Buriti

Mestrado em Ciências Biológicas (INPA, 2015)
Graduação em Ciências Biológicas (UFAC, 2013)

Buriti é uma espécie de palmeira chamada Mauritia flexuosa L.f. que pertence à família botânica Arecaceae cujo fruto produz uma polpa que dá origem ao “vinho” de buriti. Buriti, buritizeiro, miriti, muriti, buriti-do-brejo, caraná e buritirana estão entre os seus nomes populares.

Buritizal. Foto: Josemar Franco / Shutterstock.com

O buritizeiro é uma das maiores palmeiras da Amazônia alcançando entre 20 a 35 metros de altura e 30 a 50 centímetros de diâmetro. É uma planta nativa mas não endêmica do Brasil. Está distribuído pelos estados do norte (Acre, Amazonas, Pará, Rondônia e Tocantins), nordeste (Bahia, Ceará, Maranhão e Piauí), no centro-oeste (Distrito Federal, Goiás, Mato Grosso do Sul e Mato Grosso) e sudeste (Minas Gerais e São Paulo) do Brasil. Ocorre nos domínios fitogeográficos da Amazônia, Caatinga e Cerrado e está presente em florestas ciliares ou de galeria, várzea ou palmeiral. O buriti pertence a uma espécie que compõe o clímax na dinâmica de sucessão florestal. A palmeira é encontrada em grandes concentrações populacionais em áreas alagadas, de igapó e margens encharcadas. A água ajuda a dispersar seus frutos o que proporciona a formação de suas extensas populações. No entanto, também pode viver como indivíduos isolados. Na região do Cerrado, populações de buritis ocorrem entre as veredas e nestes ambientes a espécie M. flexuosa é considerada uma espécie-chave. Diversas espécies de aves utilizam os buritis para nidificação e vários mamíferos e pequenos roedores se alimentam de seus frutos caídos no chão.

A espécie é fitotelmata, a qual o pecíolo pode armazenar grande volume de água, abrigando abundante e rica fauna de macro invertebrados aquáticos. O néctar das flores é utilizado na alimentação de abelhas, vespas, formigas e dípteros. As flores dos buritis são utilizadas por coleópteros para a reprodução desses insetos. As folhas dos buritizeiros são grandes e frondosas formando uma copa arredondada. As flores possuem cor amarela e os frutos são avermelhados, revestidos por escamas brilhantes. A polpa é amarela e de sabor forte. A semente é oval e dura. A floração ocorre de dezembro a junho. Os frutos devem ser coletados no chão, logo após a queda.

O buriti é uma espécie dióica, apresentam flores masculinas e femininas na mesma planta mas são incompatíveis e nunca produzem frutos. O buritizeiro possui diversos usos, entre eles a produção da polpa da qual é derivada o “vinho” de buriti. A polpa é apreciada na fabricação de doces, “geladinhos”, sorvetes e picolés. As sementes servem como botões, para confecção de artesanatos e produção de álcool combustível.

O óleo do buriti é utilizado na fabricação de sabão e cosméticos. As folhas podem ser utilizadas como adubo e servem na confecção de cordas, cestas, cintos, bolsas, esteiras, chapéus, sandálias etc. O estipe é usado na construção de pontes e por possuir propriedade flutuante é utilizado para transportar madeira nos rios. Entre a diversidade de plantas encontradas no mundo, o buriti é a que possui maiores quantidades de caroteno ou vitamina A. O buriti possui 30 miligramas por 100 gramas de polpa e isto é significa 20 vezes mais do que a cenoura possui. A polpa de buriti possui 11% de proteínas o que é quase igual ao que o milho pode proporcionar. O óleo produzido da polpa do buriti também é utilizado na fabricação de protetor solar. Este óleo absorve as radiações eletromagnéticas de comprimento entre 519 nanômetros (que corresponde a cor verde do espectro) e 350 nanômetros (que corresponde ao ultravioleta) que são prejudiciais a pele humana. Estudos sobre a estrutura de populações de buritizeiros subsidiam programas de manejo e conservação de espécies o que é de grande relevância pois esta planta é considerada uma palmeira de fundamental importância ecológica e uma alternativa econômica para populações tradicionais através da grande quantidades de usos que possui.

Referência bibliográfica:

Mauritia in Flora do Brasil 2020 em construção. Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Disponível em: <http://floradobrasil.jbrj.gov.br/reflora/floradobrasil/FB15723>. Acesso em: 10 Dez. 2019

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