Contracultura

Se você já foi em uma festa à fantasia, vestindo calças boca de sino, óculos escuros arredondados, cabelos ao vento, onde ostentação é ter a alma cheia de esperança, um sorriso no rosto e um sinal de paz e amor - então você pode agradecer a um movimento coletivo, que contagiou os seres humanos nas décadas de 40… 50, 60 até 70…

Das profundezas das duas grandes guerras que marcaram a história da Europa e do mundo no século passado, emerge como uma grande potência econômica os Estados Unidos da América. Nesse cenário, na década de 40, a indústria vivia um crescimento expressivo, e surgia com ela a sociedade baseada no consumo, conectada com a propaganda, a oferta e materialismo.

Nos princípios da fase que ficou conhecida como Guerra Fria, em que EUA e Russia se digladiavam à distância, disputando poderio bélico, porém sem de fato se explodirem, a cultura seguia as tendências ditadas por essa industrialização massificada. A música, a poesia, as artes visuais, o cinema, estavam dominados principalmente pelo otimismo dos vitoriosos no pós guerra, as obras artísticas eram essencialmente de entretenimento e a propaganda investia nessa ideologia, porque isso favorecia o comércio de seus produtos, então produzidos em larga escala.

Naquele momento, uma classe surgia nos guetos do Brasil, eram jovens com ideologias influenciadas pelos acontecimentos mundiais, uma vez que, pela primeira vez na história, a informação era transmitida de forma praticamente imediata e logo assimilada o que permitiu um intercâmbio de conhecimentos intenso entre todas as culturas de diferentes países.

Primeiro, nas ruas norte americanas, surgia como um vagão que descarrilha e segue uma direção independente ao comboio, uma comunidade de meninos e meninas, que inspirados por filósofos e pensadores, como Sartre, ou poetas como Allen Ginsberg (obra prima "Howl", "Uivo" em português), também o Rock'n'Roll, chegava com sede por algo novo. Algo intangível, intocável, real ou irreal? Pode-se dizer que a palavra mais simples para resumir o sonho daquela geração é liberdade.

Logo o Brasil, que vivia também uma industrialização, repetia essa inquietude em sua juventude, que passava a participar incisivamente da política e a cultura se agigantava em forma de Bossa Nova. Como referência, um festival da Record, virou documentário e pode ser assistido on line, "Uma noite em 1967", representa bem o momento efervescente da cultura brasileira. No Brasil também já percebiam o equívoco criado pela sociedade de consumo de bens materiais, o militarismo e a guerra.

Até os dias de hoje, muito do que nasceu naquelas décadas segue como referência e influência para todos, sem exceção. Festivais apresentavam, The Who, Janis Joplin, Joe Cocker, Jimmy Hendrix, entre outros. Arrastavam centenas de milhares de pessoas,The Beatles, Led Zeppellin, Pink Floyd, Bob Dylan. No Brasil, Raul Seixas, Tim Maia, Roberto Carlos, Paulo Coelho, Chico Buarque, Caetano Veloso, Elis Regina, Rita Lee e a lista é imensa...

Esse movimento social, jovem e surpreendente, se multiplicou em alta velocidade, representava uma antítese do sistema econômico e político que se apresentava e ficou designado "contracultura". Deixou como legado uma ideologia autêntica, além de muitas roupas descoladas, coloridas, uma linguagem diferenciada, o culto ao transcedental, místico, uma admiração pela cultura oriental, uma idéia de que as comunidades alternativas podem de fato acontecer e muitas experiências com drogas alucinógenas… não podemos esquecer dos festivais de música intermináveis… Aí iniciava a era dos "hippies".

Bibliografia:
LÁpiccirella, Nadime. O existencialismo de Jean paul sartre, http://www.cdcc.sc.usp.br/ciencia/artigos/art_26/sartre.html acessado em 18/03

The making of counterculture, http://www.lovehaight.org/history/counterculture.html acessado em 18/03

A. de Lima, Excurso sobre o conceito de contracultura, http://www2.ifrn.edu.br/ojs/index.php/HOLOS/article/viewFile/1536/715 acessado em 18/03

Contracultura no Brasil, http://culturadigital.br/contraculturadigital/files/2012/08/leonardorocha.pdf acessado em 18/03

http://mundoestranho.abril.com.br/materia/como-foi-o-festival-de-woodstock acessado em 18/03

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