam apenas o motor elétrico, ou seja, são os veículos puramente elétricos. O combustível desses veículos é a eletricidade, e no caso dos VEBs essa eletricidade pode ser obtida diretamente da rede elétrica por meio de plugs ou utilizando cabos aéreos (armazenando em baterias). Essa energia também pode ser obtida convertendo a energia química de um combustível, como o hidrogênio, em energia elétrica. Nesse caso o carro possui uma autonomia maior, necessitando de uma menor quantidade de baterias.

Temos também os veículos híbridos, que apresentam diversas configurações, mas de maneira geral são os veículos que utilizam um motor elétrico e um motor a combustão interna. Nesse tipo de veículo o sistema elétrico pode ser um simples complemento ao motor a combustão, auxiliando no aumento da eficiência do veículo e reduzindo o consumo de combustíveis. O motor elétrico pode ser utilizado também no início do funcionamento, para dar propulsão ao veículo, que pode percorrer vários quilômetros e acionar o motor a combustão em seguida. Esses veículos utilizam a frenagem regenerativa, que consiste em transformar a energia cinética do automóvel em energia elétrica durante a frenagem.

Quanto à eficiência, o motor de um VE é muito mais eficiente que o motor de um veículo normal. Enquanto os motores elétricos convertem cerca de 70% da energia das baterias em energia útil para o veiculo, os motores de combustão aproveitam apenas cerca de 20% da energia contida na gasolina. Outra vantagem é que os VEs não possuem uma grande quantidade de peças sujeitas ao desgaste, por isso requerem pouca manutenção. Eles também são mais silenciosos, tornando as viagens mais agradáveis.

Uma das características mais importantes dos VEs é o fato de não emitirem gases de efeito estufa ou qualquer outro gás poluente, o que contribui para melhorar a qualidade do ar nas grandes cidades, onde os veículos automotores são um dos principais emissores de gases poluentes. Esses gases afetam a saúde das pessoas, causando problemas respiratórios, como bronquite e asma, entre outros. Os VEs, chamados de Z.E (zero emissões), são também uma alternativa para um dos maiores problemas ambientais da atualidade, o aquecimento global.

Tesla Model 3, um dos veículos elétricos mais vendidos do mundo em 2021.

Apesar de todos os benefícios, os VEs ainda apresentam algumas barreiras que limitam sua atratividade. Entre os principais obstáculos estão: elevados custos de aquisição; custo extra de aluguel ou troca de bateria; baixa autonomia desses veículos, pois mesmo com suas baterias totalmente carregadas, eles percorrem cerca de 400 km, e elevados tempos de recarga, pois algumas baterias necessitam serem carregadas por cerca de 8 horas, o que retira muito a mobilidade dos utilizadores.

Por causa dos seus benefícios, a adoção de VEs é crescente em vários países, como a China, Israel, EUA, Noruega e Reino Unido. No Brasil a procura por VEs ainda encontra-se em fase incipiente. Em cidades como São Paulo, Rio de Janeiro, Fortaleza e Curitiba eles são utilizados para táxis e sistemas de compartilhamento.

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Referências:

Baran, R. A Introdução de Veículos Elétricos no Brasil: Avaliação do Impacto no Consumo de Gasolina e Eletricidade. Rio de Janeiro: UFRJ/COPPE, 2012.

Fujii, R. J., Marin, G. L. O Papel dos Veículos Elétricos na Economia Limpa. Brasília: WWF-Brasil, 2017.

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