Igapó

Mestre em Ecologia (UERJ, 2016)
Graduada em Ciências Biológicas (UFF, 2013)

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As florestas de Igapó, também conhecidas como florestas aluviais ombrófilas densas, são as vegetações da Amazônia brasileira que ocorrem ao longo dos rios de águas pretas ou claras, são periodicamente inundadas e carregam baixa quantidade de sedimentos e nutrientes. O clima é tropical pluvial (equatorial), quente e úmido. As áreas alagadas na Amazônia ocupam cerca de 8% do bioma Amazônico e são diferenciadas com base no tipo de inundação, cor da água, tipo de solo, origem geológica, estrutura e composição de espécies.

As planícies inundáveis de rios de água preta consistem em solos arenosos pobres em nutrientes, intercalados com praias arenosas. A diferença na cor das águas dos rios da Amazônia indicam diferenças na qualidade da água. Os rios de água preta têm águas escuras devido à presença de compostos fenólicos que se formam no interior dos igapós, fruto da decomposição lenta e anaeróbica da serapilheira submersa. A água é ácida e o teor de substâncias inorgânicas dissolvidas é baixo. A água e o solo de área alagada por rios de água preta tem baixa fertilidade quando comparados aos dos rios de água clara.

Igapó na Amazônia. Foto: Dr. Morley Read / Shutterstock.com

Os igapós provavelmente surgiram nos períodos do Terciário e Pré-Cambriano e a flora associada a este tipo de ecossistema é altamente adaptada às condições deste ambiente como, por exemplo, inundação, sedimentação, erosão, pH e produtividade. Essas florestas cobrem uma área de aproximadamente 100.000 km², no período das enchentes e crescem principalmente sobre solos arenosos, pobres em nutrientes, mas com muitas espécies endêmicas. Muitas dessas espécies florescem durante a fase aquática, sendo o período de inundação que comanda todos os processos de crescimento e desenvolvimento nestes ambientes.

Na floresta de Igapó a vegetação geralmente é baixa sendo constituída por arbustos, cipós e musgos, que são exemplos de plantas comuns nestas áreas. É também nas matas de igapó que encontramos a vitória-régia, um dos símbolos da Amazônia. Sua folha arredondada que fica na superfície da água pode chegar a mais de um metro de diâmetro, possui espinhos ao redor das bordas como forma de defesa contra ataques de peixes e sua flor pode variar do branco a rosa. A planta fica presa no leito do rio por um tendão que impede que a folha se separe da raiz. As árvores têm uma altura de aproximadamente 20 metros e podem-se encontrar espécies como a seringueira, a ucuuba, a bacaba, o buriti e a sumaúma. Entre a fauna aquática, os peixes são de grande importância por atuarem como dispersores de sementes.

Vitória régia. Foto: Grigory Kubatyan / Shutterstock.com

As florestas de igapó, devido a ocorrerem em regiões geológicas mais antigas dos Períodos do Terciário e Pré-Cambriano, possuem solos bastante pobres. Desta forma, são ambientes frágeis e de difícil recuperação uma vez alterados pela intervenção humana que atualmente é maior ameaça a esse ecossistema de área alagada. O grau de resiliência do solo (capacidade do solo recuperar sua integridade funcional) nestes ambientes é muito baixo e a remoção de sua cobertura vegetal pode levar a perda do habitat, face à importância ecológica e estrutural que as plantas desempenham para a manutenção desse ambiente.

Referências Bibliográficas:

COUTINHO, Leopoldo M. Biomas Brasileiros. Oficina de Textos, 2016, 160 p.

FERREIRA, Leandro V., ALMEIDA, Samuel S., AMARAL, Dário D., PAROLIN, Pia. 2005. Riqueza e composição de espécies da floresta de Igapó e Várzea da Estação Científica Ferreira Penna: Subsídios para o plano de manejo da floresta nacional de Caxiuanã. Revista Pesquisas, série Botânica 56: 103-116 p.

SCUDELLER, Veridiana V. & SOUZA, Adriana M. G. de. Florística da mata de igapó na Amazônia Central (Cap. 8), 97 – 108 p. In: Diversidade Biológica e Sociocultural do Baixo Rio Negro, Amazônia Central, volume 2. Edinaldo Nelson SANTOS-SILVA, Veridiana Vizoni SCUDELLER (Orgs.), UEA Edições, Manaus, 2009.

TARGHETTA, Natália. Comparação florística e estrutural entre florestas de igapó e campinarana ao longo de gradientes hidro-edáficos na Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Uatumã, Amazônia Central. 2012. 104 f. Dissertação (Mestrado em Ecologia) - Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), Manaus, 2012.

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