Várzea

Por Emerson Santiago
Recebe o nome de várzea uma vegetação característica da região amazônica, presente nos estados do Pará e Amapá. Segundo maior ambiente florestado de sua região, a várzea é uma mata de inundação temporária e de variável composição vegetal, causada pela constante vazão dos rios, ou seja, pela entrada e saída de água das marés fluviais. Nas áreas mais alagadas, a mata de várzea se assemelha a outro tipo de vegetação próxima, a mata de igapós; já nos terrenos mais altos, e por isso menos alagados, a vegetação é mais parecida com a vegetação de terra firme.

As várzeas constituem ambientes frágeis, cuja origem e funcionamento estão ligados à deposição de sedimentos geologicamente recentes, influenciados pelos regimes das marés e águas pluviais. Essas mesmas condições propiciaram a formação de solos com bons níveis de nutrientes e estoques biológicos. Sua maior concentração está nas margens de rios de águas barrentas, onde, de certo modo, são reguladas pelos regimes das marés.

A floresta ou mata de várzea é dividida em três categorias, baseadas na composição química do solo, no nível topográfico, e na composição florística: são elas as várzeas baixa, média ou intermediária e alta. Tanto na porção baixa como na intermediária predominam as palmeiras, sendo que algumas espécies apresentam raízes que auxiliam a fixação do oxigênio, em especial o açaizeiro e o buriti. Na várzea alta, de solo pouco atingido pelas altas das marés, há uma maior concentração de biomassa (matéria orgânica produzida numa determinada área de um terreno), gerada pelas espécies arbóreas comuns ao terreno, como a samaúma, o assacú, a andiroba e a copaíba.

As árvores alcançam no máximo a altura de 20 metros, isso sem mencionar a enorme quantidade de galhos repletos de espinhos, o que tornam a área pouco acessível, devido às proximidades de todo esse conjunto, formando uma mata bastante fechada. Mesmo assim, a região da várzea permite um satisfatório cultivo de vários gêneros, como o milho, cana-de -açúcar, arroz, cupuaçu, limão, laranja, biriba, graviola, banana e cacau. Além destas, outras culturas podem ser aproveitadas de maneira extrativista, como a ucuúba, o guarumã, o buçu, a jacitara, a copaíba, com destaque para o açaí, que talvez seja a planta mais abundante e frequente das várzeas, sendo a espécie nativa de maior importância econômica para a região do estuário amazônico.

De fato, as palmeiras das áreas de várzea tem aproveitamento garantido, seja no uso das folhas, frutos, sementes ou raízes. Ainda é bastante incipiente o cultivo de gêneros em tal terreno, o que faz com que o extrativismo seja ainda a maior fonte de renda dos locais.

Bibliografia:
LEMOS, Lindomira Vieira. Mata de várzea. Disponível em: <http://geografia.aprendendodireito.com.br/?p=319>. Acesso em: 28 nov. 2012.
Floresta de várzea. Disponível em: <http://www.cdpara.pa.gov.br/varzea.php>. Acesso em: 28 nov. 2012.
Foto: http://blogdolelio.blogspot.com.br/2012/03/projeto-nossa-varzea-direito-cidadania.html